
Flávio Bolsonaro autoriza abertura de sigilos e cobra divulgação de gastos do cartão corporativo de Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL) encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (23/10), documentos autorizando a divulgação de informações relacionadas aos seus sigilos bancário e telefônico. A iniciativa ocorre um dia após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregar à Justiça Eleitoral documentos referentes aos sigilos do petista, em meio ao confronto de desafios entre os dois políticos durante a campanha.
Além de autorizar a divulgação dos próprios dados, Flávio apresentou um novo pedido: que Lula torne públicos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República e os registros de visitas ao gabinete presidencial.
Na petição, o senador sustenta que as despesas do cartão são pagas com dinheiro público e, por isso, devem ser acessíveis à população. Como argumento, citou uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo a qual 99,55% dos gastos realizados entre janeiro de 2023 e abril de 2025 foram classificados como sigilosos ou reservados.

Flávio também defendeu a divulgação dos registros de entrada de visitantes no gabinete presidencial. Para ele, essas informações têm natureza pública por estarem relacionadas à rotina da Presidência e sob responsabilidade do governo federal.
O senador ainda resgatou uma promessa feita por Lula durante a campanha eleitoral de 2022, quando o petista afirmou que encerraria o sigilo de cem anos. Flávio pediu que as informações sobre o cartão corporativo e as visitas ao gabinete fossem divulgadas antes do segundo turno, marcado para domingo (25/10).
TSE afirma que candidatos podem divulgar os próprios dados
A campanha de Lula procurou o TSE para que a Corte atuasse como intermediária na divulgação dos documentos. O vice-presidente do tribunal, ministro André Mendonça, entendeu que os próprios titulares podem autorizar a publicação de suas informações, sem precisar de uma autorização judicial prévia.
Na decisão, Mendonça explicou que os sigilos bancário, fiscal e telefônico são garantias individuais e que seus titulares podem consentir com a divulgação. O ministro afirmou ainda que os candidatos e demais pessoas mencionadas estão autorizados a tornar públicas as próprias informações, conforme considerarem adequado.
Deltan Dallagnol vai examinar documentos
A campanha de Flávio também chamou o ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, senador eleito pelo Paraná, para analisar os documentos apresentados por Lula.
Em declaração a jornalistas em frente ao TSE, Dallagnol disse que pretende verificar se o material entregue está completo e examinar as informações fiscais e bancárias. O ex-procurador também fez críticas ao presidente e afirmou que a análise busca esclarecer questões relacionadas ao patrimônio do petista.
Entenda a origem do embate
A disputa começou no último domingo (18/10), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico. A declaração foi feita durante debate promovido pela TV Band, em meio a acusações sobre corrupção e questionamentos envolvendo a família Bolsonaro e os Estados Unidos.
Na ocasião, o presidente propôs que ambos divulgassem as informações para que a população pudesse conhecer os dados. Flávio encaminhou as autorizações ao TSE e ampliou a cobrança, incluindo também os gastos do cartão corporativo e os registros de visitas ao gabinete presidencial. Com informações Metrópoles.











