Alerta climático -

El Niño pode causar 1,4 mil mortes por calor extremo no Piauí até março de 2027

O Super El Niño, apontado como um dos maiores da história, pode provocar até 1,4 mil mortes relacionadas ao calor extremo no Piauí entre junho deste ano e março de 2027. A estimativa é do Climate Impact Lab, grupo de pesquisadores ligado à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, que atualizou as projeções em uma nova ferramenta de monitoramento divulgada nesta semana. Para o Brasil, o levantamento calcula cerca de 19 mil mortes no período.

O estudo indica 83% de chance de o fenômeno ser o mais forte registrado desde 1950. No mundo, a projeção é de cerca de 857 mil mortes, quase o dobro das 451 mil previstas na estimativa anterior. Desse total, 373 mil devem ocorrer nos seis meses entre outubro e março. Os números refletem não apenas a exposição às altas temperaturas, mas também as diferenças de vulnerabilidade e de capacidade de adaptação de cada região.

No Piauí, o levantamento aponta 350 mortes entre junho e setembro em decorrência dos efeitos do fenômeno. Para os seis meses seguintes, de outubro a março, a projeção é de mais 1 mil mortes, com os maiores impactos em novembro e dezembro, quando são estimadas 240 e 190 mortes, respectivamente.

Foto: ReproduçãoEl Niño pode causar 1,4 mil mortes por calor extremo no Piauí até março de 2027
El Niño pode causar 1,4 mil mortes por calor extremo no Piauí até março de 2027

O climatologista e diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, disse ao O Dia que conhece o estudo e que o impacto deve ser analisado à luz da desigualdade social. Segundo ele, as mesmas pessoas sofrem efeitos diferentes em períodos de chuva e de calor extremo. "O que mata é a pobreza, é a exclusão das pessoas, pessoas que estão morando em áreas vedadas, em áreas proibitivas, em áreas insalubres. Essas pessoas, lamentavelmente, precisam do braço do Estado, precisam da política pública reparativa, precisam do reassentamento. É para elas que nós devemos trabalhar, dialogar e engajar", complementou.

Em junho deste ano, um estudo inédito obtido pelo O Dia, conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), mostrou que o Piauí registrou 2,4 mil mortes atribuídas a ondas de calor entre 2000 e 2019. O impacto foi maior entre os mais vulneráveis, em especial a terceira idade. A pesquisa cruzou dados de calor extremo com internações registradas pelo SUS ao longo de 20 anos.

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