Operação IL CAPO -

Lavagem de dinheiro no MPE: ex-PGJ movimentou mais de R$ 5,8 milhões

 

Por Rômulo Rocha - De Brasília

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- “De mais a mais, Excelência, eram bastante comuns saques e/ou compensação de cheques debitados nas contas bancárias dos investigados, com valores exatos, logo em seguida ao recebimento do salário pago pelo MPPI, num indicativo claro de lavagem de dinheiro”, sustenta o GAECO

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A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA

Além das folhas paralelas, através da qual o então Procurador Geral de Justiça no Piauí, Emir Martins, recebeu quase R$ 1 milhão de forma indevida do próprio Ministério Público - fora o salário a que tinha direito no período investigado, o ex-PGJ também usava os parentes lotados na instituição para arrecadar dinheiro para suas contas bancárias.

Ao todo o ex-PGJ possuía duas, e através delas movimentou exatos R$ 5.838.519,88 entre outubro de 2004 a dezembro de 2008, período em que comandava o Ministério Público no estado. Deste montante, R$ 4.747.758,00 são oriundos de créditos bancários e R$ 1.090.761,07 é proveniente de depósito em dinheiro identificado.

Uma das contas de Emir Martins, analisada pela quebra do sigilo bancário, é no Unibanco. Entre outubro de 2004 e agosto de 2010, Emir teve crédito em cheque de R$ 750.265,70, em 83 movimentações bancárias. Já quanto ao vencimento, o valor foi de R$ 602.687,23.

“Emir teve depósito em dinheiro de R$ 601.175,13, ou seja, quase o mesmo montante que recebeu a título de salário. Os investigados Tiago Saunders, José Ribamar e Arminda Hagy Sauders, também investigados, realizaram inúmeras transferências bancárias para Emir”, sustenta o GAECO na denúncia apresentada à Justiça.

“Nesta conta corrente [do Unibanco], Emir teve de crédito R$ 2.850.317,46, valor absolutamente incompatível com seu salário, que correspondeu ao montante de R$ 601.175,13”, traz a peça.

 

A outra conta o ex-PGJ é na Caixa Econômica. Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010, Emir teve depósito em dinheiro de R$ 712.504,85, em 101 movimentações bancárias. Este valor é quase o mesmo valor recebido a título de salário: R$ 734.898,30.

“Nesta conta corrente, Emir teve de crédito R$ 2.726.852,12, valor absolutamente incompatível como seu salário, que, nesta conta corrente, correspondeu ao montante de R$ 712.504. Vale salientar que Emir, como PGJ do Piauí, não poderia exercer qualquer outra atividade, não se justificando, portanto, a acentuada diferença entre seus créditos e salário”, destaca o GAECO.

 

"De mais a mais, Excelência, eram bastante comuns saques e/ou compensação de cheques debitados nas contas bancárias dos investigados, com valores exatos, logo em seguida ao recebimento do salário pago pelo MPPI, num indicativo claro de lavagem de dinheiro”, conclui a denúncia.

O dinheiro, também segundo o GAECO, era usado para comprar sítios, carros e apartamentos de luxo.

O 180 não tem conseguido falar com os envolvidos. Fica o contato para que possam, em querendo, apresentar suas versões: jornalistaromulorocha@uol.com.br.

O caso anda a passos lentos na Justiça do Piauí.


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