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Confira a trajetória de superação e determinação da Miss Piauí 2018 Naiely Lima

Em entrevista ao 180, a Miss Piauí Naiely Lima contou um pouco da sua vida e a trajetória que a levou a conquistar o Miss Piauí Be Emotion 2018. Ela foi coroada pela Miss Brasil 2017 em evento realizado no Shopping Rio Poty no último sábado (28/04) e concorre ao título nacional no dia 26 de maio no Rio de Janeiro.

A entrevista completa de Naiely Lima será divulgada neste sábado (05/05) pelo 180, mas por enquanto, conheça a trajetória de determinação da estudante de Direito, que apesar de tão nova, sabe a importância de lutar pelos sonhos.

A ORIGEM DE UMA MISS
Eu nasci em Piripiri e morei em Capitão de Campos até os sete anos de idade, só que nesse meio tempo eu morei um ano em Piripiri, estudei um ano também por lá, então eu ficava meio dividida entre essas duas cidades quando eu era bem pequena. Tive uma infância bem simples lá em Capitão de Campos, mas eu fui muito amada, acho que eu sou o que sou hoje por ter tido isso sabe, por lembrar de onde eu saí, por lembrar o que eu sou de verdade, minha essência.

GRANDE APOIO
Sai de Capitão de Campos com sete a oito anos de idade e vim pra Teresina morar com a minha madrinha, que é a minha tia também, e aí ela é o tipo de pessoa que ela quer ver você crescer, quer ver você feliz ao mesmo tempo, a felicidade dela é ver outra pessoa feliz, e ela começou a me colocar em várias coisas, eu sou aquela multifunções, o que você perguntar praticamente eu já fiz na vida, ela me colocou na escola claro, e ela sempre me dava instruções tipo, o certo é esse, o errado é aquele, de como fazer isso, e não fazer aquilo.

PRIMEIROS PASSOS
Eu entrei na natação, fiquei um ano na natação, aos nove anos de idade eu fiz o teste para a Escola de Dança do Estado, passei, dancei balé clássico profissionalmente durante seis a sete anos, dei aula de balé aos 13 anos, pra turminha de baby class, aí do nada, no meu ano de formatura, eu larguei o balé para jogar basquete.

DIFICULDADES QUE VIRAM OPORTUNIDADES
Correu um fato que assim, tem coisas que acontece, para que outras melhores aconteçam, e no primeiro ano do ensino médio, minha mãe virou pra mim: Naiely, a gente não tem mais dinheiro para pagar a escola. Pensei nos meus amigos que estavam lá, eu era apegada à escola que já tinha um tempo que eu estudava. Dai queria estudar no Instituto Federal do Piauí, se eu ia passar eu não tinha noção, faltava tipo um mês quase pro teste, e eu não tinha estudado pra fazer aquele teste, mas eu ficava: eu vou passar nisso! Não tinha certeza se eu ia passar, mas fiz o teste e passei.

JOGADORA DE BASQUETE
Fui estudante de eletrotécnica e lá eu conheci o basquete, só que eu era muito dedicada ao balé, eu queria aquilo sabe, eu queria ser bailarina clássica, já representava o Piauí fora, já viajava, então brilhava dentro de mim aquilo, até eu conhecer o basquete. Eu era muito desengonçada no basquete, brutona, chegava lá, eu sou a dona do pedaço, não estava mais rendendo tanto no balé, eu estava tentando levar o balé e o basquete ao mesmo tempo, só que chega uma hora que você se envolve mais com uma coisa, aí eu parei para pensar, se eu estou sendo 50% em duas coisas, eu prefiro ser 0% em uma e 100% na outra, então eu peguei e abdiquei do balé e fui jogar basquete. Me envolvi de um jeito, eu sou muito intensa em tudo que eu faço, se é pra fazer, a gente vai fazer direito, e aí eu joguei basquete durante dois anos, aí fui capitã, representei o Piauí de novo, fomos campeãs regionais, viajei, joguei, dava o sangue mesmo pelo time, as meninas ainda hoje me chamam de mãe, porque era aquela que chegava e dava conselho, que faz isso, vamos treinar em outra coisa que você não está indo tão bem, a gente se unia bastante, eu unia a disciplina que eu ganhei no balé com esse espírito de família do basquete.

