Caso queimados: Fim até às 2h -

Delegado Evaldo Farias depõe e pede segurança em julgamento

Por mais de oito horas, o julgamento do ex-tenente coronel da Polícia Militar, José Viriato Correia Lima, ainda acontece na 1ª Vara do Tribunal do Júri, na avenida Coelho de Resende, Centro de Teresina, e promete encerrar apenas na madrugada deste sábado (05). As testemunhas já foram ouvidas, sendo cinco de acusação, e quatro de defesa. O depoimento que chamou atenção da corte foi o do delegado Evaldo Farias, que pediu ao juiz Antônio Noleto, que tivesse segurança, já que teme por sua vida. Evaldo disse que foi abordado por um policial civil, condenado em outros processos, que nunca tinha tido contato direto.

À época do crime, no final da década de 90, Evaldo Farias era delegado do 8º Distrito Policial, responsável pelo caso. Reforçou os detalhes que já tinha fornecido no último julgamento em que participou como testemunha. Disse que foi coagido por Correia Lima a assinar uma declaração “inocentando” o ex-coronel no inquérito.

Segundo Evaldo Farias, que foi a terceira testemunha ouvida no tribunal na manhã de hoje (04), Correia Lima o procurou por pelo menos três vezes. A primeira foi na avenida João XXIII, às 6h, em frente ao escritório do militar, quando foi abordado por ele em seu carro. A segunda, foi quando Evaldo estava como delegado no 11º DP e recebeu um uísque entregue por um policial a mando de Correia Lima.

“Primeiro, eu estava no meu carro quando ele me chamou e alertou que queriam me matar. Já na outra, ele me mandou como presente um uísque de marca Johnny Walker e disse que queria falar comigo no Comando (Quartel do Comando Geral)”, explicou Evaldo Farias.

Na terceira vez, Evaldo teria ido até ao Comando onde estava Correia Lima e outros militares. O ex-coronel teria obrigado o delegado a assinar um papel que o eximia de qualquer culpa. “eu estava no quartel, sob pressão, não tinha como”, relata Farias ao juiz Antônio Noleto.

No final do seu depoimento, ele pediu proteção da Justiça porque disse que “coincidentemente” foi abordado pelo policial civil conhecido por A.J, que segundo ele, estaria condenado pelo crime do Caso Amarrados, que aconteceu antes da morte de Hélio Araújo Silva e Einaldo Xavier Júnior, o Caso Queimados. “Eu estava lanchando em frente ao Tribunal de Justiça, quando o A.J veio me cumprimentar. Nunca tinha falado com ele. Por isso, coincidência ou não, quero pedir proteção”, finaliza o delegado.

Antes dele, falaram Francisco Bispo de Sousa e Maria de Nazaré Costa, mãe de Hélio, uma das vítimas. Ele seria um dos “laranjas” na empresa Opções Pisos, que pertenceria a Correia Lima. Emocionada, dona Maria de Nazaré deu um depoimento rico em detalhes. Logo após, falaram as testemunhas de defesa: o ex-delegado José Wilson Torres, o ex-coronel Nataniel Memória e o irmão do réu, Cícero Correia Lima.

Ao final dos depoimentos, houve intervalo de vinte minutos para o almoço. Os trabalhos retornaram com a fala de Correia Lima. Quem faz a defesa dele é o defensor público Ulisses Brasil. Já o promotor é Heliardo Cabral.

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DEPOIMENTO DE CORREIA LIMA
Às 15h26 o julgamento do ex-coronel da Polícia Militar é retomado. O juiz Antônio Noleto explica como será o julgamento. Ele afirma que fará oito perguntas e que o mesmo poderá ou não responder, sob pena de sofrer as consequencias da lei.

O juiz começou fazendo alguns questionamentos, que eram atentamente respondidos pelo réu.

Qual seu nome?
José Viriato Correia Lima

Naturalidade?
Iguatu, estado do Ceará

Estado Civil?
Casado

Profissão?

Militar

Filiação?
José Correia Braga e Teresinha Pereira Lima

Endereço?
Conjunto Joaz Sousa, Quadra 16, casa 26, Parnaíba, Piauí

Data de nascimento?

Nasci 25 de abril de 1952, vou fazer 59 anos

Grau de instrução?
Universitário incompleto, não terminei o terceiro grau

O senhor tem Advogado de defesa para este processo?
Ulissis Brasil

Antes desse julgamento, já foi preso e processado?
já.


Juiz falou ao 180graus. Disse que não tem hora para o fim do julgamento. "Sai de casa e disse que só volto amanhã"

Após os questionamentos iniciais, o meretíssimo juiz Antônio Noleto, que conduz a seção, fez as perguntas.

