
A denúncia que Ciro Nogueira não pode chamar de perseguição
Ciro Nogueira poderá contestar fatos, documentos e interpretações. O que não poderá fazer, desta vez, é atribuir a denúncia contra ele a uma conspiração da esquerda.
Quem assinou o pedido de investigação no Conselho de Ética foi Eduardo Girão, senador respeitado pela direita conservadora e conhecido por posições firmes em defesa da família, da vida e da moralidade pública. Girão não pertence à oposição ideológica de Ciro. Vem do mesmo campo político.

É justamente isso que torna o episódio tão grave.
A denúncia sustenta que Ciro teria apresentado uma emenda de interesse do Banco Master e pede esclarecimentos sobre supostos pagamentos e benefícios. Nada disso equivale a uma condenação. Ciro nega irregularidades e tem direito à defesa. Mas os indícios descritos são sérios demais para serem escondidos atrás do calendário eleitoral.
A assinatura de Girão retira de Ciro o álibi mais confortável: o da perseguição política. Agora não há um adversário de esquerda lançando acusações. Há um conservador cobrando coerência de outro nome da direita.

Esse é o verdadeiro teste. Se a direita exige investigação quando as suspeitas atingem seus adversários, deve exigir o mesmo quando alcançam seus próprios líderes. Caso contrário, deixa de defender princípios e passa a proteger conveniências.
Eduardo Girão fez uma escolha difícil, mas necessária. Colocou a responsabilidade pública acima da solidariedade de campo. Ciro Nogueira, por sua vez, terá de responder aos fatos e não aos rótulos.
Apurar não é condenar. Mas impedir a apuração também não é inocentar. É apenas esconder.
Se o Senado engavetar a denúncia, não estará protegendo somente um senador. Estará confessando que o Conselho de Ética serve para julgar adversários, nunca aliados. E isso seria uma condenação muito maior: não de Ciro, mas da própria instituição.










