
PP mantém neutralidade e barra Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro
A direção nacional do Progressistas (PP) decidiu manter a neutralidade na disputa pela Presidência da República e rejeitou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa do candidato Flávio Bolsonaro (PL) como vice-presidente. A decisão foi tomada por maioria após consulta aos diretórios estaduais da legenda.
A movimentação ocorreu depois que Tereza Cristina informou a aliados que estava disposta a aceitar o convite para compor a chapa presidencial e tentou reverter a posição já comunicada ao PL pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que havia informado, na semana passada, que o partido permaneceria neutro.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o PP confirmou que manterá a posição e informou que não convocará uma convenção nacional para discutir o ingresso na chapa do PL.
"O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina", afirmou a legenda.
A consulta aos diretórios estaduais foi a última tentativa de viabilizar a composição. Após inicialmente resistir ao convite, Tereza Cristina passou a defender sua entrada na chapa e recebeu de Ciro Nogueira a missão de dialogar com dirigentes estaduais para buscar apoio à mudança de posição. No entanto, a articulação encontrou resistência de integrantes influentes da legenda, como o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), além dos deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Eduardo da Fonte (PE), que defenderam a manutenção da neutralidade.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que o partido não deveria abandonar a estratégia construída para aderir a uma candidatura que ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua base de apoio. Também houve críticas à condução das negociações pelo PL.
A decisão representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro de atrair a federação formada por PP e União Brasil. Tereza Cristina era considerada pela cúpula do PL o nome ideal para a vice-presidência por sua influência junto ao agronegócio e ao Centrão.
Além da questão política, dirigentes do PP apontaram um impedimento previsto no estatuto da sigla. A convocação de uma convenção nacional exige antecedência mínima de oito dias, prazo considerado incompatível com o calendário eleitoral, já que o período das convenções termina em 5 de agosto.
Nos bastidores, integrantes da direção do PP classificaram a pressão exercida pelo PL como uma tentativa de constranger o partido a rever sua posição. Segundo esses dirigentes, Flávio Bolsonaro buscou consolidar publicamente o nome de Tereza Cristina antes de obter o aval da legenda, estratégia semelhante à adotada anteriormente com a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos, cuja indicação também não contou com o respaldo da direção nacional do partido.









