
Dono da Cidade Verde levanta polêmica, detona STF, W. Dias e até defende Temer
Dono do Grupo Jelta, que inclui a Cidade Verde e uma série de concessionárias, o empresário Jesus Tajra fez um verdadeiro desabafo em entrevista ao jornalista Elivaldo Barbosa. O programa foi exibido neste sábado (29/12) no programa Piauí que Trabalha, TV Cidade Verde. Ele defendeu o presidente Michel Temer (MDB) desejou boa sorte ao futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) e teceu várias críticas ao governador Wellington Dias (PT) e à política do Piauí.
A entrevista polêmica, que incluiu críticas ao Supremo Tribunal Federal, gerou rebuliço co os profissionais da Cidade Verde, prova disse é que ela nem foi repercutidas nos outros meios de comunicação do grupo... Mas é um verdadeiro tesouro para opinião crítica, baseada em experiência, vivência política e atuação empresarial.
Confira a entrevista:
O Brasil fez o dever de casa?
Olha, fez, dentro do possível, nós sabemos, já que você abordou essa situação, que o atual governante, vinha numa linha de transformação, inclusive através de leis importantes, com todo êxito, sendo aprovado no Congresso. Ocorre que esse processo foi interrompido por uma ação, que eu considero, impensada, precipitada, mal avaliada, por parte do procurador geral da república, o senhor Janot, quando promove uma ação, depois outra, criminal, contra o presidente da república, ele se voltou, interrompeu todo o processo de ação administrativa para se defender, o que era mais natural que ele assim fizesse, pois estava dependendo de ações dentro do Congresso Nacional, basicamente a Câmara. Então, isso interrompeu o processo, todo aquele êxito que ele vinha obtendo nas modificações legislativas, para reformar a Previdência, que é tida como a principal, foi interrompida, dentro de um processo de perspectiva boa para aprovação, embora com algumas modificações. Pois bem, isso interrompeu, então parou o país novamente, ele foi, depois que superou as duas etapas, ele passa novamente por um outro processo, a atual procuradora, mal toma posse já abre um processo de investigação por atos anteriores às funções dele na presidência da república, ele foi perturbado na sua ação administrativa. Mesmo assim, já este ano, a gente vai sentindo que está escolhendo algumas coisas de bom da administração por parte do Governo Federal. Não se pode negar a presença muito importante do então ministro da Fazenda Henrique Meirelles que atual no primeiro governo Lula nessa área econômica e foi esse processo, sendo, levando o país a uma transformação para melhor, para quem saiu de uma inflação de quase 14% para hoje em 3.8 é altamente significativo.
Mas o desemprego continua por outro lado, resistindo, desafiando o setor empresarial, o que fata para que a economia seja aquecida o suficiente, a reforma tributária [trabalhista] está em vigor...
Esta reforma, já há uma melhoria no processo de recuperação de emprego, falta muito, falta, porque também, de 5 milhões pulou para 13 milhões de desempregados, para se recuperar, não é num passe de mágica, tudo é um processo, mas que já há uma recuperação que já diminuiu para 12, a gente dá isso como bom, excelente, mas é indicativo de uma caminho. O que a gente espera, com o novo governo que chega cheio de força, que tomem o processo, continue o processo de recuperação do país. Acredito que no próximo ano, primeiro ano de governo, é um ano de ajuste, que todo governo faz, para depois, a partir de 2020, termos um processo mais acelerado de recuperação. A recuperação decorre da confiança do clima, muitas empresas estrangeiras, algumas se retiraram do país, algumas que queria investir no Brasil pararam, diante deste tumulto que houve no cenário político, não se engane que o cenário político coeso, sereno, colabore e muito, é 50% para a melhoria das coisas no país.
A escolha do ministério para o futuro governo, a própria transição são sinais que contribuam para essa perspectiva para mudança real e efetiva no país?
