Notas de R$ 50 e R$ 100 -

Vídeo mostra prefeito contando dinheiro de suposta propina

Vídeo anexado às investigações conduzidas pelo Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), mostram o prefeito de Diamantino, Manoel Loureiro Neto (MDB), contando notas de dinheiro que seriam de uma suposta propina recebida em seu gabinete. Ele foi alvo de operação deflagrada pelo Naco na última terça-feira (15/08) após denúncia feita por um empresário que efetuou o pagamento e gravou a ação de Manoel. As informações são do RD News.

Foto: ReproduçãoVídeo mostra prefeito contando dinheiro de suposta propina
Prefeito é flagrado contando dinheiro de suposta propina

Conforme decisão que autorizou a operação, ambos se conhecem há mais de 30 anos. As provas já obtidas levaram o Judiciário a autorizar a ação contra o prefeito. Agentes vasculharam a sede do Executivo nesta semana. Nos autos, consta que o empresário foi o vencedor de três licitações em 2022, até que o prefeito passou a supostamente cobrar o pagamento de propina. 

No vídeo, é possível ver o prefeito contando notas de R$ 50 e R$ 100, enquanto é gravado. 

A decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa de Manoel e a quebra do sigilo bancário é assinada pelo desembargador Rondon Bassil Dower Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

“A medida de afastamento do sigilo bancário é necessária, portanto, pois permitirá o acesso ao extrato detalhado das contas bancárias dos investigadas, a identificação, individualizada, da origem e destino das movimentações efetuadas, inclusive através da identificação de eventuais cheques emitidos, depósitos, transferências, pagamento de boletos e de faturas de cartão de crédito, o que, sabidamente, não é possível através de mero extrato mercantil”, diz trecho do despacho.

Na decisão, constam trocas de mensagens entre o empresário e o prefeito. Em uma delas, o gestor afirma que já realizou o pagamento de notas ao empresário e tenta agendar um encontro para receber o "documento" - momento no qual estaria se referindo à propina, que seria paga em espécie. Iniciamente, de maneira tímida, Manoel pedia ao empresário uma "ajuda de custo", porém, posteriormente, a situação teria evoluído até a cobrança de 10% sobre o valor de cada medição apresentada.

"Os elementos apresentados revelam que, sempre que uma nota de empenho era paga em favor da empresa, o prefeito noticiava ao empresário e, concomitantemente, informava a sua localização ou ajustava um lugar para se encontrarem e receber o montante exigido, a que ele por vezes se referia como 'documento'", pontua a decisão.

Baseando-se na denúncia e nas provas apresentadas, a Justiça autorizou a operação, embasada em recebimento de vantagem indevida por parte do prefeito. O Naco solicitou ainda o afastamento do gestor por 180 dias para que não houvesse ações que atrapalhassem o desenvolvimento das investigações, no entanto, esse pedido foi indeferido.

Outro lado

Após a operação ser deflagrada, o prefeito Manoel Loureiro Neto se manifestou, afirmando ter sido surpreendido pela ação do Naco. Por meio de nota de esclarecimento, o gestor afirmou que já havia sido intimado para apresentar os documentos exigidos pelo Ministério Público Estadual e cumprido com as diligências.

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