Atuavam como "pombos-correio" -

Advogada é presa com bilhetes de detentos ligados a facção criminosa em nova operação no Ceará

A advogada Monika Fernandes Portela voltou a ser presa nesta terça-feira (10/06) durante a Operação Além do Ofício, deflagrada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE). A ação busca desarticular um esquema de comunicação da facção criminosa dentro e fora dos presídios cearenses. Com informações de Diário do Nordeste.

Durante o cumprimento de mandado de prisão preventiva em Sobral, no bairro Campo dos Velhos, policiais civis encontraram bilhetes com mensagens supostamente escritas por detentos da facção. O conteúdo dos recados ainda será periciado. Além de Monika, outros sete suspeitos foram presos — três seguem foragidos. Um segundo advogado, também alvo da operação, não foi localizado.

Monika Portela já havia sido presa em flagrante em dezembro de 2023, por obstrução de justiça e envolvimento com a organização criminosa. A prisão ocorreu após ela tentar esconder o celular de Ana Karini de Souza Gomes, apontada como liderança feminina da facção em Sobral. A advogada foi condenada a 4 anos e 8 meses de reclusão, no último dia 5 de junho, pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas. A sentença, contudo, ainda não é definitiva e cabe recurso.

Apesar das acusações, Monika segue regular no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A OAB Ceará afirmou, em nota, que acompanhou toda a operação e garantirá o devido processo legal à acusada. Caso a participação da advogada seja confirmada, a entidade promete abrir procedimentos internos disciplinares.

Segundo o delegado Lucídio Gomes, titular da Draco Norte, Monika e o outro advogado atuavam como "pombos-correio" do crime: recebiam bilhetes de presos e os repassavam a cúmplices em liberdade, que davam andamento ao tráfico de drogas, incluindo informações sobre pontos de venda, cobrança de dívidas e até contabilidade do crime.

Foto: Reprodução.

A operação mobilizou cerca de 70 policiais civis e cumpriu mandados em Sobral e Fortaleza. Também foi preso um homem que atuava como "químico" do tráfico, adulterando drogas com creatina e outras substâncias para aumentar o volume de entorpecentes.

A Polícia agora investiga como a comunicação entre presos e criminosos em liberdade era sustentada por meio de profissionais do Direito — uma prática que, se confirmada, compromete não só o combate ao crime, mas também a credibilidade da advocacia.

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