
Flávio Bolsonaro apaga posts antigos em que chamava Bolsa Família de “bolsa-farelo”
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apagou publicações antigas de seu perfil na rede social X, antigo Twitter, nas quais criticava o Bolsa Família e acusava o programa de transferência de renda de ser utilizado para fins eleitorais. As mensagens, publicadas entre 2010 e 2011, foram identificadas após a comparação com um arquivo de postagens do senador.
Em uma publicação de novembro de 2011, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio chamou de “bolsa-farelo” o programa Renda Melhor, iniciativa estadual que complementava o benefício federal. Na ocasião, ele afirmou ter sido o único voto contrário ao projeto na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e classificou a proposta como clientelista.
Em outras mensagens, o senador questionou a utilização do Bolsa Família e sugeriu que o benefício influenciava o comportamento eleitoral da população. Ele também publicou críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), com o qual disputa o segundo turno da eleição presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva.

A exclusão das publicações foi identificada após o jornal Estado de S. Paulo arquivar, em junho, as mensagens publicadas por Flávio na plataforma. Procurada por e-mail na terça-feira (20), a campanha do candidato não respondeu até a publicação da reportagem.
Publicações repercutem nas redes sociais
A retirada das mensagens passou a ser utilizada por aliados de Lula para questionar o posicionamento de Flávio Bolsonaro em relação ao programa social. O perfil oficial do PT no X publicou críticas ao senador e afirmou que as mensagens antigas contradizem sua posição atual.
A repercussão também ocorre após declarações de Daniella Marques, coordenadora-geral do plano de governo de Flávio, sobre uma proposta relacionada ao período de recebimento do Bolsa Família por pessoas que conseguem aumentar a renda.
Proposta prevê ampliar regra de proteção
Daniella afirmou que, caso Flávio seja eleito presidente, a proposta é ampliar de 18 para 24 meses o período em que beneficiários que conseguem emprego formal ou abrem um negócio podem continuar recebendo parte do benefício.
Atualmente, a regra de proteção permite que famílias cuja renda ultrapasse o limite de entrada no programa continuem recebendo 50% do valor do Bolsa Família durante um período determinado, desde que cumpram os critérios estabelecidos.
Após a repercussão, Flávio e Daniella publicaram vídeos nas redes sociais negando as acusações de que pretendem prejudicar os beneficiários. Ambos defenderam que a proposta busca incentivar a entrada no mercado de trabalho, permitindo que as famílias mantenham parte do auxílio durante a transição para uma renda maior.











