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O silêncio ensurdecedor dos ligados a Ciro Nogueira enquanto o Brasil inteiro fala

Há momentos em que o silêncio fala mais alto do que qualquer manchete.

Nas últimas horas, alguns dos principais veículos de comunicação do país colocaram no centro do noticiário nacional um episódio grave envolvendo investigação da Polícia Federal, documentos apreendidos, nomes de parlamentares e anotações que ainda precisam ser esclarecidas.

Foto: Reprodução

A notícia envolvendo o senador Ciro Nogueira ganhou o Brasil.

Foi destaque em grandes portais, jornais, revistas e emissoras. Manchetes circularam de Norte a Sul. O assunto ocupou espaço relevante no noticiário político nacional e despertou questionamentos muito além das fronteiras do estado.

Mas, por aqui, parte de jornalistas, comunicadores e influenciadores politicamente ligados a Ciro Nogueira parece ter optado por falar baixo.

Muito baixo.

Em alguns casos, por não falar nada.

E esse silêncio chama atenção.

Não se trata de exigir condenação antecipada de ninguém. Jornalismo sério não funciona assim. Investigação não é sentença e suspeita não é prova definitiva. O dever da imprensa é informar com responsabilidade, contextualizar, ouvir as versões envolvidas e acompanhar os fatos.

Foto: Partes da imagem foi produzida por IA

O problema começa quando a régua muda conforme o personagem.

Quando determinados assuntos rendem indignação, vídeos, textos, comentários e análises durante dias, enquanto outros, mesmo estampados nos maiores veículos do Brasil, parecem não merecer sequer uma linha.

Aí deixa de ser apenas uma escolha editorial.

Vira uma pergunta pública.

Por que tanto silêncio?

É difícil imaginar que profissionais que acompanham diariamente a política não tenham visto as manchetes. Elas estavam por toda parte. Era praticamente impossível passar pelo noticiário nacional sem se deparar com o assunto.

A imprensa brasileira está gritando.

Talvez esteja gritando justamente para o Piauí ouvir.

Enquanto veículos nacionais fazem perguntas, reproduzem relatórios, apresentam documentos e acompanham os desdobramentos, uma parcela do debate local parece se comportar como se nada estivesse acontecendo.

Mas está.

E muito.

O papel da imprensa não é proteger amigos, aliados, grupos políticos ou relações construídas ao longo dos anos. Também não é escolher quem pode ou não ser submetido ao escrutínio público.

Imprensa existe para incomodar o poder.

Todo poder.

Quando a crítica depende do nome envolvido, deixa de ser fiscalização e passa a ser conveniência.

E o mesmo vale para quem construiu audiência dizendo enfrentar privilégios, denunciar abusos e cobrar explicações de autoridades. O público também observa quem fala, quando fala e, principalmente, quando decide não falar.

Há silêncios que passam despercebidos.

Este não.

Porque, desta vez, não estamos diante de uma informação escondida em um processo desconhecido ou de uma apuração restrita aos bastidores de Brasília.

Está nas manchetes.

Está nos grandes portais.

Está nos jornais.

Está nas televisões.

Está no debate nacional.

Só falta chegar, com a mesma intensidade, a determinados microfones, perfis e colunas do Piauí.

Talvez seja essa a maior contradição do momento: o Brasil inteiro está falando sobre algo que parte dos que orbitam politicamente Ciro Nogueira parece não querer ouvir.

E quando a imprensa nacional precisa gritar para que o Piauí escute, o problema já não está apenas na notícia.

Está também no silêncio.

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