SURGE UM MODELO
Só que vem a história de que eu comecei a trabalhar como modelo, foi muito do nada, eu não queria, até que um dia a amiga minha me ligou e disse: Naiely, estou passando aí embaixo pra levar você na minha agência. "Não, não vou", tava com cabelo enorme de alto, tinha acabado de chegar do treino, tava morta de cansada, cinco minutos depois ela estava lá embaixo e eu o que, desci lá embaixo do jeito que eu estava, entrei no carro e fui brigando com ela, "meu Deus tá me levando para onde? Vai fazer o que, chegar lá eu vou ficar só calada com a cara ruim, para ninguém olhar pra mim". Ela pedia calma, que era só para conhecer, acompanhar o ensaio, até que eu cheguei nessa agência e os donos de lá se apaixonaram por mim, dizendo que eu tinha que fazer o curso, que iam me ajudar. E eu sou muito desconfiada, ligaram pra minha mãe, ai minha mãe e minha madrinha falaram a mesma coisa: é uma oportunidade que você está tendo, aproveite, o que vier é lucro, você não precisa parar de jogar basquete. Eu já estava assim bem musculosa eu era muito muito magra, e quando eu comecei a jogar basquete eu desenvolvi bastante, e eles falaram, você tem que emagrecer, eu fiquei: não para com isso.

INICIANTE DE DESTAQUE
Eu resolvi aceitar, fiz o curso, e as coisas aconteceram muito rápido, muito rápido mesmo, comecei a trabalhar de um jeito que, meninas que estavam há muito mais tempo na agência não trabalhavam, comecei a ser reconhecida, coisas sabe quando você vê, e fica em choque, tipo ,agora o que eu faço, como lidar com isso, me envolvi até que fiz um material muito bom para uma loja aqui de Teresina, e esse material os donos da agência enviaram para uma agência em São Paulo, e eles disseram assim: a gente quer ver ela pessoalmente, só que ela tem que emagrecer. Pensei: onde que eu vou sair de Teresina para ir pra lá? Não vou galera, que é isso, vou ficar aqui mesmo. Só que aí encheram minha cabeça, junho, julho, agosto, setembro, e eu aqui fazendo a plena, calada, não vou, não vou...

MOMENTO DE DECISÃO
Chegou uma hora que eu já tinha começado a emagrecer, peguei mais trabalho e com esse dinheiro, era um dinheiro que estava entrando que diminuía os gastos da minha mãe, minha mãe já estava desempregada, minha madrinha também, e eu sou uma pessoa que eu preciso me ver produzindo, eu não gosto de me sentir um ser inútil, sabe, eu tenho que produzir, e aí eu vi uma oportunidade nisso, por que eu já conseguia comprar uma coisa que fosse precisar, conseguia pagar um ônibus, fazer diminuir esses gastos, e ai eu comecei a me envolver muito com o mundo da moda, e no basquete já não tava rendendo tanto, aconteceu a mesma coisa, sei que depois eles insistiram bastante, eu terminei indo pra São Paulo fazer só uns testes, mas eu fui com a cabeça de que, estou indo passear, conhecer um lugar que eu nunca conheci, estou indo para isso, sem nenhum compromisso, tipo com pensamento de que eu tenho que passar, tenho que passar, de forma alguma, até que nós fomos em seis agências, e eu fui a única modelo que dessas seis, eu fui aprovada em cinco.

GRANDE RESPONSABILIDADE
Eu com 17 anos na época fiquei pensando o que fazer da minha vida, se era uma oportunidade, se eu tinha que fazer aqui. Olhei para um lado e para o outro, coloquei na balança, falei com a minha mãe, com a minha madrinha, e ela disse: filha, a gente não tem um centavo, mas nós vamos apoiar você no que decidir. Analisamos a proposta da melhor agência, eu resolvi, eu vou, se der tudo certo, bem vai dar tudo certo, se não der vai continuar dando tudo certo porque eu vou aprender alguma coisa com isso, e foi o que aconteceu, também foi um escape, como a minha mãe e minha madrinha estavam desempregadas, eu vi isso como um escape, tipo, eu vou diminuir pra elas, eu não vou estar pesando.

UMA PIAUIENSE EM SÃO PAULO
Me mandei para São Paulo em janeiro, chego em São Paulo perdida, 17 anos chego, em uma casa com 15 meninas, elas eram do Sul, e você sabe né, chega nordestina engraçada que fala rápido numa casa que as meninas são muito finas assim, começaram a me olhar torto, comecei a perceber, se não foi fácil chegar lá, eu cheguei realmente sem nenhum centavo, eu fiquei três dias com barra de cereal, e no terceiro dia minha mãe conseguiu colocar R$ 50 pra mim ai eu fiz o que, a compra do mês, 12 bananas e uma pacote de biscoito de arroz, arrasei na compra, e continuou com esse clima chato até o dia que eu cheguei e uma menina que quis levantar a voz pra mim e eu disse: êpa, você não é melhor do que eu, eu não sou melhor do que você, não é por que eu sou do Nordeste, que eu sou escurinha, que eu não sou loira do olho azul, que eu falo engraçado, que eu vou ser menos que você não, de forma alguma.

