
Trançados da Ilha: um artesanato de exportação
A Associação dos Trançados da Ilha Grande de Santa Isabel fica numa ilha, no município de Parnaíba, norte do Estado, e lá desenvolve artesanato em palha de carnaúba. Não bastasse o trabalho destes 25 artesões associados e dos muitos outros que trabalham por conta própria, o município respira cultura a todo instante. Um bom exemplo, foi o bumba-meu-boi que passou pela rua da Associação enquanto fazíamos nossa entrevista. Uma mostra de que, mais do que uma fonte de renda, as várias manifestações culturais fazem parte do dia-a-dia desta comunidade.
A Associação dos Trançados da Ilha Grande de Santa Isabel surgiu há cerca de oito anos através do Programa Artesanato Solidário para legalizar a associação, segundo nos conta Serrate Maria Sousa Gonçalves, presidente da Associação.
“O artesanato é uma como fonte de renda porque vivemos diretamente dele e o mesmo está sendo vendido, principalmente, para São Paulo e Rio de Janeiro. Assim como para o exterior também. Nós trabalhamos sob encomendas e são produzidas uma média de 500 a mil peças mensais”, detalha Serrate. Ela conta que o preço das peças varia entre R$ 1,00 real (porta-prato) e, no máximo, R$ 35,00 ou R$ 40,00 reais (mandalas, redes, cestos).
Sandra Maria da Silva Souza (34 anos), artesã, faz parte da Associação desde os 13 anos. Ela vive do seu trabalho como artesã e de outro emprego, pois precisa contribuir com a renda da família. “Se eu for viver só de um salário não dá, por isso faço artesanato porque eu ganho uma rendinha, até mais, pra ajudar na família, serve pra tudo”, explica.
Por meio do Prêmio Top 100 de Artesanato, que escolheu em 2006 as cem melhores unidades de produção artesanal do País, a Associação participa de exposições e feiras fora do país. O Piauí teve lugar de destaque com a inclusão de dez associações e/ou cooperativas do Estado no prêmio. O concurso serviu como uma vitrine para o segmento artesanal e agora inicia uma nova fase, prospectando clientes em outros países. Dentro da lista das cem melhores unidades, a Associação faz parte de uma lista de dez unidades de produção artesanal do País que vão expor suas peças no exterior. Sendo a Trançados da Ilha a única representante piauiense a compor a lista das unidades que participarão das feiras internacionais da Apex-Brasil.
Sandra fica feliz ao falar de seu trabalho. “Eu me sinto muito orgulhosa por onde a gente passa e dizem olha é uma artesã, é bom. Nós todas somos reconhecidas”, disse satisfeita.
A presidente Serrate conta que o porta-prato é a peça que é produzida com maior rapidez, leva entre dez minutos a meia hora a sua confecção. As peças que levam maior tempo para serem produzidas são mandalas, cestos e redes que levam dois dias para sua produção.
Hoje, fazem parte da Associação 25 pessoas e a divisão de trabalho entre homens e mulheres é feita conforme a capacidade de produção de cada um.
20% dos recursos apurados com as vendas é destinado a Associação, o restante é repassado para o artesão. Serrate lembra que a Associação recebe apoio do SEBRAE, PRODART e da Prefeitura.
Top 100
O Top 100 foi uma inovação do Sebrae Nacional que ampliou a visibilidade à atividade de milhares de artesãos que geram trabalho e renda no Brasil. Em todo o País, mais de nove milhões de brasileiros vivem de artesanato. Cem entidades artesanais brasileiras foram escolhidas e premiadas pelo Top 100 Sebrae.
Do Piauí, foram selecionadas dez entidades entre as cem melhores: Associação Artesanal de Campo Maior; Associação da Central das Bordadeiras de Teresina; Associação das Bordadeiras Lili Escorcio de Buriti dos Lopes; Associação das Rendeiras do Morro da Mariana; Associação dos Artesãos de Pedro II; Associação dos Lapidários e Joalheiros de Pedro II; Associação dos Trançados da Ilha Grande de Santa Isabel; Cooperativa Artesanal Mista de Parnaíba Ltda.; Cooperativa de Artesanato Mestre Dezinho; e Grupo de Produção de Tecelagem do Dirceu.
O Top 100 gerou um maior reconhecimento do artesanato brasileiro, com a divulgação em feiras e eventos dentro e fora do País, mas especialmente, por ampliar o universo de mercados aos artesãos. As cem melhores unidades artesanais do País são hoje referência quando o assunto é artesanato de qualidade e criativo.
Fonte: Portal Appm