1. Acusação de acusação desses crimes, é falsa ou verdadeira?
Pra minha pessoa é falsa. Porque eu fui embora de Teresina em 1989 para o Pernambuco e até meio de 1997 e início de 1998 eu estava em Recife. Lá, com a anuência dos governadores, fiz cursos superiores de polícia tive nota 9,6 e fui um dos melhores

2. O senhor esteve com alguém antes, durante e depois desse fato, que possa imputar esses crimes. Quem mandou matar essas pessoas?
Quando vim de Recife eu tomei conhecimento do caso. Na minha concepção foi o Júnior quem levou para o cheiro do queijo e quem mandou matar foi o Abraão.

3. Onde o senhor estava?
Estava em recife com familiares, a esposa e quatro filho.

4. Essas provas são falsas?
São falsas e tenho como provar

5. O senhor conhecia as vítimas?
Não nunca viu. Sobre as testemunhas, só conheço o Abraão, o delegado Evaldo Farias. Sempre tive algo contra o Evaldo.
Nunca me dei bem com o Evaldo, porque ele tem algo contra mim. Ele tem ódio de mim. Eu não tenho nada contra ele.

6. Sabe que arma matou eles?
Dizem que foram assassinadas, amordaçadas, queimadas, ouvi dizer que atiraram nas vítimas e fizeram benefício de jogar próximo à minha cassa para me acusar.

7. O senhor estando lá em Recife, tem como dizer como o crime ocorreu?
Disse que não tem o que dizer, porque estava em Pernambuco com a esposa e filhas

8. O Senhor tem alguma alegação a fazer em sua defesa?
Iniciaria dizendo que estou doente ainda, estou medicado, mas estou tranquilo. Aos 18 anos de idade eu já era oficial do exército. Passei com 17 anos. Aos 18 fui para o exército. Nunca fui santo, quando eu ia para as missões nomeadas pelo governo eu ia e cumpria. Não tenho vocação para padre. Mas não conheço nenhuma família no interior passando fome que possa me acusar de algo. Em um encontro que tive com Robert Rios ele disse que precisava matar o secretário de segurança da época e um delegado. Em sua sala, ele me mostrou uma documentação e disse que se eu matasse os dois ele arquivada toda a documentação. Com interesse, ele grampeou telefone de todas as autoridades e criaram essa história de crime organizado. Isso nunca existiu. O que tenho a dizer são que essas acusações devo ao Robert Rios e à imprensa.

De forma suscinta, o juiz Antônio Noleto resumiu a resposta da oitava pergunta. "Ele alega que sofreu muito e que todos os crimes aqui apresentados depois de 1998 foram jogados em cima dele", disse.


Delegado Evaldo Farias prestou depoimento durante o julgamento

Às 17h05 o promotor Eliardo Cabral começou seu parecer. Ele começou falando de maldade e para isso citou Herodes, que mandou matar crianças com menos de dois anos por sentir-se ameaçado seu Reinaldo. Citou também Adolfo Hitler e sua maldade e também Nero. Ele comparou o ex-coronel Correia Lima a esses homens, que segundo ele, tiveram maldades iguais.

Às 17h50 o promotor João Malato Netor recebeu a palavra. Em seu parecer, ele disse que o ex-coronel representa o mal e que isso é público e notório. Segundo Malato Neto, ele se finge de santo, disse que está doente para desviar o foco do julgamento. “Não estamos julgando o Correia Lima, mas sim o fato da execução de duas pessoas em março de 2008”, acrescenta.

Ele comparou ainda Correia Lima ao ex-deputado Hildebrando Pascoal, que foi acusado de matar usando uma motoserra, por conta de suas perversidades.

“Espero que ao fim deste julgamento, o Drº Noleto peça sua prisão preventiva e que ele saia preso para pagar pó seu crime, o de homicídio qualificado”, acrescentou.




Vários estudantes de Direito acompanham o julgamento


Demonstrando cansaço, Correia Lima fala com seu advogado durante o julgamento


Juiz acompanha atento acusação e defesa no processo

No intervalo do julgamento o promotor Eliardo Cabral falou ao 180graus. Ele disse que o acusado é acusado de dois crimes de homicídio doloso qualificado e sequestro.
“A pena para esses crimes é de 12 a 30 anos como prevê a Lei. Estamos trabalhando para fazer o pedido para que, se ele for condenado, já saia preso”, afirma.

O advogado defensor público Ulisses Brasil, fez suas alegações. Ele travou uma discussão com o promotor João Malato Neto sobre a localização de uma alegação nos autos em que o advogado alega que uma testemunha de acusação, Evaldo Marcelo Cavalcante, que teria dado depoimento sob coação, sob tortura.

“Não podemos condenar uma pessoa só por conta de uma prova. Os senhores julgadores são juízes e precisam agir com base nas provas, mas não só uma, mas uma concatenação de provas.

O julgamento tem ainda acusação do Ministério Público, réplica da defesa e o julgamento propriamente dito, onde sete julgadores darão a sentença.


Promotor prevê que julgamento termine antes das 02h da manhã

Fonte: None

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