Risco de suicídio -

Canção de Maraisa sobre borderline causa repercussão e recebe análise técnica

A cantora Maraisa, que faz dupla com Maiara, gerou grande polêmica ao divulgar, em suas redes sociais, a música "Borderline". A canção provocou uma forte reação de pessoas diagnosticadas com o transtorno de personalidade borderline, que se sentiram ofendidas pela forma como a condição foi retratada. Entre as críticas, destacou-se a de Andressa Urach, que anunciou a intenção de denunciar a artista ao Ministério Público por psicofobia.

Para esclarecer a polêmica, a coluna Fábia Oliveira conversou com Taty Ades, especialista em Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), neuropsicóloga e escritora. Taty, que se tornou referência nacional ao criar o método terapêutico "costura", que visa à remissão do transtorno, explicou os impactos negativos que conteúdos como o da música de Maraisa podem causar.

Segundo a especialista, a letra da canção não só perpetua estigmas sobre o TPB, mas também pode ser prejudicial, representando um risco real para muitas pessoas. Embora a música tente soar como um alerta sobre relacionamentos difíceis, Taty a classificou como um exemplo de psicofobia, um preconceito contra pessoas com transtornos mentais. Ela ainda ressaltou que, ao associar o transtorno a comportamentos abusivos, a música propaga mitos que prejudicam tanto quem vive com o transtorno quanto quem busca compreendê-lo.

Foto: Reprodução instagramMaraisa

Taty também apontou que o TPB não deve ser tratado como um sinônimo de abuso ou manipulação, como sugere a canção. Ela alertou que esse tipo de abordagem pode agravar o sofrimento de pessoas com o transtorno, aumentando o risco de suicídio, já que muitos enfrentam sentimentos de culpa, vergonha e medo de rejeição. Segundo a especialista, alguns pacientes relatam ter crises de autolesão ou ideação suicida após se depararem com discursos preconceituosos como o da música.

Para Taty Ades, o uso do termo "borderline" como xingamento em brigas é não só antiético, mas desumano. Ela explicou que o transtorno exige escuta e cuidado, sendo uma condição clínica que precisa de tratamento adequado, como psicoterapia e, em alguns casos, apoio psiquiátrico. A especialista também enfatizou a importância da educação emocional e da empatia, alertando que músicas como a de Maraisa reforçam preconceitos e agravam o sofrimento de quem já enfrenta uma luta interna.

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