A minha observação é muito própria, tem ministro escolhido falando demais e com arrogância, isso não é bom, porque já deixa todo mundo prevenido contra o próprio governo como um todo, nós sabemos ai que, ministro andou anunciando medidas que vai tomar, antecipando, quando não depende só de ato do governo, depende de modificação legislativa, esse já provocou reação, isso não é bom, porque já colocou todo mundo... Você não faz uma reforma, dá um mundo novo apenas por vontade, porque o governo é coletivo, se tem um poder executivo, tem o poder legislativo, por último o poder judiciário, então, é esse conjunto que determina o caminho, ninguém faz nada sozinho. A gente como empresário, tem responsabilidade ampla na organização da empresa, no resultado da empresa, que depende de que os efeitos dependem os empregos, você não sustenta muitos empregados se a empresa não for bem.
Tem sido um setor sacrificado na economia...
Muito sacrificado, a empresa brasileira, as empresas estão muito sacrificadas, há certos setores não foram tingidos, mas foram uma exceção, nós sabemos o histórico desse passado recente, o estrago, o rombo que fizeram nas empresas brasileiras, por consequência de má administração e de condutas que nós sabemos que tipo são.
30 anos de promulgação da Constituição Brasileira, o senhor foi constituinte e participou ativamente da elaboração da Carta Magna do país, essa trajetória consolida a democracia, que efeito tem esses 30 anos? A Constituição permanece viva como foi constituída há 30 anos?
Olha, nenhuma constituição durou tanto, até agora, espero que vá em frente, apesar de muitas reformas já feitas, tem quase uma centena de emendas aprovadas que foram incorporadas á Constituição, algumas boas, outras em tanto, mas o país marcha e se procura respeitar a Constituição. Quando nós temos no momento o guardião da Constituição extrapolando o poder, que é o Supremo Tribunal Federal, tem que fazer críticas, não pode deixar, porque, costuma-se dizer que decisão judicial não se discute, cumpre-se, mas não está sendo assim, não está sendo assim, porque há exageros que tem levado ministros a extrapolar até com fantasias, com gestos, que hoje a televisão mostra tudo, com gestos que, em tom de voz, que não é compatível com a dignidade da função de ministro do Supremo, integrante do Supremo Federal. Tem que ter serenidade, mas a gente ver bate-boca, discussão ferrenha, até ofensas, já temos visto isso. Isso não é bom, por isso que o atual Supremo não tem sido muito bem aceito e considerado, estou falando aqui como advogado, tenho 62 anos de advocacia e nunca vi o Supremo assim, atropelado pelos fatos, porque eles próprios estão entre si provocando esses acontecimentos. Agora mesmo tivemos um recente, sem mais nem menos, um ministro isoladamente, manda soltar tudo quando é de preso que foi condenado até em 2º instância, nós sabemos que há uma decisão desse mesmo Supremo, no colegiado, foi o pleno, não foi isolado, dizendo o contrário. Então se fez um tumulto, houve uma reação de todo setor, até que o presidente, provocado pela procuradora geral, anulou o ato dele, isso não pode acontecer e continuar, ele tem que se despir de tudo e serem apenas, se despir de tudo e vestir a toga, só a toga, que representa exatamente a justiça e agir como tal.
O Piauí será o destaque nessa segunda parte da entrevista com o empresário Jesus Tajra. Tem sido um ano difícil, o Piauí termina com dificuldades na área financeira, investimentos paralisados, o que avaliar desde 2018 para o nosso estado?