PERDER O SOTAQUE?
Falavam muito assim: Naiely, você vai ter que perder o seu sotaque. Eu respondia assim: oxente perder meu sotaque nunca!. As pessoas começaram a entender que eu ia bater o pé dizendo que eu tinha orgulho de ser nordestina, que eu tinha orgulho de ser daqui. Foi uma coisa que me ajudou muito lá, de realmente ter orgulho do que eu faço, de ter orgulho de quem eu sou, que me ajudou achegar nos lugares e ser notada, primeiro semestre não foi nada fácil, não foi um bom começo de ano, mas eu tirei o melhor daquilo, passei por várias situações difíceis, e tal, mas que me fizeram amadurecer bastante, no segundo semestre eu já comecei a melhorar, comecei a entender, eu cheguei lá bem magra, eu pesava 70kg quando eu jogava, cheguei em São Paulo com 55kg, até que eu me apresentei na semana de moda e eles falaram que eu estava sem medida, eu fique um pouco chateada, e ai por conta da ansiedade, por conta da pressão eu terminei engordando, só que eu sou uma pessoa grande, eu tenho uma estrutura realmente de atleta, então eu comecei a me aceitar, ai foi quando eu bati o pé de novo, eu sou assim, e é assim que eu vou trabalhar, vim para cá em julho, Teresina, vi minha mãe, minha família, alinhei os meus pensamentos, alinhei o que eu queria para minha vida, alinhei o que eu era como pessoa.

UMA PIAUIENSE OUSADA
Voltei pra São Paulo, eu troquei de agência, e eu cheguei na agência assim: olha eu tenho 18 anos, eu sai de casa com 17 anos, eu não vim para São Paulo para passear, eu tenho que trabalhar, e esse é o meu corpo. Cheguei colocando banca na agência, e que é isso e aquilo, e a galera me avaliando assustada: essa menina está falando o que? E eu falando: olha não estou para brincar mesmo, eu tenho que trabalhar, eu sei que eu tenho potencial. Virei as costas para me calçar, minha cabeça era assim, eu sou muito louca pra falar isso tudo, não era pra ter feito isso, e aí quando eu virei pra eles de novo eles falaram: Naiely, você está aprovada, pode passar e assinar, e aí foi exatamente onde eu percebi, eu tenho que ser eu, eu tenho que me aceitar por que é assim que as coisas vão acontecer, e realmente começou a acontecer, até um ponto, eu não me acomodo nas situações, eu tenho que estar produzindo.

NASCE UMA MISS
Essa história de ser Miss apareceu para mim numa gincana de escola há dois anos atrás, eu não tinha nem idade pra participar do concurso ainda, e tudo bem, eu não fiquei, o formato do concurso era outro, não vou ser isso, ser Miss, ficar sorrindo, só um rostinho bonito.  Infelizmente várias pessoas ainda tem essa ideia que foi construída errada, então com o reinado da Mona. Com o concurso que veio que a Band tomou a frente e resolveu organizar, nós começamos a desconstruir a ideia de Miss, que tinha sido construída errada, começamos a construir que eles queriam uma mulher de representatividade tanto que a eleita de 2017 veio como um boom, quando eu vi uma pessoa sendo eleita por justiça, sendo eleita com glória, como ela foi, exercendo seu reinado, uma menina que eu acompanhei, a gente estudou na mesma escola, então desde os 11 anos de idade, que eu vi que as coisas estavam andando e que eu vi realmente o que era ser uma Miss, o que uma precisava, eu olhei, gente eu já faço isso por que eu gosto, eu não preciso montar um personagem, isso é o que eu sou, representar o meu estado eu sempre tive orgulho disso, sempre levei a bandeira do Piauí em qualquer lugar que eu fosse então eu fiquei: é a minha oportunidade agora, eu vou mostra para o Piauí que eu sou mulher de garra, que eu tenho potencial, que eu tenho um conjunto bom pra chegar lá e fazer bonito, e aí eu resolvi começar a me preparar, em setembro eu encontrei com a Monalysa, e aí eu vi a pessoa que ela tinha se tornado e eu fiquei: eu vou fazer isso, eu vou aceitar o convite de dois anos atrás.

PREPARAÇÃO QUE DEU RESULTADO
Eu sempre tive que manter o corpo em forma por conta do trabalho, então eu só dei uma intensificada estudei, me atualizei mais, fui ver mais o mundo das Miss, e tudo, ai vim pra Teresina, continuei a minha preparação, intensifiquei tudo mais ainda, me encantei com mundo de Miss, e é agora o meu momento de mostra para o Piauí quem é Naiely Lima, e aqui estou agora, eleita a Miss Piauí 2018, muito feliz e muito honrada por tudo.


A entrevista completa com a Miss Piauí 2018 você confere em breve no 180!

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