
Férias Desconectadas: Especialista alerta para riscos do excesso de telas e aponta o brincar ao ar livre como antídoto nas férias escolares
O período de férias escolares costuma ser sinônimo de descanso, mas, nos últimos anos, transformou-se em um acalorado debate de saúde pública: o uso excessivo de telas. Sem a rotina das aulas, smartphones, tablets e videogames frequentemente passam a ocupar a maior parte do dia de crianças e adolescentes. O alerta de médicos e educadores é unânime: o sedentarismo digital durante o recesso traz impactos profundos na saúde física e emocional, que vão da ansiedade e distúrbios do sono ao atraso no desenvolvimento psicomotor.
Para romper esse ciclo, o caminho apontado por especialistas não é a proibição radical, mas o resgate do movimento em espaços públicos e do brincar ao ar livre.
De acordo com o Reitor da Estácio, que também é profissional de Educação Física, professor Carlos Izidoro, as férias não devem ser um período de inércia, mas sim de estímulos diferentes daqueles recebidos em sala de aula. Ele explica que o confinamento digital priva a criança de vivências corporais que são fundamentais e insubstituíveis nessa etapa da vida.
"Quando a criança troca a corrida, o salto e o jogo coletivo por horas estáticas diante de uma tela, nós geramos um verdadeiro 'apagão motor'. A infância é a janela de oportunidade de ouro para o desenvolvimento da coordenação motora grossa e fina, do equilíbrio e da lateralidade. O esporte e as brincadeiras em praças e parques estimulam o cérebro a mapear o próprio corpo no espaço, algo que nenhuma inteligência artificial ou jogo virtual consegue replicar", afirma o professor Carlos Izidoro.
A ciência do movimento e os espaços públicos
Mais do que apenas queimar calorias ou prevenir a obesidade infantil, a atividade física em ambientes públicos atua como um catalisador do desenvolvimento social e emocional. Ao ocupar parques e quadras da cidade, a criança é desafiada a interagir, negociar regras de brincadeiras, lidar com as frustrações da derrota e exercitar a empatia.
"O esporte ensina resiliência e sociabilidade em tempo real. Em um espaço público, a criança convive com a diversidade, aprende a respeitar o tempo do outro e a trabalhar em equipe. Fisicamente, o ganho é sistêmico: melhoria na densidade óssea, fortalecimento muscular, regulação do sono e melhora da postura, que tem sido muito afetada pela posição em que eles usam os celulares", complementa Izidoro.
Como mudar a rotina sem gerar conflitos?
O grande desafio dos pais é fazer a transição do digital para o físico sem transformar as férias em um campo de batalha. A recomendação dos especialistas é que os adultos atuem como facilitadores e, acima de tudo, deem o exemplo.
Para ajudar as famílias a tornarem as férias mais equilibradas e saudáveis, o especialista elenca orientações práticas:
- Pactue as regras antes: defina os horários de tela em conjunto com os filhos antes de o dia começar, deixando claro que o digital é o bônus, não a atividade principal.
- Seja o exemplo: não adianta pedir para o filho largar o smartphone se os pais passam o tempo livre checando as redes sociais.
- Resgate a simplicidade: brincadeiras clássicas como pega-pega, pula-corda, andar de bicicleta ou jogar bola na praça do bairro têm custo zero e alto valor de desenvolvimento.
- Crie memórias ativas: use o recesso para programar passeios que envolvam caminhadas, exploração da natureza ou a descoberta de novos parques na cidade.








