Expedição Sertão Colonial aborda importância de se preservar patrimônios do Piauí
A Expedição Sertão Colonial inicia nesta sexta-feira (18/01) com saída de Teresina e vai visitar municípios piauienses que guardam patrimônios históricos e culturais. Profissionais de diversas áreas que são apaixonados pela área, vão viver uma imersão com objetivo sensibilizar a sociedade sobre o patrimônio imaterial e material do nosso estado.
A expedição científica vai passar pelas cidades de Oeiras, Amarante, Campinas do Piauí, Simplício Mendes e Santo Inácio do Piauí, debatendo sobre políticas de conservação e proteção do patrimônio histórico, cultural, arqueológico e arquitetônico piauiense.
Arqueologia presente
Sobre esse tema, a professora da Universidade Federal do Piauí Conceição Lage, doutora em arqueologia, falou sobre a importância desse tipo de expedição.
"O desembargador Carlos Augusto conversou comigo também e perguntou se tinha patrimônio arqueológico nessas regiões, ali no entorno de Amarante, de Oeiras, de Campinas, e eu expliquei para ele que sim, que tem muito sítio arqueológico, e que tem sítios de todo tipo. Inclusive, serão visitados casarões, e esses também são considerados sítios arqueológicos históricos. Porque a Arqueologia é o estudo do patrimônio, de vestígios materiais do passado, e não importa a idade, pode ser do período histórico, pré-históricos, ou de contato mesmo, então a forma de estudar é que é diferente pela Arqueologia, que estuda os vestígios para tentar interpretar e entender o que aconteceu", explicou a professora.
Patrimônio pré-histórico
"Agora também patrimônio pré-histórico nessas cidades todas tem. Eu contei para ele a história que é muito famosa, que é muito conhecida de gravuras na cidade de Oeiras mesmo, que se chama Pé de Deus e Pé do Diabo. Inclusive a comunidade jogou pedras em cima da gravura que representava o Pé do Diabo, por conta que ser o diabo tem que jogar pedra. E hoje tem um círculo representativo desse local onde era essa gravura. Mas na realidade eram gravuras rupestres feitas por população que morava antes da chegada do colonizador. E como a população não sabia a origem, ela teve esse tipo de interpretação".
Importância da divulgação
"Eu acho que falta inclusive mais divulgação, eu acho que a gente tem que fazer um belo de um trabalho para divulgar a nossa riqueza, o nosso patrimônio. Aqui mesmo em Teresina, a começar pela Floresta Fóssil, eu acho que tem muito pouca gente que conhece a importância dessa Floresta Fóssil. Inclusive um colega que é paleontólogo, professor Ruan, que trabalha com a gente no departamento de Arqueologia aqui da UFPI, ele chama Teresina de 'a capital do Permiano', que é anterior aos dinossauros na Terra.
Teresina representa para a Paleontologia a capital desse período tão importante, porque ela tem essa formação Pedra de Fogo, que tem esses fósseis que não são conhecidos, que não tem em toda a parte, que são raros, e é interessante mesmo. E isso a gente precisa divulgar mais, aqui dentro do estado mesmo para que a comunidade, para que as autoridades, para que a populações em geral tenha orgulho disso e tenha interesse em preservar. A gente só gosta daquilo que conhece"
Políticas públicas
"Eu acho que, em primeiro lugar, a gente tem que inserir nos currículos das escolas, tem muitas escolas particulares que já fazem isso, mas acho que tem que ser em escolas públicas, tanto municipais quanto estaduais, essa divulgação. As crianças tem que saber da existência e o que isso representa, saber por exemplo que ali onde hoje tem o Teresina Shopping existiu uma floresta há 280 milhões de anos atrás, antes dos dinossauros viverem na terra. E que ela passou por esse processo de fossilização.
O importante é que os fósseis estão em posição de vida, estão na vertical, a floresta era ali, a gente pode falar dessa forma. Então as crianças tem que saber disso e tem que ter orgulho e querer preservar. Muita coisa já foi destruída. Então como política pública, em primeiro lugar é justamente essa divulgação da existência, porque a gente só vai querer preservar depois que a gente reconhecer a importância. Um importante meio de divulgação são as escolas e a gente pode muito bem fazer parcerias com as escolas.
Eu acho que como política pública, o importante é justamente isso, é buscar uma forma de divulgar, de cadastrar para proteger, tem que ter uma identidade, mas tem outras regiões que precisam ser retomados. Inclusive essas regiões que a gente vai, nós temos trabalhos de arqueólogos, temos trabalhos de dissertação de mestrado, de TCCs também que tratam dos sítios dessas regiões, tanto fazendas históricas, quanto de sítios arqueológicos", concluiu a professora Conceição Lage.
Importância para a sociedade
O 180também conversou com José Augusto, da Codevasf, segundo ele, a expedição tem uma importância muito grande para a sociedade.
"A gente vai mostrar para sociedade a importância que tem o rio Parnaíba para os piauienses e para os maranhenses, no primeiro trecho nós vamos fazer uma parada em amarante visitando os casarões e ao mesmo tempo mostrando o tanto da importância de preservar o rio Parnaíba, e nesse contexto a Codevaspi tem investido recursos na proteção das águas do rio Parnaíba", disse.
"Vamos estar de um modo geral amplo falando de Piauí não só de Oeiras, para todos os expedicionários, no sentido de chamar atenção para a preservação desse grande patrimônio histórico e posteriormente vamos ao grande objetivo da viagem, que é conhecer a primeira grande indústria de laticínios do estado do Piauí que fica na cidade de Campinas, que funcionou a contento até o ano de 1947, época em que o Piauí era o maior produtor de bovinos do pais, quando entrou em decadência em função da seca e por outras razões. Então essa expedição ela tem um contexto muito importante para o Piauí é um resgate dos valores culturais do nosso estado que pouca gente caro amigo conhece então precisa mostra a sociedade para as instituições o valor que o Piauí tem e representa para o Brasil", completou.
Confira a programação da expedição
18 de Janeiro
9:00h - Concentração no CEA em frente ao Teresina Shopping, com uma breve apresentação sobre o projeto do Parque Floresta Fóssil e outras ações, a cargo de Rubens Luna.
10:00h - Partida para Amarante
12h - Almoço no Lira Eco Parque
14h - Palestra do IPHAN sobre Patrimônio Arquitetônico de Amarante no Eco Parque
15h - Visita à Amarante (visita ao Casarão Odilon Nunes, a Escadaria para a foto oficial da Expedição Sertão Colonial, com breve apresentação do Comitê da Bacia do Rio Parnaíba)
16:30h - Partida pra Oeiras
18h - Reconhecimento e visita a prédios de Oeiras (Sobrado Major Selemérico e Museu de Arte Sacra)
19h - Abertura Geleia Total
20:30 - Palestra sob o título “Interpretação do Patrimônio Cultural”, proferida pelo Professor Stefano Ferreira, no Cine Teatro Oeiras.
22h - Jantar
19 de Janeiro
8h - Partida para Campinas do Piauí
9h - Santo Inácio do Piauí (visita ao Banheiro dos Padres Jesuítas)
10h - Visita a Fábrica de Lacticínios
12h - Almoço (Leitura e subscrição da Carta de Campinas do Piauí)
14h - Retorno a Teresina
14h30 - Simplício Mendes (Homenagem à memória do médico e humanista Dr. Isaías Coelho na praça que leva seu nome)















