Pressão baixa é alerta -

Mortalidade por dengue grave chega a 18,6% em UTIs do SUS, aponta pesquisa

Idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes que apresentam sinais de comprometimento da circulação estão entre os grupos com maior risco de morrer após desenvolver dengue grave, segundo um estudo que analisou mais de 40 mil internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita e do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), em parceria com outras instituições, e divulgada nesta sexta-feira (23/10), conforme informações do portal Correio 24 Horas.

O levantamento avaliou internações entre 2015 e 2024 e reuniu dados de duas bases nacionais: o registro UTIs Brasileiras e o banco administrativo do Sistema Único de Saúde (DATASUS). No registro UTIs Brasileiras, a mortalidade hospitalar foi de 8,2%, enquanto nos dados do DATASUS, que contemplam internações em UTIs públicas do SUS, o índice chegou a 18,6%. A idade foi um dos fatores associados ao risco de morte: a mortalidade passou de 3,5% entre pacientes com até 40 anos para 14,4% entre aqueles com mais de 65 anos no registro UTIs Brasileiras. Na base do DATASUS, o percentual de óbitos nessa faixa etária chegou a 30%.

Foto: ReproduçãoMortalidade por dengue grave chega a 18,6% em UTIs do SUS, aponta pesquisa

Entre os indicadores mais preocupantes identificados no estudo está a necessidade de medicamentos vasopressores, utilizados para elevar ou manter a pressão arterial. Entre os pacientes que precisaram desses medicamentos nas primeiras 24 horas na UTI, a mortalidade hospitalar chegou a 55,4%. A pesquisa também identificou que 5,8% dos pacientes necessitaram de ventilação mecânica invasiva, 7,2% receberam vasopressores e 1,7% precisaram de terapia renal substitutiva, como a diálise. Pacientes classificados como frágeis no momento da internação tiveram mortalidade de 17%, e 35% dos analisados apresentavam pelo menos uma doença crônica ativa.

Segundo os pesquisadores, os indicadores registrados nas primeiras 24 horas de internação podem ajudar as equipes médicas a reconhecer os casos mais críticos e agir precocemente. A dengue grave pode provocar uma reação inflamatória e circulatória intensa, levando a uma deterioração rápida do estado clínico. O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Critical Care e reforça a importância do aprimoramento dos fluxos de triagem e regulação de leitos para reduzir o risco de agravamento dos casos.

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