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Exclusão de produtos piauienses do tarifaço preserva exportações, empregos e renda no estado

A exclusão do mel orgânico, das ceras vegetais, da fécula de mandioca e da castanha de caju da nova tarifa adicional dos Estados Unidos representou um alívio para a economia do Piauí. Os quatro produtos integram cadeias produtivas estratégicas do estado, movimentam empresas exportadoras e geram renda em municípios do interior, com participação relevante de agricultores familiares e cooperativas.

O governo norte-americano oficializou, em 15 de julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A relação final, porém, retirou da cobrança mercadorias consideradas necessárias para a economia e para os consumidores dos Estados Unidos, principalmente aquelas que não são produzidas em quantidade suficiente no país. Entre as exceções estão o mel natural orgânico certificado, a castanha de caju, a fécula de mandioca e as ceras vegetais.

Para o Piauí, o efeito imediato é a manutenção da competitividade. Sem a sobretaxa, os produtos piauienses podem continuar chegando ao mercado norte-americano sem um aumento abrupto de custos na importação — pressão que poderia provocar cancelamento de contratos, redução das compras ou queda no preço pago aos produtores.

Foto: IAExportação

Governo do Piauí trabalhou para proteger a cadeia do mel

O mel concentra a maior preocupação econômica entre os produtos piauienses que poderiam ser atingidos. O Piauí produziu 8.614 toneladas em 2024, com valor de produção estimado em R$ 101 milhões. O resultado colocou o estado na segunda posição nacional e manteve a liderança piauiense no Nordeste.

O peso dos Estados Unidos nessa cadeia é ainda maior. Somente em 2024, o Piauí exportou US$ 22,4 milhões em mel natural para o mercado norte-americano. O valor representou mais de 87% das exportações piauienses do produto naquele ano, segundo levantamento divulgado pelo Governo do Estado com base em dados do comércio exterior.

Caso a tarifa de 25% incidisse integralmente sobre esse volume, o custo adicional bruto para a entrada do mel nos Estados Unidos poderia equivaler a cerca de US$ 5,6 milhões, tomando como referência as vendas de 2024. Isso não significaria, necessariamente, uma perda direta do mesmo valor para o Piauí, porque a tarifa é cobrada do importador. Na prática, porém, compradores poderiam exigir descontos, reduzir encomendas ou procurar fornecedores de outros países.

Essa pressão chegaria rapidamente ao campo. A produção piauiense de mel está ligada a milhares de pequenos produtores, associações, cooperativas, casas de beneficiamento e empresas responsáveis pela certificação, pelo armazenamento e pela exportação. Dados divulgados pelo Governo do Piauí indicam que aproximadamente 93% do mel estadual tem origem na agricultura familiar.

A isenção, portanto, preserva mais do que o faturamento das exportadoras. Ela ajuda a sustentar a renda de famílias rurais, o funcionamento de cooperativas e a circulação de dinheiro em municípios do semiárido, onde a apicultura se tornou uma alternativa econômica adaptada às condições climáticas locais.

A cera vegetal mantém uma posição estratégica na pauta industrial

As ceras vegetais, especialmente a cera de carnaúba, também ocupam espaço relevante na economia piauiense. Em 2024, o Piauí respondeu por 27,91% das exportações brasileiras de cera vegetal, ficando na segunda posição nacional, atrás apenas do Ceará.

Diferentemente de commodities agrícolas de grande escala, a cera possui maior grau de processamento e atende diferentes segmentos industriais. Sua cadeia envolve o extrativismo da carnaúba, o beneficiamento do pó, o refino e a comercialização para empresas nacionais e estrangeiras.

Uma tarifa adicional poderia diminuir a margem das indústrias piauienses e atingir também trabalhadores responsáveis pela extração e pelo processamento da matéria-prima. Ao manter a cera fora da sobretaxa, os Estados Unidos preservam o fornecimento de um insumo difícil de substituir, enquanto o Piauí mantém contratos, receitas em moeda estrangeira e atividade econômica em regiões produtoras.

A castanha de caju e a fécula de mandioca representam diversificação produtiva

A inclusão da castanha de caju e da fécula de mandioca entre as exceções também tem importância estrutural. Os dois produtos ajudam a diversificar uma pauta de exportações fortemente concentrada em commodities, como soja, milho e minérios.

A castanha de caju mobiliza produtores rurais, unidades de beneficiamento e atividades de seleção, quebra, torrefação e embalagem. Quanto maior o processamento realizado no próprio estado, maior tende a ser o valor agregado que permanece na economia local.

A fécula de mandioca segue lógica semelhante. Em vez de exportar apenas a raiz, a cadeia transforma a mandioca em um insumo destinado às indústrias alimentícia, química e de outros segmentos. Essa etapa industrial cria demanda por transporte, energia, embalagens, serviços técnicos e mão de obra.

Nos dois casos, a isenção evita uma perda de competitividade justamente em atividades que podem ampliar a participação da agroindústria no interior piauiense. Também reduz o risco de estoques acumulados, queda de preços e diminuição das compras feitas diretamente aos agricultores.

A retirada das tarifas diminui o risco sobre a balança comercial do Piauí

A decisão dos Estados Unidos não elimina todos os riscos para as exportações piauienses, mas reduz o impacto sobre os setores mais dependentes do mercado norte-americano. Mel, cera, castanha e fécula possuem cadeias com forte presença no interior e maior capacidade de distribuir renda do que grandes empreendimentos concentrados.

Grãos e minérios, por sua vez, contam com uma distribuição geográfica diferente. A maior parte desses produtos tem como destino mercados da Ásia e da Europa, o que reduz a exposição direta ao tarifaço norte-americano. A estratégia informada pelo Governo do Piauí é preservar e ampliar esses canais comerciais, diminuindo a dependência de um único destino.

O resultado é uma proteção parcial, mas economicamente relevante. Os produtos piauienses mais ligados aos Estados Unidos continuam competitivos, enquanto as principais commodities do estado (grãos e minérios) seguem direcionadas a outros continentes.

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