
Brasileira dorme no chão e fica sem remédios em centro de detenção do ICE
Uma brasileira de 29 anos foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em Massachusetts após enfrentar uma crise de saúde mental relacionada a um aborto espontâneo. Iara do Carmo Santana estava grávida de seis semanas quando descobriu, em agosto, que o feto havia parado de apresentar batimentos cardíacos e precisou passar por um procedimento de esvaziamento do útero. No dia 3 de setembro, o noivo, Gabriel Lemos, de 31 anos, acionou o serviço de emergência para ajudá-la durante um episódio de desestabilização emocional. A intenção era obter atendimento médico, mas Iara acabou detida sob acusação de agredir o companheiro — versão que ambos negam.
A capixaba permaneceu cerca de seis horas sob custódia da polícia de Malden e, em seguida, foi entregue ao ICE. Ela foi levada ao centro de detenção de imigrantes em Burlington, onde relata ter dormido no chão durante três noites e não ter recebido os medicamentos necessários para a recuperação pós-aborto, o que provocou uma infecção e dificultou seus movimentos. Iara entrou nos Estados Unidos pela fronteira com o México em 2021, tem autorização de trabalho e uma audiência para o pedido de asilo marcada para 2029. O filho dela, de seis anos, vive com o casal.
Em 8 de setembro, o juiz federal Leo T. Sorokin determinou a libertação de Iara e proibiu sua transferência para outro estado ou deportação. Ela responde em liberdade à acusação de agressão e aguarda uma decisão sobre sua situação migratória. O advogado Todd Pomerleau afirmou que Gabriel não pediu a prisão da companheira ao telefonar para a emergência. Após a detenção, Iara relatou temer carros de polícia, enquanto Gabriel disse ter sido avisado por agentes em Burlington para não voltar ao local, sob risco de também ser preso. As informações são do The Boston Globe e da Folha de S.Paulo.












