Investigação do GAECO -
Exclusivo: dinheiro lavado do Ministério Público serviu para montar restaurante
Por Rômulo Rocha - De Brasília
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- Filho de Emir Martins recebia acima do que devia receber, não trabalhava, teria aplicado dinheiro na constituição de um restaurante e, "testa de ferro", recebia também de estratégicos "laranjas". Foi denunciado por lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha
- “Constituição da República: “O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”
- Processo sobre o Caso Emir Martins tramita a passos lentos na justiça do Piauí
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OPERAÇÃO IL CAPO
O suposto esquema de lavagem de dinheiro dentro do Ministério Público do Piauí, que movimentou milhões de reais, quando estava à frente da instituição o então procurador-geral de Justiça Emir Martins, teria servido não só para comprar sítios, apartamentos e carros de luxo – aliás, prática comum no Piauí, mas teria servido também para fundar o restaurante Prediletos Steakhouse, o principal de Picos à época, atuando no ramo de bares e restaurantes. O cabeça do negócio, segundo a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), seria Tiago Saunders Martins, filho do ex-PGJ.
“Há indícios fortes de que parte desses recursos tenha sido utilizada para que Tiago Saunders, juntamente com seu cunhado, também denunciado, Agamenon Rego, criasse a pessoa jurídica Saunders Araújo e Martins LTDA – ME. A Saunders Araújo e Martins LTDA – ME foi fundada em 13/04/2011. Tem como nome fantasia Prediletos Steakhouse, do ramo de bares e restaurantes, localizada na cidade de Picos”, traz a peça acusatória.
Saunders teria se desfeito do negócio e passado para frente no ano passado, pós-operação IL Capo.
Hoje se chamaria Pimenta Beer.
A ATUAÇÃO DO FILHO DE EMIR MARTINS NA "QUADRILHA"
Tiago Saunders Martins foi denunciado à Justiça sob a acusação das práticas de crime de peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Só entre dezembro de 2004 e fevereiro de 2006, o filho do ex-procurador-geral de Justiça do Piauí recebeu de proventos a quantia de R$ 227.987,34.
Ele foi nomeado pelo próprio pai para o posto de assessor de gabinete de Procurador de Justiça e chegou a receber em um único mês a cifra de 18.155,00, quando o máximo que poderia receber pelo cargo comissionado era a quantia de R$ 1.444,78 à época.
Portanto, o acusado recebia mais do que um promotor de justiça.
O pior: ele não prestava serviço algum, segundo o GAECO.
Mas ainda não é tudo: "por outro lado, o denunciado Tiago Saunders ainda se beneficiava do esquema criminoso que tinha seu pai como chefe, pois recebia dos 'laranjas' valores que esses percebiam a título de salário do MPPI".
Nas transações, o então comissionado chegava a receber dinheiro do laranjal, vindo da conta da própria mãe, que atuava no esquema, Maria da Glória Saunders, que por sua vez, já recebia através da conta das suas irmãs.
OUTROS LARANJAS TAMBÉM PASSAVAM DINHEIRO PARA TIAGO
Entre os laranjas que abasteciam a conta de Tiago Saunders no Banco do Brasil estava o motorista de Emir Martins, Samuel Pacheco, que em regra, recebia R$ 10 mil por mês.
Além de muitos outros.
O GAECO aponta o filho do ex-PGJ como um dos "testas de ferro" do suposto esquema criminoso que imperou no Ministério Público por cerca de quatro anos.
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