Tragédia -

Jovem grávida morre após médico ignorar sete pedidos de atendimento em hospital

A morte de uma gestante de 29 anos e do bebê que ela esperava virou alvo de investigação em Minas Gerais. Bárbara Luana Fernandes Aleixo, que estava com 30 semanas de gravidez, morreu após dar entrada em um hospital em Três Marias. O obstetra e diretor clínico da unidade, Higo Moreira Fonseca, chegou a ser preso em flagrante sob suspeita de omissão de socorro. Com informações do Correio 24Horas.

Foto: Reprodução



Bárbara não apresentava problemas ao longo da gestação e realizava acompanhamento pré-natal sem registros de complicações. No dia da ocorrência, após uma consulta de rotina em uma unidade de saúde, recebeu orientação para monitorar a pressão arterial antes de dormir. Já à noite, enquanto estava na residência da sogra, o exame apontou pressão de 18 por 10.

Diante do resultado, ela seguiu para o Hospital São Francisco acompanhada da sogra e de uma amiga. A chegada à unidade ocorreu por volta das 20h30. Na triagem, a paciente recebeu classificação de risco laranja e iniciou tratamento medicamentoso para tentar controlar a pressão.

Segundo relatos da família, Bárbara demonstrava preocupação com o quadro clínico e perguntava repetidamente sobre a chegada do obstetra responsável. Em determinado momento, teria expressado temor pelo próprio estado de saúde e afirmado: "eu vou morrer", pouco antes de perder a consciência.

A sogra da gestante relatou que foi informada por profissionais da unidade de que o obstetra estava em casa e vinha sendo acionado desde os primeiros atendimentos. Conforme os depoimentos colhidos pela Polícia Civil, a médica plantonista realizou diversas tentativas de contato por telefone e mensagens, alertando para a gravidade da situação, mas não obteve a resposta esperada.

A investigação aponta que a primeira comunicação ocorreu às 22h08, quando exames da paciente foram encaminhados ao especialista por WhatsApp. Na ocasião, segundo o inquérito, ele teria avaliado que os sintomas poderiam estar relacionados à ansiedade da gestante. Nas horas seguintes, com o agravamento do quadro clínico e novos resultados laboratoriais indicando aumento dos riscos, a equipe médica voltou a insistir em contatos telefônicos e mensagens. Mesmo assim, o obstetra não compareceu à unidade.

Já por volta das 5h da manhã, quando Bárbara precisou ser levada para a Sala Vermelha, a médica plantonista realizou nova ligação e reforçou a urgência do atendimento. Segundo seu depoimento, o profissional teria afirmado que o caso deveria permanecer sob responsabilidade da equipe clínica e encerrou a conversa. Logo depois, uma técnica de enfermagem também entrou em contato com o médico, pedindo que ele fosse ao hospital. Conforme os relatos reunidos pela Polícia Civil, o obstetra voltou a informar que não iria até a unidade.

A morte de Bárbara foi comunicada à família por volta das 5h30. Segundo os parentes, o diretor do hospital informou que uma cesariana não havia sido realizada porque o bebê poderia nascer com sequelas graves e permanecer em estado vegetativo. A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias do caso e a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento. O inquérito busca esclarecer se houve negligência ou omissão capaz de contribuir para a morte da gestante e da criança.

Fonte: Correio 24Horas

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