
Entidade sem quadro funcional liderou explosão de filiados e lucrou R$ 221 milhões
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou indícios de fraude envolvendo a Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), que registrou crescimento explosivo no número de filiados após firmar convênio com o INSS, apesar de não possuir nenhum funcionário cadastrado. A entidade é acusada de aplicar descontos indevidos em benefícios de aposentados, prática já investigada pela Polícia Federal. Entre 2022 e 2024, o número de “associados” saltou de zero para mais de 445 mil, resultando em arrecadações milionárias. Com informações do Metrópoles.

A CGU identificou movimentações consideradas incompatíveis com a estrutura da confederação, incluindo a suspeita de uso ilegal de telemarketing para captar filiados, em violação ao Acordo de Cooperação Técnica firmado com o INSS. O documento também aponta tentativas de aplicar descontos em benefícios de pessoas já falecidas — ao menos 40 mil solicitações foram feitas para CPFs de segurados que estavam mortos, alguns desde antes da própria criação da CBPA. A explosão de novos descontos, que chegou a saltar de 34 mil para mais de 222 mil em apenas um mês, reforçou a suspeita de manipulação sistemática.
As investigações fazem parte da operação Sem Desconto, que apura fraudes generalizadas em repasses realizados pelo INSS. O presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz — ligado ao Republicanos e com influência no cenário político e no próprio instituto — presta depoimento à CPMI do INSS nesta segunda-feira (03/11). Ele e a entidade tiveram bens bloqueados a pedido da AGU, enquanto o colegiado aprovou a quebra de sigilos fiscal e bancário. As apurações seguem para identificar responsabilidades e o destino dos recursos obtidos de forma irregular.








