• Mortes causadas por Covid-19 caem de 57% no Piauí

    Os números do Boletim Epidemiológico da 2ª semana de 2023 – 08 a 14 de janeiro – registraram uma queda de 21% nos casos de Covid-19. Os óbitos, em decorrência da doença, também apresentaram queda de 57%.

    Nos últimos sete dias a média móvel ficou em 224 casos. Com relação às mortes, pelas complicações da doença, a média móvel de óbitos pelo coronavírus ficou em 01 registro.

    O número de pacientes internados em UTIs continua caindo e na segunda semana de 2023 chegou a 9. Na semana anterior eram 10 leitos ocupados. A ocupação de leitos clínicos teve uma leve alta, passando de 14 para 15.

    Uso de máscaras facultativo

    Por conta da queda nos casos, o Centro de Operações Emergenciais (COE), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), decidiu facultar o uso de máscara em ambientes abertos, fechados e semiabertos. O Comitê levou em consideração os últimos dados da covid-19, que apontam queda no número de casos e óbitos no Piauí. A orientação é manter os cuidados com a higienização das mãos e atualizar o ciclo vacinal contra a doença.

  • Sesapi alerta população para necessidade de completar esquema vacinal contra a Covid-19

    O Comitê de Operações Emergenciais (COE) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) decidiu tornar facultativo o uso de máscaras no estado. A decisão foi tomada baseada em dados epidemiológicos que apontam redução de óbitos e novos casos da covid-19. Porém, a Sesapi se mantém vigilante em relação à vacinação, principalmente sobre a necessidade da população completar o esquema vacinal.

    Brasil registra 38,4 mil novos casos de covid-19 em 24 horas
    Sesapi alerta população para necessidade de completar esquema vacinal contra a Covid-19

    Levantamento realizado pela Coordenação de Imunização da Sesapi aponta que apenas 40,26% da população acima de 18 anos completou o esquema vacinal com as duas doses de reforço. O grupo de 12 a 17 anos encontra-se com uma taxa de 46% de primeira dose de reforço aplicada.

    Conforme a coordenação, no Piauí a faixa etária a partir de 18 anos possui 2.402.806 pessoas aptas a receber as vacinas, desse total 2.326.316 tomaram a primeira dose (96,81%) e 2.203.830 receberam a segunda dose (91,71%). Já com o primeiro reforço estão 1.773.216, quantidade equivalente a 73,79% desse público, e com o segundo reforço, dose essencial para completar o esquema vacinal, estão apenas 967.592 piauienses (40,26%).

    Na população de 12 a 17 anos, o público estimado é de 318.135 pessoas, sendo que 303.565 tomaram a primeira dose (95%) e 270.660 a segunda dose (85%). Por outro lado, no esquema de reforço apenas 147.161 (46%) completaram o esquema vacinal com a primeira.

    “É inegável que as vacinas têm um grande impacto na redução dos números de caso, internações e óbitos. “A Sesapi pede que a população procure os postos de saúde para colocar seu esquema vacinal em dia. A flexibilização de medidas, como o uso facultativo de máscaras, depende diretamente da queda dos números de casos, internações e óbitos, tendo em vista a comprovação da influência das vacinas nos dados epidemiológicos”, explicou a superintendente de Atenção à Saúde e Municípios, Leila Santos.

    Leila Santos solicita ainda a colaboração dos municípios para manter atualizado os registros de doses aplicadas, além de fortalecer as estratégias de imunização da sua população. “Desde o início da pandemia, os gestores municipais foram parceiros da Sesapi em todas as medidas de combate a doença, e mais uma vez contamos com esse apoio para avançarmos ainda mais na imunização dos piauienses”, afirmou.

