Política

O outro lado · 15/01/2021 - 08h37 | Última atualização em 18/01/2021 - 09h18

Mulheres dizem que promotor de Justiça Francisco de Jesus persegue vítima de violência doméstica

Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio: "não precisamos financiar autoridades que se colocam frontalmente contra uma mulher"


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

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- "Suas ações [ do promotor de Justiça Francisco de Jesus], dentre elas uma exposição exagerada à mídia, fazendo ameaças, pode configurar uma possível síndrome de perseguição", diz a Frente

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_Promotor Francisco de Jesus (Imagem: Divulgação)
_Promotor Francisco de Jesus (Imagem: Divulgação) 

A Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio do Estado do Piauí criticou duramente o Promotor de Justiça Francisco de Jesus, do Núcleo das Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (Nupevid). Isso porque o promotor processou uma vítima de violência doméstica depois que ela protestou de forma pacífica contra ele, que foi alvo de medida protetiva após denúncia de sua ex-companheira.

A manifestação pacífica de Cláudia Modesto na frente do Ministério Público do Piauí após o membro do MP-PI retornar ao trabalho, mesmo sob suspeitas, à época, da prática de violência doméstica, fez com que o promotor de Justiça processasse civilmente Modesto e pedisse indenização da ordem de R$ 31.350,00, como divulgou o Blog Bastidores, do Portal 180graus (Promotor de Justiça de defesa da mulher, Francisco de Jesus processa “suposta vítima” de violência) - em meio às inúmeras matérias sobre a gama de processos que o homem público moveu também contra meios de comunicação e jornalistas que noticiaram a medida protetiva contra o promotor. 

"Cláudia vem sofrendo perseguição por parte do citado promotor", denuncia a Frente contra o Feminicídio.

Na petição apresentada por Francisco de Jesus à Justiça contra Cláudia Modesto, o promotor a chama de "suposta vítima", diz que ela pagou matéria ao Portal AZ para falar sobre o protesto, que Modesto fez "show pirotécnico" na frente do Ministério Público, que a "suposta vítima" tem ódio dele, que ela realiza "vingança pessoal". Diz ainda que ele tem "credibilidade social e moral".

Pior: expôs detalhes do caso dela no processo. Isso somente porque ela protestou pacificamente contra o promotor de Justiça.

"Não precisamos financiar autoridades que se colocam frontalmente contra uma mulher", diz a Frente. "Suas ações, dentre elas uma exposição exagerada à mídia, fazendo ameaças, pode configurar uma possível síndrome de perseguição", alerta. 

A nota, classificada como direito de resposta, é assinada por várias mulheres.

VEJA A ÍNTEGRA DO QUE DISSE A FRENTE:__________

Dirigimo-nos ao Portal 180 Graus em razão da matéria intitulada "Promotor de Justiça de defesa da mulher, Francisco de Jesus, processa “suposta” vítima de violência", publicada em 10.11.2020, por Rômulo Rocha, do Blog Bastidores, para requerer Direito de Resposta, pelo arrazoado que se segue:

1. Cláudia não é uma "suposta vítima". Ela é vítima de violência doméstica, acompanhada por esta Frente, e que, inclusive, tem Medida Protetiva, face aos riscos aos quais está sujeita. 

2. Ela se tornou arrojada companheira de luta contra a violência doméstica, o feminicídio e por uma sociedade democrática. E isso certamente incomoda muito às pessoas que não aceitam críticas, ainda que construtivas, nem admitem que nós mulheres nos comportemos de maneira destemida, em busca de nossos direitos. 

3. Aquela expressão, colocada entre aspas ["suposta vítima"], mesmo sendo falsa no caso da Cláudia e de tantas mulheres maltratadas e silenciadas, tende a fixar-se no imaginário da sociedade, devido à influência perniciosa do patriarcado, por meio da sua herança mais nociva, que é o machismo.

4. Não pretendemos contribuir para a censura aos meios de comunicação, pois lutamos por uma sociedade livre de qualquer mecanismo ditatorial. Mas acreditamos que o Direito de Resposta é uma forma de levar novos esclarecimentos aos fatos. Em especial porque a matéria não apresenta os dois lados da questão.

5. Constatamos que a Cláudia, não bastassem as dificuldades que enfrenta no seu cotidiano de mãe e provedora, vem sofrendo perseguição por parte do citado promotor, que se posiciona, equivocadamente, não como defensor de uma vítima e sim como um dos seus algozes, o que lamentamos muito.

6. Num momento em que parte da sociedade civil se mobiliza para dar fim à violência doméstica, não precisamos financiar autoridades que se colocam frontalmente contra uma mulher que busca ser ouvida e considerada. Não é justo atacar a Cláudia e com a virulência desse promotor, que, ao contrário, estaria ali para defender as vítimas e não as crucificar.

7. Nós mulheres somos, historicamente, o segmento mais vulnerável à violência extrema, que pode resultar em feminicídio. Propagar que uma mulher - cuja vulnerabilidade é amplamente comprovada nos apelos que tramitam na Justiça - é "suposta vítima" e ainda dar razão ao agressor, pode fazer de um promotor público "persona non grata".

8. Suas ações, dentre elas uma exposição exagerada à mídia, fazendo ameaças, pode configurar uma possível síndrome de perseguição.

9. Com tais atitudes, ele se coloca muito aquém das expectativas que temos com respeito a um defensor legal das mulheres vítimas de violência. E nos leva a refletir sobre o impacto negativo das atitudes dele sobre o desempenho da Justiça na defesa de direitos humanos e, em especial da mulher, reconhecida como sujeita a humilhações, empurrões, ferimentos por armas as mais diversas, cárcere privado e outras atrocidades que resultam em problemas de ordem psicológica, sofrimento, incapacidades e morte, seja no lar, no trabalho e ou nos 
espaços públicos.

10. Alertamos à direção desse veículo que nunca deixem de se manter numa linha de jornalismo fiel aos fatos. Tal mérito se torna possível por meio da busca da verdade. E a verdade envolve o olhar de quem acusa e de quem é acusada .

Aguardamos retorno positivo à demanda apresentada, ou seja, o Direito de Resposta que ora requeremos, consistindo na publicação desse esclarecimento, o qual, embora deva ocupar espaço maior do que o da matéria divulgada, evidentemente não terá o alcance que tiveram as palavras do promotor, pois bem sabemos que matérias com acusações desonrosas feitas por uma autoridade e em manchete alcançam muito mais leitores, enquanto os desmentidos não 
têm o poder de alcançar o mesmo público. 


Atenciosamente,


Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio do Estado do Piauí


Grupo de Apoio à Cláudia Modesto:

 
Glória Sandes
Halda Regina da Silva
Lucineide Barros Medeiros
Maria Aires Chaves
Maria do Socorro Santana de Sousa
Maria Madalena Nunes
Maria Sueli Rodrigues de Sousa
Mariana Cavalcante Moura
Norma Soely Guimarães Rocha
Raíssa Anchieta
Tércia Maria Ribeiro

Teresina (PI), 13 de janeiro de 2021.


PROCESSOS EM MASSA CONTRA JORNALISTAS

Inconformado com a divulgação por parte da imprensa do Piauí de que ele foi alvo de medida protetiva, o promotor de Justiça vem processando inúmeros meios de comunicação e jornalistas do Piauí. 

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