Relatório sob questionamento -

Documento da PF citado por Moraes tem análises de baixa e moderada confiabilidade

O relatório de inteligência da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes para apontar supostos crimes na atuação de André Mendonça é classificado pelo próprio documento como uma peça de trabalho “sem valor probatório”. Na decisão publicada nessa quinta-feira (3/9), Moraes utilizou o material para sustentar a existência de “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade atribuídos ao colega, no contexto das operações Sem Desconto e Compliance Zero. As Informações são do Metrópoles.

Foto: Gustavo Moreno/STFMoraes

Entre os pontos citados está uma hipótese sobre um suposto direcionamento de investigações envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O próprio levantamento da PF, porém, classificou essa informação com baixo grau de confiabilidade. O documento também não possui cabeçalho oficial nem assinatura de delegados e traz o carimbo de “difusão restrita”, além de reunir relatos anônimos sobre supostas interferências em delações e desconfianças de Mendonça em relação ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O material também apresenta ressalvas sobre outras suspeitas envolvendo ministros do STF e as investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Segundo o relatório, informações sem provas documentais receberam classificações de baixa a moderada credibilidade. A diferença entre as ressalvas presentes no documento e a forma como Moraes utilizou o conteúdo em sua decisão passou a ampliar o debate sobre a validade de elementos preliminares em acusações contra Mendonça e aprofundou a crise institucional entre os dois ministros.

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