  • China admite 60 mil mortes por Covid após críticas por subnotificação

    A China registrou cerca de 60 mil mortes relacionadas à Covid-19 em pouco mais de um mês, informou o regime comunista neste sábado (14/1). Esse é o primeiro grande número de mortes publicado oficialmente desde o mês passado, quando o país suspendeu a política de Covid zero.
    Segundo a Comissão Nacional de Saúde, 59.938 pessoas morreram entre 8 de dezembro e 12 de janeiro. Dessas, 5.503 teriam morrido por insuficiência respiratória proporcionada pelo coronavírus e 54.435 por doenças combinadas com a Covid. Mais de 90% das vítimas mortais tinham mais de 65 anos e a maioria já sofria de doenças subjacentes -a idade média dos mortos é de 80,3 anos.
    O número divulgado neste sábado difere daqueles publicados recentemente pelo regime. Desde dezembro, autoridades deixaram de anunciar os números de infectados e mortos diariamente e, quando comunicavam, os óbitos nunca passavam de cinco. Os dados, aliás, eram vistos pela comunidade internacional como inconsistentes, já que no mesmo período imagens mostravam funerárias movimentadas e sacos de cadáveres saindo de hospitais lotados.
    Ainda neste sábado, Jiao Yahui, funcionário da Comissão Nacional de Saúde, disse a jornalistas que as hospitalizações de emergência por Covid atingiram o pico na China e que o número de pacientes hospitalizados com a doença vem diminuindo.
    "Em todo o país, o número de pacientes de clínicas de febre está em tendência de declínio, tanto nas cidades quanto nas áreas rurais", disse. Ele acrescentou que o número de infectados com a doença também vem caindo, assim como os casos graves -o último, porém, segue alto e acomete principalmente idosos.
    Nesta semana, aliás, uma autoridade do regime desencorajou a população a visitar parentes idosos durante o Ano-Novo Chinês, que começa no próximo dia 22 e vai até 5 de fevereiro. "Vocês têm diversas maneiras de mostrar que se importam com eles. Não precisam, necessariamente, levar o vírus para suas casas", afirmou nesta quinta-feira (12/1) Guo Jianwen, membro do Conselho de Prevenção da Pandemia no país, citado pelo jornal britânico The Guardian.

  • Covid segue em estabilidade no Piauí mesmo com represamento de casos

    Após algumas semanas em queda, o Piauí voltou a ficar em estabilidade no número de casos de covid-19, em virtude do represamento de dados em alguns municípios, que só agora foram colocados no sistema. A variação negativa, em relação aos últimos 14 dias, agora é de 8%. A média móvel de 7 dias contabilizou 333 casos, contra 216 da semana anterior.

    Dos novos casos registrados, 67,5% são referentes ao período de janeiro a setembro de 2022, onde os municípios só encerraram as notificações agora. Já a variação de óbitos por Covid nos últimos 14 dias teve uma redução de 80%.

    O represamento impacta também na taxa de transmissibilidade que passou a ser de 1.16. Na semana anterior o índice era de 0,71.

    Leitos

    O número de pacientes internados em UTIs continua caindo e agora e na primeira semana de 2023 chegou a 10. Na semana anterior eram 18 leitos ocupados. A ocupação de leitos clínicos também caiu de 24 para 14.

    “Infelizmente esse represamento atrapalha o diagnóstico real da Covid, mas mesmo assim continuamos em situação de estabilidade. É importante que os municípios atualizem o sistema em tempo real para termos um panorama de momento”, afirmou o secretário de saúde, Antonio Luiz.

  • Saúde compra Coronavac para vacinação infantil na próxima semana

    O Ministério da Saúde assinou um aditivo para mais 750 mil doses do imunizante do Instituto Butantan contra a Covid-19.

    Foto: DIVULGAÇÃO

    Segundo a pasta, um novo contrato deve ser assinado nos próximos dias, totalizando 2,6 milhões de doses da Coronavac.

    As vacinas serão utilizadas para dar sequência à imunização de crianças de 3 a 11 anos.

    SECRETÁRIA CITOU DESABASTECIMENTO DE VACINAS INFANTIS
    "Recebemos o ministério com desabastecimento de vacinas pediátricas. Vamos tentar negociar melhor, mas a previsão de chegada é no final de janeiro", afirmou Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente

    A confirmação foi feita em entrevista coletiva nesta sexta-feira (6). Ela também disse que o Ministério da Saúde negocia antecipar a chegada de novas doses da Pfizer até o final de janeiro.

