Campanha de prevenção a doença · 17/09/2019 - 13h01 | Última atualização em 17/09/2019 - 13h48

“Fé ajuda muito”, diz ministro da Saúde sobre tratamento de depressão


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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, lançaram nesta terça-feira (17/09) a campanha de valorização da vida e de combate à depressão. As informações são do Metrópoles.

No Brasil, estima-se que 14,1 milhões de pessoas apresentem diagnóstico de transtorno ou sofrimentos mentais. Um total de 7,6% dos brasileiros de 18 anos ou mais receberam diagnóstico de depressão por profissionais de saúde mental.

“Nesse campo, a fé ajuda muito, porque você tem sua família, seus filhos. Do mesmo jeito que se trata do seu rosto – vejo pessoas se importando bastante com a estética – é importante fazer a mesma coisa em nosso cérebro”, destaca Mandetta, ao promover a “higiene mental”.

No mesmo evento, Damares agradeceu à iniciativa do ministro da Saúde. “Mandetta, o estado é laico mas eu sou terrivelmente cristã“, disse, ao louvar a vida do colega. “Suicídio não é brincadeira, não é cultura; é questão de saúde mental”, enfatizou a ministra dos Direitos Humanos.

Em seguida, Damares aproveitou para criticar a oposição. Segundo ela, o cuidado não estava sendo feito em governos passados. “Esse povo, que estava abandonado nessa nação, agora tem sido tratado como ser humano em nosso governo”, pontou.

Medidas
A campanha, com o slogan “Se liga! Dê um like na vida”, tem como alvo os jovens de 15 a 29 anos. O objetivo é mostrar a importância de valorizar as relações presenciais, focando nos benefícios do vínculo real.

“Depressão às vezes é vista como: ‘ah, é frescura, não quer estudar’. Em tempos de internet, esse drama é super amplificado. Hoje o bullying cibernético, de uma hora para outra você vira meme. E às vezes, eles [os jovens] começam a chamar a atenção através da automutilação”, explica Mandetta.

A campanha começará a ser veiculada a partir desta quarta-feira (18/09/2019) e se estende até 1º de outubro. O material será veiculado em filmes, internet e outdoor. De acordo com o ministro da Saúde, também será feito investimento em Capes, contudo, não soube especificar o valor.

Entre 2015 e 2018, houve aumento de 52% nos atendimentos ambulatoriais relacionados à depressão no Sistema Único de Saúde (SUS). Quando o recorte é feito entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa de crescimento sobe para 115%.

O site do Ministério da Saúde disponibiliza uma página com perguntas e respostas sobre a depressão. A pasta esclarece causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção da doença mental. Acesse aqui.

Números
A quantidade de casos de depressão cresceu 18% em dez anos no país. Em 2020, a doença será a mais incapacitante do planeta, de acordo com previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os quadros depressivos são as principais causas de suicídio no mundo.

O Brasil é líder de casos de depressão na América Latina. Ainda segundo dados da OMS, cerca de 7,6% da população de 18 anos ou mais sofrem com a doença, ou seja, um total de 14,1 milhões de pessoas. A taxa está acima da média mundial, que é 4,4%.

Para piorar, metade dos brasileiros não sabe o que é a depressão. Dados do instituto de pesquisa Ibope revelam que apenas 47% das pessoas classifica o problema como transtorno mental, o que é correto. Por outro lado, 23% dos adolescentes entre 13 e 17 anos enxergam como um “momento de tristeza” e não uma doença grave.

O levantamento ainda mostrou que, na mesma faixa etária, 39% dos adolescentes afirmaram que, caso recebessem o diagnóstico de depressão, não revelariam para familiares.

O porcentual foi mais alto do que a taxa média verificada entre todas as idades (22%). Esse dado é ainda mais alarmante quando se verifica a faixa etária entre 25 a 34 anos: 63% das pessoas disseram que não contariam para a família pela vergonha de admitir um quadro depressivo.


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