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O que o Brasil pode aprender com o Piauí para colocar o serviço público na palma da mão

O Piauí é, pelo segundo ano consecutivo, o estado mais digital do Brasil. O reconhecimento veio pelo Índice ABEP-TIC de Oferta de Serviços Públicos Digitais (IOSPD), que avaliou os governos estaduais a partir da qualidade e da maturidade dos serviços oferecidos digitalmente. Em 2025 e 2026, o Piauí alcançou o primeiro lugar, um resultado que coloca o estado como uma experiência que outros governos podem observar para pensar o futuro dos serviços públicos.

Por trás do resultado está uma estratégia que vai além de disponibilizar serviços na internet. A proposta é construir um governo que organiza sua estrutura a partir das necessidades do cidadão, reduzindo etapas, integrando serviços e criando diferentes caminhos para que as pessoas resolvam suas demandas.

Essa visão teve entre suas referências a Estônia, reconhecida internacionalmente pelo uso da tecnologia para simplificar a relação entre cidadãos e governo. A inspiração ajudou o Piauí a pensar em uma questão fundamental: se o cidadão confia em uma plataforma digital para realizar uma transferência bancária, por que deveria ir até um local físico para solicitar um serviço?

Foto: reproduçãoO que o Brasil pode aprender com o Piauí para colocar o serviço público na palma da mão

É a partir dessa lógica que foram desenvolvidas plataformas como o Gov.pi Cidadão e o Gov.pi Empresas, que juntas já disponibilizam mais de 800 serviços digitais.

Da fila para o celular

A transformação, porém, não acontece apenas quando o serviço é colocado em uma plataforma. Existe uma mudança cultural no caminho.

Durante décadas, ir presencialmente a um órgão público foi considerado o caminho mais seguro para resolver uma demanda. A modernização precisa mudar essa percepção e construir confiança para que o cidadão entenda que não precisa necessariamente sair de casa, enfrentar trânsito ou passar horas em uma fila para ter acesso ao serviço público.

É um processo parecido com o que aconteceu com os bancos e instituições financeiras. Hoje, muitas pessoas sequer consideram ir a uma agência para fazer aquilo que podem resolver pelo celular. No governo, essa mudança de hábito ainda está acontecendo.

No Piauí, essa transformação já chega a áreas essenciais. O Piauí Saúde Digital, por exemplo, permite realizar consultas pelo celular, ajudando a reduzir filas e deslocamentos. A mesma lógica está presente em diferentes serviços: quanto menos etapas existem entre o cidadão e o Estado, mais simples se torna a experiência de quem precisa ser atendido.

Tecnologia precisa chegar onde as pessoas estão

Se o objetivo é facilitar a vida de quem utiliza o serviço, a tecnologia precisa estar onde as pessoas já estão.

Por isso, a conectividade também faz parte da estratégia. Por meio da Piauí Link, a infraestrutura de internet pública chega a espaços como colégios estaduais e pontos turísticos, ampliando as possibilidades de acesso.

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Mas digitalizar serviços também exige garantir que as pessoas tenham condições de utilizá-los. É nesse ponto que entram iniciativas como a Lan House Social, que oferece cursos de letramento digital e ajuda a aproximar da tecnologia quem ainda enfrenta dificuldades para utilizá-la.

A ideia é simples: não basta colocar o serviço na palma da mão; é preciso garantir que todos consigam chegar até ele.

Identidade para conhecer quem precisa do Estado

A transformação digital também passa por saber quem são as pessoas que o Estado precisa atender.

O Piauí foi o estado com maior emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), alcançando mais de 62% da população. Essa identificação amplia a capacidade do poder público de conhecer sua população e planejar políticas públicas a partir de dados mais precisos.

O Piauí foi pioneiro na emissão da CIN neonatal, e a iniciativa se conecta à plataforma Piauí Primeira Infância, que reúne dados para acompanhar crianças de 0 a 6 anos e gestantes e contribuir para políticas públicas voltadas a essa população.

A lógica é fazer com que o Estado não apenas atenda quem procura seus serviços, mas também tenha melhores condições de identificar necessidades e direcionar suas políticas.

Preparar para o futuro

A transformação digital também precisa preparar as pessoas para o mundo que está surgindo.

O Piauí foi pioneiro ao incluir a Inteligência Artificial como disciplina obrigatória na rede pública estadual, para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. A iniciativa ganhou reconhecimento internacional da Unesco e coloca a tecnologia dentro da formação dos estudantes, em vez de deixá-la restrita ao mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, o estado avança no letramento digital, criando uma ponte entre quem ainda precisa aprender a utilizar a tecnologia e uma nova geração que já começa a aprender como criá-la e compreendê-la.

O governo também precisa ir até o cidadão

E se o objetivo é facilitar a vida de quem utiliza o serviço, a tecnologia precisa estar onde as pessoas já estão.

É por isso que o WhatsApp também entra nessa estratégia. Em vez de esperar que o cidadão procure um site, baixe um aplicativo ou descubra qual plataforma deve acessar, determinados serviços e comunicações podem chegar até ele por um canal que já faz parte da sua rotina.

A lógica é simples: não é mais o cidadão que precisa encontrar o governo. O governo também precisa encontrar o cidadão.

Para o presidente da ETIPI, Ellen Gera, a liderança no ranking representa uma visão de governo que precisa continuar evoluindo:

“Ser reconhecido pelo segundo ano consecutivo como o estado mais digital do Brasil mostra que estamos construindo uma estratégia consistente. Mas o nosso objetivo não é digitalizar por digitalizar. É usar a tecnologia para simplificar a vida das pessoas, reduzir deslocamentos, diminuir filas e fazer com que o cidadão tenha mais tempo para aquilo que realmente importa.”

O resultado do Piauí aponta para uma mudança na própria forma de pensar o serviço público. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta do governo e passa a ser uma ferramenta do cidadão.

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E essa talvez seja a principal lição que o Piauí tem para compartilhar com o Brasil: o futuro do governo digital não está apenas em oferecer mais serviços online, mas em fazer com que as pessoas consigam acessá-los, utilizá-los e se beneficiar deles.

Uma fila a menos, um deslocamento a menos, uma pessoa a mais conectada e uma política pública mais precisa. É nessa transformação cotidiana que a tecnologia deixa de ser apenas inovação e passa a fazer diferença na vida do cidadão.

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