
Ministro do STJ afastado por assédio recebeu R$ 300 mil mesmo sem trabalhar
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi recebeu ao menos R$ 300 mil líquidos desde que foi afastado do cargo, em 10 de fevereiro, quando o tribunal abriu um processo disciplinar para apurar denúncias de assédio sexual e importunação feitas por uma jovem de 18 anos e uma ex-funcionária do gabinete.
Os pagamentos superaram R$ 100 mil em fevereiro e março, com a inclusão de verbas indenizatórias, e o valor total pode ser maior porque o contracheque de julho ainda não estava disponível no Portal da Transparência do STJ. O tribunal afirmou que Buzzi recebeu somente as verbas previstas para sua situação. Na quinta-feira (06/08), os ministros do STJ condenaram Buzzi por unanimidade por assédio sexual e importunação, com pena que prevê afastamento e indicação de perda do cargo.
A Advocacia-Geral da União deve entrar com uma ação civil no Supremo Tribunal Federal para pedir a perda do cargo. O Conselho Nacional de Justiça aprovou na semana passada uma resolução que encerra a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados, seguindo entendimento do STF de que infrações graves devem resultar na perda do cargo. Uma proposta de emenda à Constituição apresentada pelo ministro Flávio Dino prevê suspender a remuneração de magistrados durante processos por infrações graves, mas o texto, aprovado pela CCJ do Senado em abril, não tem previsão de andamento.









