Política

Farra das Associações · 21/07/2015 - 10h23 | Última atualização em 23/07/2015 - 08h28

Com apenas dois meses, a ASPUMP já possui convênios de R$4 milhões

FARRA DAS ASSOCIAÇÕES: Esta abriu a conta no BB em maio e já recebeu R$ 1,6 milhão


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Mês de julho, época de férias, muita gente viajando e muita gente ganhando dinheiro público também, através de projetos sociais e turísticos, sem ter a comprovação de experiência alguma na área. Algum piauiense dificilmente conhece o trabalho da ASPUMP. Essa é a associação de destaque na quarta matéria do 180 na série FARRA DAS ASSOCIAÇÕES. É ela que está responsável pelo circuito turístico “TÔ DE FÉRIAS, PIAUÍ”.

A ASPUMP é a Associação Piauiense de Apoio e Incentivo a Ações e Estudos Para o Desenvolvimento Sustentável. Desde maio deste ano, quando abriu sua conta bancária no Banco do Brasil, a associação não tem do que reclamar; já recebeu R$ 1,6 milhão em dinheiro público de um total de R$ 4 milhões assinados com três secretarias.

A torneira dessa “farra” com o dinheiro público está aberta na Secretaria Estadual de Trabalho e Emprego –SETRE (deputado Pastor Gessivaldo), Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico –SEDET (deputado Nerinho) e Secretaria de Turismo (Flávio Nogueira).

Essas secretarias não querem nem saber o que a ASPUMP já fez ou deixou de fazer. A SETRE do Pastor Gessilvado assinou convênio de R$ 1,6 milhão e já pagou R$ 800 mil; a SEDET do deputado Nerinho assinou convênio de R$ 1,6 milhão e já pagou R$ 800 mil (tudo no dia 24 de junho) e a SETUR (Flávio Nogueira) assinou convênio de R$ 800 mil e já empenhou R$ 400 mil.

Na SETRE, a ASPUMP conseguiu a aprovação de um projeto básico de desenvolvimento da economia solidária. Na SEDET, a associação conseguiu convencer o secretário Nerinho que pode contribuir para “arranjos produtivos locais”. Já na SETUR, ele programou para este mês de julho o evento “TÔ DE FÉRIAS, PIAUÍ”, um circuito de shows, cursos e atividades em oito municípios do Piauí. Esse evento não teve nem divulgação nos meios de comunicação, nenhum tipo de mobilização.

Os R$ 800 mil foram remanejados para o pagamento da associação na SETUR era um recurso que deveria ser usado na construção de obras e de infraestrutura nos municípios piauienses.

RUINS DE CÁLCULO E PROJETO FRACO
No projeto da ASPUMP para a Secretaria de Turismo, a associação diz que vai atender 80 mil estudantes nos municípios de Barras, Boa Hora, Canavieira, Floriano, Uruçuí, Picos, Inhuma e Valença. Isso tudo no mês de julho. Mas, no próprio projeto eles cometeram o erro de informar que seriam 10 municípios.

Além de não possuir pessoal suficiente, nem seleção para dar conta de tantas atividades, a associação também não calculou direito quantos alunos existem nesses municípios.

O 180 fez as contas, segundo os números do site do IBGE. Foi constatado que nesses municípios somando-se todos os alunos da rede pública e privada não existem nem 60 mil alunos. Se forem contabilizados apenas os alunos da rede pública, esse número cai para pouco mais de 40 mil alunos.

GILMAR PEREIRA DE PAULO - PRESIDENTE
O 180 tentou falar com o presidente desta associação, o senhor Gilmar Pereira de Paulo. Ele informou que o convênio “está no prazo, todos ainda em execução”. Gilmar disse que estava viajando e prometeu uma entrevista para explicar os altos valores recebidos em tão pouco tempo.

Gilmar de Paulo também prometeu mostrar a sede da associação. A reportagem 180 pediu fotos das atividades realizadas pela ASPUMP, mas ele disse que ainda não tem e que não tem site para comprovar a prestação de contas.

Pela Lei de Acesso à Informação (LAI), as entidades sem fins lucrativos que recebem recursos públicos estão todas sujeitas às mesmas regras de transparência pública. Em nenhum momento, o órgão de controle, a Controladoria Geral do Estado foi chamada para emitir parecer sobre o histórico da associação e a viabilidade de execução do convênio.

PIAUIENSES ESTÃO PAGANDO A FARRA
Desde a semana passada, o 180 tem feito a série de matérias “Farra das Associações”, com o objetivo de divulgar os altos valores que estão sendo liberados para organizações sem experiência nas “causas nobres” a que se propõem. A maioria usa as mesmas estratégias para continuarem “lucrando”: proximidade com políticos, cadastros antigos de outras entidades, mudanças de endereços, falta de prestação de contas, ausência de fiscalização nos contratos e dirigentes sem qualificação nenhuma nas atividades exigidas nos projetos.

Se nada for feito pelos órgãos de controle e pelo Poder Judiciário, o tempo vai fazer com que esse dinheiro entregue para essas entidades se tornem um verdadeiro “buraco negro”, difícil de ser recuperado para os cofres públicos.

Na primeira matéria da série, “FARRA das Associações: R$ 11 milhões já foram liberados”, o 180 revelou como várias associações e fundações sem experiência alguma estão faturando muito com o dinheiro do bolso dos piauienses.

Depois, com a segunda matéria “FARRA das Associações: fundação milionária é despejada em THE”, o 180 revelou que a Fundação Menor Carente (FCAMC) ou Instituto Pra Infância e Adolescência, foi despejado de um imóvel da zona leste devendo mais de R$ 75 mil para a imobiliária HALCA, mesmo tendo recebido quase R$ 5 milhões desde o governo Zé Filho passado até agora. A tal fundação é dirigida por Raimundo Gomes de Lima, o “Lima da Creche”. Após ser divulgado que sua fundação recebeu R$ 4 milhões dos cofres públicos no governo Zé Filho ele se incomodou e procurou a polícia para registrar queixa-crime contra o jornalista Rômulo Rocha, do 180, que exerceu seu papel de expor o absurdo que está sendo cometido com o dinheiro público.

“Lima da Creche” é uma figura pública bastante conhecida na Zona Norte de Teresina, sempre com projetos de “causas nobres”. Assim que o jornalista Rômulo Rocha divulgou o valor que ele recebeu dos cofres públicos, Lima da Creche não prestou contas, não apresentou notas fiscais nem mostrou como gastou o dinheiro. Saiu em vários veículos de comunicação a mesma matéria dizendo que ele tem larga experiência com os trabalhos sociais. Lima da Creche foi o destaque da terceira matéria da série, "Farra das Associações: DIRIGENTE alvo da CGU, PF E TCU recebeu R$ 4,7 milhões".