
HC-UFG realiza primeira cirurgia cerebral para tratar obesidade mórbida na América Latina
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), gerenciado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou uma cirurgia inédita na América Latina: a estimulação cerebral profunda bilateral do núcleo accumbens para tratar obesidade mórbida. O procedimento experimental busca atuar nos circuitos cerebrais ligados ao prazer e à recompensa, fatores que influenciam a compulsão alimentar.
A intervenção faz parte de um projeto de pesquisa e não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O primeiro paciente a passar pela cirurgia foi Ivan dos Santos Araújo, de 38 anos, que pesa 183 quilos e convive com a obesidade desde a infância. Após tentativas frustradas de emagrecimento, Ivan decidiu participar do estudo e se mostra esperançoso com os resultados.
Pesquisa inovadora e parceria internacional
O projeto do HC-UFG é fruto de uma colaboração com a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A equipe brasileira trabalhou em conjunto com pesquisadores americanos para definir a melhor abordagem cirúrgica. Segundo o neurocirurgião Osvaldo Vilela, a decisão de atuar no núcleo accumbens se baseia na compreensão da obesidade como uma compulsão, não apenas como um problema metabólico.
Diferente de tentativas anteriores que focavam no controle do apetite por meio da estimulação do hipotálamo, a nova técnica busca regular os mecanismos cerebrais associados ao prazer de comer, tornando o tratamento mais eficaz para pacientes que não respondem a dietas, psicoterapia e até mesmo à cirurgia bariátrica.
Acompanhamento pós-cirúrgico
Os pacientes submetidos ao procedimento serão monitorados por dois anos pela equipe de neurocirurgia e endocrinologia do HC-UFG. Nos primeiros meses, diferentes configurações dos eletrodos serão testadas para identificar a mais eficiente. O estudo seguirá um modelo de análise duplo-cego, garantindo rigor científico na avaliação dos resultados.
A pesquisa, aprovada pelo Comitê Nacional de Ética e Pesquisa, representa um avanço no tratamento da obesidade mórbida e pode abrir caminho para novas abordagens terapêuticas no futuro.








