
Porto Piauí reduz custos e amplia competitividade da mineração, avalia diretor da Lion Mining
A estreia do Porto Piauí nas exportações de minério de ferro deve representar um importante avanço para a cadeia mineral do estado. A avaliação é do sócio-diretor da Lion Mining, Jader Fernandes, que destaca a redução dos custos logísticos e o aumento da eficiência no transporte da produção extraída em Piripiri.
Segundo o executivo, a nova estrutura portuária proporciona uma economia significativa em relação ao modelo utilizado anteriormente, quando o minério era exportado pelo Porto do Pecém, no Ceará.
"A economia gerada pelo uso do Porto Piauí é significativa. Primeiro, pela redução do frete rodoviário, já que a distância entre Piripiri e Luís Correia é menos da metade do trajeto até o Porto do Pecém. Além disso, com a tecnologia de transshipment, conseguimos utilizar navios transoceânicos em áreas de maior profundidade", afirmou.
A primeira operação de exportação deve ocorrer até o dia 15 de julho, com um embarque entre 110 mil e 120 mil toneladas de minério de ferro. A expectativa da empresa é ampliar esse volume para cerca de 180 mil toneladas por operação à medida que novas melhorias forem implementadas na estrutura portuária.
Menor distância reduz custos
Um dos principais ganhos apontados pela Lion Mining é a proximidade entre a mina, localizada em Piripiri, e o Porto Piauí, em Luís Correia.
Enquanto o trajeto até o porto piauiense tem aproximadamente 185 quilômetros, o deslocamento até o Porto do Pecém ultrapassa os 430 quilômetros. A diferença reduz o tempo de viagem em até cinco horas e diminui significativamente o custo do transporte rodoviário.
Transbordo em alto-mar amplia eficiência
Outro diferencial da operação será o uso do sistema de transshipment (transbordo em alto-mar). Nesse modelo, embarcações menores transportam o minério até navios de grande porte posicionados em uma área com cerca de 20 metros de profundidade.
Segundo a empresa, essa operação permite o uso de navios maiores, como os modelos Capesize e Newcastle, reduzindo o custo do frete marítimo por tonelada, especialmente nas exportações destinadas à China.
No Porto do Pecém, a profundidade operacional é menor, o que limita o porte das embarcações. Além disso, o minério precisava ser armazenado em uma retroárea distante do píer e posteriormente transportado novamente por caminhões para o embarque, elevando os custos da operação.
Novas parcerias e maior capacidade de exportação
A Lion Mining também avalia estabelecer parcerias com outras mineradoras para compartilhar embarcações de grande capacidade, como os navios Valemax utilizados pela Vale.
De acordo com Jader Fernandes, a área de transbordo em alto-mar permitirá que navios parcialmente carregados em outros portos brasileiros completem a carga no litoral piauiense antes de seguir para o mercado asiático.
Na avaliação do empresário, esse modelo reduz custos, amplia a eficiência logística e cria oportunidades de cooperação entre empresas do setor mineral.
Porto impulsiona novos investimentos
Além dos benefícios diretos para a Lion Mining, o executivo acredita que o Porto Piauí representa um marco para o desenvolvimento da mineração no estado.
Segundo Fernandes, a nova infraestrutura torna viáveis projetos que antes enfrentavam dificuldades logísticas e já desperta o interesse de investidores europeus e chineses em financiar pesquisas geológicas, infraestrutura e tecnologias de beneficiamento mineral, com apoio da Investe Piauí.
Entre os minerais com maior potencial no estado estão o minério de ferro, o níquel e as terras raras, considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.
Para o diretor da Lion Mining, o Porto Piauí inaugura um novo ciclo de desenvolvimento econômico.
"O Porto Piauí é um divisor de águas para a mineração. Ainda serão necessários novos investimentos em energia, logística e qualificação de mão de obra, mas o estado demonstra que está preparado para crescer e atrair novos investimentos", concluiu.













