
Pastores questionam Mendonça sobre conciliar cargo no STF com função de pastor adjunto
Um grupo de 24 pastores, a maioria ligada à tradição presbiteriana, formalizou uma interpelação de interesse público para cobrar explicações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça sobre como concilia a cadeira na Suprema Corte com a função de pastor adjunto que exerce desde 2025 na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo. O documento, divulgado nesta sexta-feira (18/09), aponta incompatibilidade teológica entre os dois papéis e cita o princípio da separação entre Igreja e Estado, conforme informações do portal Frances News.
O estopim da cobrança foi um vídeo divulgado por Mendonça no dia 4 de setembro, em que ele agradece o apoio recebido dos fiéis de sua igreja em meio à crise no STF. A gravação veio à tona logo após o ministro ser criticado por sua condução do caso envolvendo o Banco Master, semana em que retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens que ligam o ministro Alexandre de Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para os pastores, o gesto de buscar apoio religioso em meio a uma crise institucional cruzou uma linha. "Converteu-se o pastor em fiador do juiz e o rebanho em base de apoio, precisamente a confusão que a Confissão veda", escrevem os signatários.
No documento, os religiosos defendem que a mesma pessoa não pode, ao mesmo tempo, "empunhar a espada que o Estado confiou" e deter as "chaves que só à Igreja pertencem". O grupo encerra a interpelação com duas perguntas diretas ao ministro: "Como poderá ser tido por árbitro imparcial das liberdades religiosas de todas as confissões quem é, ao mesmo tempo, pastor de uma delas? E como poderá um presbitério exercer com independência a disciplina eclesiástica sobre membro da Suprema Corte?".












