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Sindicatos ainda estão inconsoláveis após fraca adesão a protesto

Os cálculos dos sindicalistas estimaram em 1.000 o total de participantes na manifestação realizada na quinta-feira passada, em Teresina. Levando em conta que o ato foi planejado com quase um mês de antecedência pelas centrais sindicais e pelos sindicatos filiados, foi uma adesão muito pequena. Se for considerada a contagem feita pela Polícia Militar, esse número cai pela metade.

O fracasso de público na manifestação da semana passada, intitulada Dia Nacional de Luta, não foi exclusivo de Teresina. Nas demais cidades, a adesão foi mínima, levando em conta o poder de fogo dos organizadores. O movimento chamou mais a atenção pelo bloqueio do tráfego em estradas de grande fluxo de carros.

Entre os pontos defendidos no Dia Nacional de Luta estava a jornada de trabalho de 40 horas semanais sem redução salarial. O fim do Fator Previdenciário, que reduz o valor das aposentadorias; o reajuste digno para aposentados; mais investimentos em saúde, educação e segurança, com o repasse de 10% do PIB para Educação e 10% do Orçamento da União para a Saúde; transporte público de qualidade; reforma agrária e fim dos leilões do petróleo foram outros pontos da pauta de reivindicações.

Segundo a imprensa nacional, houve sindicato que chegou a contratar manifestante por R$ 50 e até R$ 70 no ato público de quinta-feira. Não houve desmentido da acusação. A denúncia evidencia que a crise de representação vivida num primeiro momento pelos partidos políticos e pelas instituições parlamentares se estendeu também aos sindicatos.

O que afastou os associados de seus sindicatos? O que se sabe é que os sindicatos nunca foram tão dóceis quanto nos últimos dez anos, especialmente os que representam os empregados do serviço público. Ao mesmo tempo, o governo nunca foi tão generoso com os sindicatos quanto tem sido ao longo desse tempo.

Com raras e honrosas exceções, os sindicatos que representam os trabalhadores da iniciativa privada também perderam muito do seu espírito de luta e se fecharam em acordos e conchavos de gabinetes muito mais para dar respaldo a bandeiras de partidos políticos do que para defender os interesses de seus associados. O resultado é esse aí: nem pagando já não conseguem mais juntar gente nas ruas.

 

Fonte: (Diário do Povo)

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