    As vacinas aguardadas são referentes a um contrato já assinado pela gestão anterior pelo governo Jair Bolsonaro (PL).

    Segundo a secretaria, a pasta tenta antecipar a chegada de: 3,2 milhões de doses para crianças 6 meses a 4 anos; e cerca de 4,5 milhões de doses para crianças de 5 a 11 anos.

  • Entenda o risco que a variante XBB.1.5 pode trazer para o Brasil

    A nova variante do coronavírus, responsável pelo aumento recente de casos nos Estados Unidos, já chegou ao Brasil.

    O primeiro caso foi identificado na última quarta (4), mas é provável que a XBB.1.5 já esteja circulando pelo país, segundo especialistas. Ela foi considerada a mais transmissível até agora pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

    A XBB.1.5 está se espalhando rapidamente principalmente em lugares em que a cobertura vacinal de quarta dose (ou segundo reforço) está baixa. Por isso, o Brasil deve estar alerta para uma possível subida de casos nos próximos dias.

    A reportagem procurou o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para saber medidas de proteção e ações estratégicas de vigilância da XBB.1.5 no país, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.

    Segundo o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, a variante é mais transmissível por apresentar uma mutação na proteína S (ou espícula, utilizada pelo vírus para entrar nas células do hospedeiro) que gera mais afinidade ao receptor na célula, chamado ECA2 (enzima conversora da angiotensina 2). "Essa mutação leva a maior transmissibilidade, replicando no organismo humano com mais eficiência", afirma.

    A XBB.1.5 surgiu de uma recombinação de duas subvariantes da BA.2 da ômicron e chegou a 40,5% das amostras do vírus sequenciadas nos EUA até o dia 31 de dezembro, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano.

    Por aqui, embora as análises de sequências sejam feitas em menor escala, a variante dominante continua sendo a BQ.1 e suas descendentes. É provável, porém, que a XBB.1.5 também consiga superar a BQ.1 dada a sua capacidade de espalhamento.

    Ainda de acordo com Croda, como neste período de férias muitas pessoas viajam para fora do país, especialmente para EUA e países da Europa, uma ação nos aeroportos para monitorar a sua disseminação deveria ser implementada. "A vigilância genômica adequada ajuda a identificar sempre que necessário a introdução de novas variantes e monitorar a circulação delas."

    Além da preocupação sobre a velocidade com que ela se dissemina, a variante traz mutações com o chamado escape imunológico, isto é, quando ela consegue driblar a proteção de anticorpos conferida por vacinação ou infecção prévia.

    Em um estudo publicado na revista científica Cell no dia 13 de dezembro, quando testada com o plasma de pessoas que receberam a vacinação de três ou quatro doses de imunizantes ou de pessoas infectadas por outras cepas da ômicron, o nível de anticorpos neutralizantes contra a XBB.1.5 foi bastante reduzido. O mesmo ocorreu quando foram testados os anticorpos monoclonais, como aqueles usados para tratar doentes graves, contra a variante, demonstrando um efeito muito abaixo do esperado.

    É importante, porém, lembrar que a proteção de anticorpos é uma, mas não a única forma de defesa do sistema imune, lembra Helena Lage, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP.

    De acordo com ela, as vacinas, principalmente as bivalentes, que contêm a cepa ancestral do vírus e as variantes da ômicron em sua formulação, ainda conseguem oferecer uma alta proteção, especialmente contra hospitalizações e óbitos.

    "A vacina bivalente vai oferecer uma melhor proteção contra essa e outras variantes, mas outras formas de proteção como anticorpos que não sejam de neutralização e a própria imunidade celular também são importantes para proteger os pacientes de desenvolver a doença grave e morte", diz.

    Em relação ao quadro clínico e sintomas, ainda não há dados do CDC ou da OMS que confirmem se a XBB.1.5 tem alguma alteração em relação às outras sublinhagens da ômicron. "Em alguns locais dos EUA houve uma pressão nos hospitais com aumento de hospitalizações, mas não temos ainda dados que ajudem a entender se é por causa de um aumento de infecções em decorrência das aglomerações de final de ano ou se é relacionado à variante", explica ela.

