
Técnicas de enfermagem denunciam estupros em dois hospitais públicos
Duas técnicas de enfermagem denunciaram casos de estupro em dois hospitais públicos do Recife — Hospital da Restauração (HR), no Derby, e Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Cordeiro —, cometidos por servidores que também são técnicos em enfermagem, em áreas de repouso destinadas a funcionários. Um dos casos ocorreu em 2024, quando a vítima dormia no repouso e foi acordada com o agressor praticando atos sexuais; o servidor foi condenado em segunda instância em julho deste ano, mas cabe recurso ao STJ. O segundo caso, registrado em março, aconteceu no HGV, quando a vítima dormia e sentiu o servidor tocando em sua perna e parte íntima, tendo gritado e acionado testemunhas para registrar a ocorrência na Delegacia do Cordeiro.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que repudia qualquer forma de violência e que os dois servidores denunciados foram afastados preventivamente de suas funções — o do HR, condenado, e o do HGV, afastado por 30 dias por portaria publicada em 16 de julho. O governo afirma que Processos Administrativos Disciplinares (PADs) foram instaurados e seguem em tramitação, além de reforçar que os hospitais têm espaços de repouso separados por gênero e que campanhas internas de combate à violência contra a mulher foram intensificadas. No entanto, o advogado das vítimas, Jefferson Neves, afirma que o PAD do caso no HR segue sem conclusão mesmo após a condenação criminal, e que, no caso do HGV, a defesa não foi notificada sobre a abertura do processo administrativo, com o servidor podendo retornar em 17 de agosto.
Foto: Reprodução
O advogado também revelou que outras quatro mulheres procuraram o escritório com denúncias de estupro, mas ainda não formalizaram os casos por medo de perder o vínculo de trabalho, já que prestam plantão extra. A vítima do HGV, segundo a defesa, faz acompanhamento semanal com psicóloga e ainda encontra o agressor em corredores e nas ruas, o que agrava o trauma. A SES não respondeu aos questionamentos sobre prazos e fases dos PADs, nem sobre a capacidade dos repousos e a separação por gênero nas unidades.








