
Neto Nogueira se arrisca na coordenação financeira da campanha do irmão senador
O perfil de Neto Nogueira era o oposto do seu irmão. Discreto, vivia longe dos holofotes, morava no Piauí. Além de sua própria personalidade, a família queria Neto longe da exposição. Sua atividade política também exigia discrição.
A função de cada filho foi determinada pelo pai. Neto Nogueira ficava longe do público, cuidava dos investimentos empresariais e da estrutura durante as eleições.
Ciro Nogueira Filho, ficava sob os holofotes de Brasília. Faria as relações públicas e os acordos. Prometia. Neto cumpria. Um Anjo, como era conhecido.

O mais novo, Gustavo, orbitava as decisões dos irmãos. As irmãs, longe de tudo. Das empresas e dos negócios.
Mas o desenho deixado pelo pai do Senador Ciro Nogueira foi alterado nesta eleição.
Neto Nogueira saiu das sombras. A operação da Polícia Federal que investigava as relações suas e do seu irmão com o Banco Master e Daniel Vorcaro - que resultou numa tornozeleira eletrônica pendurada em sua perna. O aparelho ficou pouco tempo em uso. As consequências permaneceram.
Agora Neto surge candidato. "Gato escaldado tem medo de água fria". Imunidade parlamentar, foro privilegiado e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Aliás, para alguns, podem fazer um bem danado.
O problema é que Neto mantém também a mesma função de cuidar da estrutura da campanha - como fazia antes. Antes de ser alvo da investigação da Polícia Federal.
As lideranças estão com medo de conversar com ele. Se perguntam: a investigação continua? Está monitorado? É seguro?
Na verdade, preferiam ter outro como interlocutor. Não precisava ser o anjo. Queriam apenas alguém que, de preferência que não esteja sob investigação.
Essas pessoas não tem a quem reclamar. É pelo santo que se beija o altar. E o milagre dos votos precisa acontecer.
Sem alternativas, mas se benzendo depois de cada encontro, esses líderes políticos confiam no que os Nogueira confiam: "não vai dar em nada". Não deu até hoje.
O problema é: os Nogueira tem poder. Os que vão beijar os anéis, não. A pergunta deve ser: não vai dar em nada pra quem?
O constrangimento é geral. Mas não dos Nogueira.
Eles não tem vergonha de ser vergonhosos.