    Lage afirma que seria indispensável que as vacinas bivalentes já aprovadas pela Anvisa fossem oferecidas à população quanto antes. "Como elas têm um componente das novas variantes elas protegem contra essas e outras que podem surgir."

    A mesma visão é compartilhada por Croda, da Fiocruz. "As bivalentes são superiores em relação às fórmulas tradicionais no que diz respeito à proteção de doença sintomática e também na duração dessa proteção. Então por mais que agora esteja em um momento de queda nos casos e de estabilidade na média móvel, não sabemos se é fluxo ainda do final do ano, mas, se essa variante vier a substituir a BQ.1, como ocorreu em outros lugares, precisamos das vacinas atualizadas.

  • Nova variante XBB.1.5 é a mais transmissível já identificada até agora, afirma OMS

    A identificação de uma nova variante do coronavírus que pode estar por trás do aumento de casos de Covid nos Estados Unidos acende um alerta para o resto do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Chamada XBB.1.5, ela é descendente da XBB, e já foi identificada em pelo menos 29 países. Nos EUA, ela substituiu as variantes da ômicron BA.5 e BQ.1, chegando a representar mais de 75% das amostras de alguns locais do país, como Nova York.

    Em uma apresentação do grupo técnico da OMS nesta quarta (4), a epidemiologista e responsável pelo grupo de Covid da entidade, Maria van Kerkhove, disse que "a variante é a mais transmissível até agora devido às mutações que acumulou" e que possui um escape imunológico, isto é, ela consegue fugir da imunidade conferida por vacinas e infecção prévia.

    De acordo com a epidemiologista, o comitê técnico da OMS se reuniu na última terça (3) para discutir a alta de casos de Covid na China, mas acabou discutindo também a rápida dispersão da XBB.1.5, que já demonstra sinais de preocupação ao comitê.

    "Quanto mais esta variante circular, mais oportunidades terá de mudar, e com isso esperamos novas ondas de infecção em todo o mundo, embora ainda não tenhamos indicação sobre o potencial de gravidade ou quadro clínico", afirmou.
    Kerkhove disse ainda que a XBB.1.5 pode estar crescendo em diversos países do mundo, mas que a demora em processar as amostras dificulta a dimensão do cenário. Ela afirmou que há uma clara vantagem de crescimento da variante no nordeste dos Estados Unidos, onde ela conseguiu se tornar dominante em comparação a outras variantes.

    Em um estudo publicado no dia 13 de dezembro na revista especializada Cell, cientistas alertam para o escape de anticorpos de subvariantes das linhagens BQ e XBB, incluindo a BQ.1, que foi identificada no Brasil em outubro, e a XBB.1, que deu origem à variante em circulação.

    De acordo com a pesquisa, que inclui cientistas da Universidade Columbia e da Universidade de Michigan (ambas dos EUA), o nível de anticorpos em pessoas que receberam três ou quatro doses de vacinas produzidas contra o vírus original de Wuhan (cidade chinesa na qual o coronavírus foi identificado inicialmente) e aquelas vacinadas com bivalentes adaptadas para a ômicron foi praticamente zero contra a XBB.1.

    Os casos chamados de escapes vacinais com as variantes BA.4 ou BA.5 da ômicron também não conseguiram impedir uma nova infecção pela XBB.1.

    A mesma preocupação apareceu com os anticorpos monoclonais, terapia utilizada para tratar doentes graves com Covid, que praticamente não surtiram efeito contra as variantes.

    "A evolução rápida de novas subvariantes [de BQ.1 e XBB.1] e o acúmulo de mutações que elas possuem, especialmente na proteína S [espícula usada pelo vírus para invadir as células] são semelhantes ao que vimos quando surgiu pela primeira vez a ômicron no início de 2021, levantando assim o alerta de como elas podem prejudicar a eficácia das vacinas contra Covid atuais e de terapias monoclonais", escreveram os autores do artigo.

  • Casos e transmissibilidade da covid-19 continuam em queda no Piauí

    Os casos de covid-19 continuam caindo no Piauí. Segundo o boletim epidemiológico da 52ª semana (25 a 31 de dezembro), divulgado nesta terça-feira (3) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), a média móvel dos últimos 7 dias foi de 216 casos. Na semana anterior, a média estava acima de 300 casos (304). A variação nos últimos 14 dias aponta uma queda de 45% no número de casos.