Não é muito positivo não, infelizmente não é. Nós temos visto aqui que se fala muito em recursos que se trouxe para o Piauí, fala muito em empréstimos que foram levantados, centenas de milhões de reais, e os efeitos disso ai é que nos estão levando a interrogação. Vejo que, obras inacabadas, não pode deixar de levantar essa questão, nós estamos aqui é como analista de um quadro, como responsável, na qualidade de empresário, advogado que sente os efeito benéficos e maléficos, tenho que salientar... A barragem de Cocal até hoje não se fez anda, nós temos estradas inacabadas, aqui esse entroncamento nossos, da saída, a duplicação, que vem de dois governos atrás, as obras que não acabam, não concluem e fica sem o resultado que se espera. Se fala muito na vinda de recursos para cá, que trouxeram, que tomaram empréstimo e o efeitos da destinação desses recursos não estamos sentindo, eu pelo menos não vejo assim, posso estar errado, mas eu creio que não, pelas consequências que sentimos no dia a dia, de reclamações, que a gente ouve e que a gente vê. Então, na entrada desse novo governo, continuação do atual, Wellington Dias, só espero que as coisas tomam um rumo diferente, aqui vai um apelo ao governador. A obtenção de apoio na Assembleia, como foi feito, retratando como no congresso no passado presente, não pode continuar, os próprios deputados têm que ter suas responsabilidades funcionais, de deputados, de legislador, e não de negociador. Falo aqui porque já passei por tudo isso na política, sei sentir, sei perceber as coisas, não pode continuar, porque nós vimos, é só barganha em querer coisas pessoais acima de qualquer coisa, estou fazendo uma observação de ordem crítica geral. Senhores deputados, tenham responsabilidade, na sua função, no seu trabalho, pensando no povo, levando obras que interessem a população, no seu setor, cada um tem sua área de atuação e o governador, como executivo, executando o que deve ser em benefício do povo, não podemos viver só de conflito, confronto, disputa de interesses. Isso não pode continuar, vejo bem agora aqui, só para citar, eleição da mesa da Assembleia Legislativa, domina todo o cenário político do Piauí, pode? Eu creio que é uma coisa de ordem interna, mas que está articulando, mexendo com muita coisa. Eu também acho, por uma questão de princípios, sempre fui assim, a alternância no poder é salutar, eu acho que não é bom ninguém se perpetuar no poder, seja a natureza que ele for, seja até em entidade, em clube de futebol, associação, te que haver revezamento, tem que haver... É uma oportunidade também, não é uma exclusividade, oportunidade, todos estão no mesmo nível, com os mesmos desejos, mesmas vontades, é um direito, as mesmas obrigações. Isso que eu saliento, não tem nada pessoal com ninguém... Vejo por questões de princípio, regras que imponho a mim mesmo na minha conduta pessoal, política e tudo...
No processe de desenvolvimento do estado, alguns exemplos, a hidrelétrica de boa esperança comprimiu um papel importante no final dos anos 60, começo dos anos 70, foi uma mudança de rumo na economia do Piauí, depois a Universidade Federal do Piauí, agora, nos tempos atuais, o que o senhor destaca para um projeto estrutural para alavancar o crescimento do estado?
[Pausa para pensar] Acho que uma ação coletiva do governo, apoio da bancada federal, tanto na Câmara para o Senado, buscar investimento para o Piauí. Vou citar dois exemplos tristes, na nossa memória. Aquela empresa de lá na cidade de Fronteiras, fábrica de cimentos, cimento para o Piauí era uma grande obra, fechou! Mas como, como fecha? Faltou ação de todos os políticos do Piauí, dá até para negociar, invés de fechar, encontrar outra empresa de cimento que viesse substituir, não houve nada. Quando estou a bomba, foi a demissão de 600 famílias, isso é imperdoável. Outra, tinha uma fábrica se instalando na região de Palmeirais [Suzano, de papel e celulose], já avançando, plantando e tudo mais, ai de repente, sai, vai embora daqui, ora, o sucesso dessas empresas seria fator de atração de outras, de despertar, tem que haver uma visão desse tipo, não se pode criar obstáculos e querer tirar vantagens, o Piauí, o slogan ‘O Piauí acima de tudo’...
Falta o papel proativo do Governo, indutor desse processo...
Falta, é a minha visão, disso isso aqui, não como em forma de crítica, mas como forma de colaboração, de despertar o deve de fazer, não é favor nenhum de quem está nos cargos ocupando, tem que fazer acontecer, tem que provocar, não que esperar que aconteça. É imperdoável esses dois fatores que estou citando. Como estão se instalando e sai? A outra está instalada e sai? A Transnordestina, até hoje está parada, se ela veio para fazer essa distribuição de minérios no Piauí, esse tipo de coisa que a gente não pode aceitar infelizmente, o povo de modo geral te suas limitações em suas ações, os empresários tem suas limitações, e mesmo no conjunto de associações para sensibilizar...
Confira os vídeos da entrevista














