
Caso de suposto "gabinete do ódio" de Raquel Lyra sai do STF e vai para o STJ
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta sexta-feira (2/10), o inquérito que investiga a existência de um suposto "gabinete do ódio" no governo de Pernambuco, comandado pela governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) apurar indícios da atuação de uma milícia digital para disseminar notícias falsas e ataques a adversários políticos, com possível uso de recursos públicos da gestão estadual, conforme informações do portal Metrópoles.
A investigação aponta que publicações atribuídas ao perfil oficial da governadora e a dois perfis citados como integrantes da rede de desinformação foram feitas a partir de um mesmo endereço IP, vinculado a uma autarquia estadual de tecnologia. Segundo a PF, o modus operandi seria semelhante ao das milícias digitais investigadas no Inquérito das Fake News. A suspeita é que o esquema fosse financiado por meio de contratos de publicidade da Secretaria de Comunicação do governo de Pernambuco. Fachin acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para declinar a competência do caso, que estava no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes, ao STJ. A remessa dos autos foi determinada de forma integral, incluindo apensos, mídias e procedimentos cautelares, e o caso está sob sigilo.
Entre os alvos da apuração está a própria governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, que possui foro no STJ. Outro investigado é Amisadai Andrade da Silva, que estava lotado na Secretaria de Turismo de Pernambuco e foi demitido após uma reportagem apontar que uma rede ligada a ele, com cerca de 300 canais on-line, atuaria com notícias falsas contra adversários da governadora, incluindo o prefeito do Recife, João Campos (PSB). O governo de Pernambuco nega que tenha existido uma estrutura nos moldes de um "gabinete do ódio".












