Organização criminosa interestadual -

Líderes de bando que arrombava caixas eletrônicos são presos

Douglas Floriano e Eduardo Domingos são apontados pela Polícia Civil como líderes de uma organização criminosa interestadual especializada em arrombamentos de caixas eletrônicos com o uso de lança térmica. Os dois foram presos no Maranhão nesta quinta-feira (5/11), durante a Operação Círculo Vicioso, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso. Ao todo, a ação tem como alvo 10 mandados de prisão preventiva.

Além dos furtos, as investigações identificaram que o grupo mantinha um esquema para remover a tinta de segurança das cédulas roubadas e devolver o dinheiro ao sistema financeiro.

A operação cumpre 74 medidas judiciais em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão. Entre as ordens estão 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 bloqueios de ativos financeiros, que totalizam aproximadamente R$ 240 mil. As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias, em Cuiabá.

Foto: RDNEWSReprodução
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As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo a apuração, a organização praticava furtos em caixas eletrônicos instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras de Cuiabá e Várzea Grande.

Os mandados são cumpridos em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A operação conta com o apoio das polícias civis dos dois estados e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Como funcionava o esquema

A investigação começou após um furto registrado na madrugada de 21 de janeiro de 2026, em um caixa eletrônico instalado em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande. Na ocasião, os suspeitos utilizaram uma lança térmica para romper o cofre do equipamento e conseguiram levar R$ 105 mil, mesmo com o acionamento do sistema de segurança que libera tinta sobre as cédulas.

Durante a apuração, os policiais identificaram outros cinco ataques com características semelhantes, realizados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, em Cuiabá e Várzea Grande. As ações envolviam arrombamento de paredes, uso de lonas para esconder a luminosidade da ferramenta e corte dos cofres dos caixas eletrônicos.

Lavagem das cédulas e divisão de tarefas

De acordo com a investigação, a organização era dividida em núcleos responsáveis pela execução dos furtos, retirada da tinta das cédulas, utilização de equipamentos tecnológicos e recebimento dos valores.

Após os ataques, integrantes utilizavam produtos químicos e outros materiais para remover a tinta de segurança das notas. Em seguida, o dinheiro era depositado em pequenas quantias em diferentes agências bancárias, prática conhecida como smurfing, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Os valores eram distribuídos entre integrantes da organização e terceiros, que recebiam depósitos em suas contas bancárias. A análise de imagens de câmeras de segurança e outros elementos permitiu identificar suspeitos envolvidos em diferentes etapas do esquema.

Atuação em outros estados

A Polícia Civil também identificou integrantes que moravam em outros estados, principalmente em Santa Catarina, e viajavam até Mato Grosso para participar dos ataques. As investigações apontaram ainda possíveis ligações dos suspeitos com atividades criminosas anteriores no Rio de Janeiro e em Alagoas.

O bloqueio financeiro autorizado pela Justiça tem limite de R$ 239.980,52, valor relacionado aos prejuízos calculados em quatro dos furtos investigados. A quantia poderá ser reavaliada conforme o avanço das análises financeiras.

Nome da operação

O nome Círculo Vicioso faz referência ao ciclo identificado pelos investigadores: os criminosos furtavam os caixas eletrônicos, retiravam o dinheiro e utilizavam mecanismos para esconder a origem ilícita dos valores e reinseri-los no sistema financeiro.

A operação integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Fonte: RDnews

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