Star Wars · 21/11/2017 - 07h17 | Última atualização em 21/11/2017 - 08h14

Crítica | A Ascensão de Lorde Vader


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Star Wars - Darth Vader
Star Wars - Darth Vader    Reprodução - Panini

 

O universo de Guerra nas Estrelas, ou Star Wars, caso o leitor tenha nascido nos anos 2000, foi criado em 1978 e já deixava claro a dicotomia na abordagem de seus personagens ao estabelecer que existe a Força, representada pelos falecidos cavaleiros Jedi, e o lado negra da Força, na figura do Império e, mais precisamente, no ser sem emoção, quase robótico, que adentrou uma nave para sequestrar uma princesa, o lorde sombrio Darth Vader.

A saga de um universo muito muito distante se desenvolveu por seis filmes sob o controle de seu criador até ser comprada pela famosa empresa Disney, que planejou todo um novo recomeço para a franquia. Porém, a saga nunca se distanciou entre o combate da luz e da escuridão. O maior exemplo é o próprio Darth Vader, anteriormente, o promissor jedi Anakin Skywalker. Anakin precisou morrer em desgraça em A VINGANÇA DOS SITH, nas mãos de seu mestre e amigo Obi-wan Kenobi, para que surgisse Vader.

É acompanhando esse personagem que encontramos o título em quadrinhos DARTH VADER lançado, e recém-encerrado com 22 edições, pela editora Panini Comics.

A saga Star Wars em quadrinhos começou, também, em 1978 na editora Marvel, sendo considerado o título salvador da editora, evitando que falisse na época. Em 1991 a editora Dark Horse passou a publicar os títulos, só voltando a ser publicado pela Marvel em 2015, quando a Disney já era dona tanto da editora quanto da franquia Star Wars.

 Em março de 2015, a Marvel lançou dois títulos inaugurais nos Estados Unidos da América: STAR WARS, com roteiro de Jason Aaron e arte de John Cassaday, e DARTH VADER, com roteiro de Kieron Gillen e arte de Salvador Larroca. Os dois títulos foram lançados em agosto de 2015 pela Panini Comics no Brasil, tendo o título Darth Vader finalizado na edição 22, por ter terminado a publicação nos EUA também, sendo um feito raro um título americano que vende muito ser finalizado conforme o pedido do autor, e, mais importante ainda, ter mantido por quase toda sua publicação a mesma equipe criativa com desenhista e roteirista. Algo quase impossível nos dias de hoje, haja vista os prazos apertados de lançamento mensal.

    (Reprodução)

 

Na edição 01, encontramos Darth Vader humilhado por ser o único sobrevivente da explosão da Estrela da Morte, vista em UMA NOVA ESPERANÇA, e sendo rebaixado pelo imperador Palpatine. Desde o primeiro momento o autor busca a redenção do lorde sith e adota um tom narrativo que combina com perfeição ao que foi estabelecido nos filmes originais. A narrativa é feita de muitos momentos de silêncio em alusão ao estilo mecânico de Vader, causando tensão no leitor ao não prever os movimentos da história.

Os personagens secundários são ótimos e extremamente bem desenvolvidos, dando destaque para a excelente Dra. Aphra e os androides 0-0-0 e BT-1, máquinas verdadeiramente psicopatas e com uma pitada de humor cínico. Os três merecem uma adaptação para os cinemas urgentemente, devido ao alto grau de carisma apresentado.

A trama mostra Vader como esmagando o que vê pela frente na galáxia toda, às vezes de forma sutil, às vezes de forma brutal, para recuperar seu prestígio e, em segredo, encontrar seu suposto filho Luke Skywalker. O Autor Kieron Gillen não se preocupa em poupar paginas e páginas para contar sua história, tudo tem seu ritmo próprio, o ritmo de Darth Vader, cruel de forma ágil ou devagar e sutilmente para resolver um problema que se encontra em seu caminho.  O que pode afastar o leitor é saber que a publicação brasileira a revista dividiu espaço em mix com outros títulos, como LANDO, PRINCESA LEIA, CHEWBACCA e HAN SOLO, mas nada que compromete a narrativa imposta.

    (Reprodução)

 

A saga Star Wars, sob domínio da Disney, parece correr em círculos, com medo de inovar, não apresentando novos conceitos, tanto que, infelizmente, o filme O DESPERTAR DA FORÇA mais e mais parece um remake de UMA NOVA ESPERANÇA. O mesmo mal aflige a HQ Star Wars, ainda em publicação nos EUA e Brasil, pois não acrescenta nada em relação à trama principal, somente aspectos prontamente ignoráveis. Desse mal, o título DARTH VADER não sofre. Os artistas buscam criar uma trama que nos leve ao famoso filme O IMPÉRIO CONTRA ATACA, onde o lorde negro dos sith já está em plena operabilidade e disposto a trazer seu filho para o lado negro da força.

Durante o percurso, encaramos a evolução de Darth Vader, da Dra. Aphra, dos androides, surgimento de novos e bons inimigos, a desconfiança que fazer parte do império galáctico gera e, por último, os sacrifícios que todos fazem para crescer em suas tarefas, tendo Vader que matar novamente Anakin Skywalker para que não reste dúvida que ali só há o lorde sith.

    (Reprodução)

 

Uma leitura indispensável em 22 edições, tendo dois encadernados sido publicados pela editora panini – VADER e SOMBRAS E SEGREDOS, tornando-se um clássico instantâneo para os fãs que querem conhecer mais do que houve após a explosão da Estrela da Morte.  O título DARTH VADER se mostrou uma leitura sólida, com bons roteiros e arte extremamente competente, mostrando que a obra de Geoge Lucas precisa de não só bons autores trabalhando nela, e, sim, de direcionamentos que tirem a obra do ciclo vicioso que a Disney parece ter imposto à Star Wars.   

Thiago Ribeiro


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