Eleições 2026 -

Campo Maior sitiada: Ribamar tenta erguer muralha contra candidatos ‘forasteiros’

Campo Maior tem uma muralha que não aparece nos cartões-postais.

Ela não foi erguida com pedras, não cerca o Monumento do Jenipapo e não possui sentinelas. É uma muralha eleitoral, construída voto a voto sempre que o eleitor campo-maiorense decide que, antes de mandar seus votos para longe, pode entregá-los a alguém nascido dentro de suas próprias fronteiras.

Em 2026, quem tenta ocupar a torre de vigia é Dr. Ribamar Bandeira.

Candidato a deputado federal pelo MDB e filho de Campo Maior, Ribamar entra na fase decisiva da eleição tentando fazer algo que o município poucas vezes conseguiu consolidar nas disputas por uma cadeira em Brasília: concentrar em torno de um nome da terra uma parcela expressiva de seu eleitorado.

Campo Maior tem quase 36 mil eleitores. É um território grande demais para passar despercebido e politicamente valioso demais para não ser invadido.

E os exércitos já chegaram.

Foto: imagem criada por iaCampo Maior sitiada: Ribamar tenta erguer muralha contra candidatos ‘forasteiros’

Deputados com mandato, candidatos apoiados por prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e grupos tradicionais disputam cada bairro, povoado e família do município. Alguns já conhecem muito bem o caminho até a cidade. Outros chegam carregados pelas mãos de aliados locais.

É uma velha história.

Durante anos, Campo Maior demonstrou uma característica curiosa: para deputado estadual, a muralha costuma ser alta; para deputado federal, os portões quase sempre ficam abertos.

Paulo Martins é um dos maiores exemplos da força do voto da terra. Foi o deputado estadual mais votado em Campo Maior em 2006, com 8.542 votos; repetiu a liderança em 2010, com 8.731; e voltou ao primeiro lugar em 2018, quando obteve 6.381 votos.

Antônio Félix também experimentou essa proteção. Liderou a votação estadual no município em 2014, com 6.972 votos. Em 2022, quando decidiu disputar uma vaga na Câmara Federal, terminou como o federal mais votado em Campo Maior, com pouco mais de 3 mil votos.

A candidatura de Antônio Félix, aliás, quebrou um período em que Campo Maior não apresentava um filho da terra com protagonismo semelhante na disputa federal. Em 2018, enquanto três nomes locais estavam entre os mais votados para a Assembleia Legislativa, a corrida para Brasília foi dominada por gente de fora.

Fábio Abreu tomou 5.385 votos. Assis Carvalho levou outros 4.201. Flávio Nogueira também passou de 1,4 mil.

Era como se as muralhas funcionassem para Teresina, mas desaparecessem quando o caminho apontava para Brasília.

Antônio Félix conseguiu inverter parcialmente essa lógica em 2022. Foi o primeiro colocado para federal dentro de Campo Maior, mas nem ele conseguiu fechar completamente os portões.

Atrás dele veio uma procissão.

Elmano Férrer, Fábio Abreu, Florentino Neto, Jadyel Alencar, Flávio Nogueira, Rejane Dias, Júlio César e outros candidatos arrancaram centenas ou milhares de votos do território campo-maiorense.

A fortaleza tinha um comandante local, mas continuava cheia de entradas.

É justamente essa muralha que Ribamar Bandeira tenta reconstruir em 2026.

Sua campanha começou a explorar de maneira cada vez mais explícita o sentimento de pertencimento. Em caminhada recente, Ribamar resumiu a estratégia numa frase: “Agora é a nossa vez de ter um deputado federal para chamar de nosso”.

Não é uma frase lançada ao acaso.

É o centro da batalha.

Ribamar sabe que não enfrenta apenas candidatos. Enfrenta estruturas políticas capazes de abrir os portões de Campo Maior por dentro.

Cada vereador que fecha compromisso com um candidato de fora abre uma passagem. Cada liderança que movimenta sua base funciona como uma ponte levadiça. Cada grupo político local que escolhe um federal de outro município retira alguns tijolos da muralha que Ribamar tenta levantar.

E do lado de fora não estão aventureiros.

Fábio Abreu já provou que sabe conquistar Campo Maior. Flávio Nogueira também possui histórico eleitoral no município. Jadyel Alencar saiu dali com votação importante em 2022. Georgiano Neto chega à disputa federal carregando uma extensa rede de prefeitos e lideranças. Outros nomes ainda entrarão nessa conta.

Todos querem uma parte do reino.

Ribamar tenta convencer o eleitor de que existe diferença entre receber um candidato durante algumas semanas de campanha e possuir um representante cuja identidade política esteja diretamente ligada à cidade.

É aí que entra o componente mais perigoso dessa eleição para ele.

Ser filho da terra ajuda.

Mas não garante cidadania eleitoral.

Campo Maior já mostrou que protege os seus quando encontra um nome em quem acredita. Também já mostrou que não tem qualquer dificuldade em abrir os portões quando suas lideranças se dividem.

Em 2026, portanto, Ribamar não disputa simplesmente uma cadeira de deputado federal.

Antes de tentar conquistar o Piauí, terá que defender o próprio castelo.

Porque a muralha de Campo Maior existe.

A pergunta é quantos portões continuarão abertos até 4 de outubro.

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