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Delegado que perdeu a perna após megaoperação no Rio: “Faria de novo”

Quase 100 dias após ser baleado durante a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), nos complexos da Penha e do Alemão, o delegado Bernardo Leal Anne Dias, assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), retornou ao trabalho na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).

Em um vídeo inédito divulgado pela corporação, Bernardo relembra os momentos que antecederam o socorro, a luta pela vida e o despertar após dias em coma, já sem uma das pernas.

Foto: Arte/Metrópoles

O disparo

A operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025, ficou marcada como a mais sangrenta da história do Rio de Janeiro, com mais de 120 mortos, entre criminosos e policiais.

Durante a ação, Bernardo foi atingido por um disparo de fuzil na perna.
“Em dado momento, eu corri para o lado, para a direita, e só sentia queimando. Caí de imediato”, relembra.

Com o sinal de celular bloqueado na área de mata, colegas de farda precisaram se mobilizar para conseguir socorro. Cerca de uma hora depois, o delegado foi retirado do local na motocicleta de um policial militar.

“Eu fui ficando fraco. Comecei a ter a percepção de que ia morrer. Apaguei várias vezes”, contou.

Luta pela vida

Durante o trajeto até o hospital, Bernardo relata que os colegas o mantinham consciente, sacudindo-o e pedindo para que não desistisse.

“A última coisa de que me lembro é de estar sendo colocado na maca e alguém dizendo: ‘Corta a calça dele’. Depois disso, não lembro de mais nada. Fiquei em coma por sete dias.”

A notícia da amputação

Ao acordar, o delegado ainda não tinha consciência da amputação. A confirmação veio no dia seguinte, após uma conversa com os médicos.

“O doutor me disse: ‘A gente conseguiu te manter vivo, mas não conseguiu manter a sua perna’”, relembra. Segundo o ortopedista responsável, raramente alguém sobrevive a um tiro de fuzil naquela região do corpo.

Volta para casa

Bernardo descreve a alta hospitalar como um momento de profundo alívio.
“No hospital, eu sonhava em deitar na cama com meus filhos. Quando isso aconteceu, chorei. São coisas simples que a gente só valoriza quando quase perde tudo.”

Missão continua

Mesmo após a amputação, o delegado afirma que não pensa em deixar a Polícia Civil.

“Não penso em mudar de caminho. Quero voltar e fazer meu trabalho como sempre fiz.”

Emocionado, ele afirma que faria tudo novamente.
“Não me arrependo. Essa sempre foi a minha missão. Se tivesse que ir de novo para a Penha, eu iria. Só queria estar junto da minha equipe. Por eles, eu morreria também”, finalizou.

Fonte: Metrópoles

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