    Os óbitos no Piauí causados pela doença também seguem em queda. A média móvel dos últimos 7 dias chegou a 1 óbito, contra 3 da semana anterior. A variação nos últimos 14 dias é de uma queda de 47%.

    O índice de transmissibilidade da covid também continua em queda. Na 52ª semana o registro foi de 0,71, contra 0,78 da 51ª Semana. Esse índice já foi de 1.43 na 50ª semana.

    “Os números são extremamente satisfatórios, já que estamos saindo das festas de fim de ano. A população abraçou as medidas adotadas pelo governo para evitar a disseminação do vírus, como o uso de máscaras em ambiente fechado”, afirmou o secretário de Saúde, Antonio Luiz.

    A taxa de positividade dos testes RT-PCR teve uma queda expressiva na 52ª semana, chegando a 5,5%. Na semana anterior, o índice estava em 27%.

    “Precisamos continuar tomando os cuidados e não esquecer de tomar a vacina. É muito importante estar com todas as doses em dia para que essa realidade de queda nos casos continue em nosso estado. O Piauí é o estado que mais vacina e assim vamos trabalhar para manter esse grande feito”, concluiu o secretário.

    Por fim, o boletim mostra que as internações pela covid estão em estabilidade, sendo que a ocupação dos leitos clínicos caiu de 27 para 24 internados. Nas UTIs, a ocupação passou de 22 para 18 pacientes nas duas últimas semanas.

  • Após 3 anos, origem do vírus da Covid segue nebulosa

    A última cena do filme "Contágio" (2011) ilustra o caminho percorrido pelo fictício vírus que causou uma pandemia na obra cinematográfica. Um morcego carrega um pedaço de banana, e a fruta cai em uma espécie de abatedouro. Então, um porco a coloca na boca.

    Depois, já morto em um restaurante, o porco é preparado por um cozinheiro que, em certo momento, enfia seu dedo na boca do animal. Ele não limpa bem suas mãos antes de cumprimentar uma cliente interpretada pela atriz Gwyneth Paltrow. É ali que começa a infecção entre humanos.

    Foto:Teresina apresenta aumento no número de casos confirmados de covid-19
    Após 3 anos, origem do vírus da Covid segue nebulosa

    O trecho demonstra a complexidade que é determinar como ocorre a passagem de um vírus para uma nova espécie de ser vivo, como é o caso do Sars-CoV-2 com os humanos. De forma geral, o curso ocorre como é mostrado no filme: o início da transmissão de um patógeno em que um microrganismo já existente na natureza salta entre animais até chegar aos humanos.

    No caso do novo coronavírus, uma suposição inicial era de que um pangolim fosse um elo intermediário que permitiu ao vírus avançar de outros animais para humanos. Apesar da venda do animal ser ilegal, ela é comum nos mercados chineses -incluindo em Wuhan, cidade onde os primeiros casos de Covid-19 foram registrados, no fim de 2019.

    Mesmo sendo a hipótese mais realista, dúvidas foram postas, em especial por conta do laboratório de virologia de Wuhan. Uma das teorias era que o Sars-CoV-2 estivesse sendo estudado neste centro e, de lá, tivesse vazado.

    Essa suposição era inicialmente relegada a uma teoria da conspiração. No entanto, ela começou a ser considerada como uma possibilidade real. Investigações jornalísticas em veículos de peso foram feitas. Relatos de pneumonia entre trabalhadores do laboratório dias antes dos primeiros relatos oficiais da Covid-19 engessaram as suspeitas.

    Outra questão era sobre a transparência: os chineses não compartilhavam muitas informações e, então, surgiu a pergunta se as autoridades do país asiático tentavam esconder algo.

    Outra desconfiança, essa ainda mais conspiratória, era que os chineses estivessem trabalhando para aumentar o grau de patogenicidade do Sars-CoV-2, tipo de ensaio chamado de experimento para ganho de função. Em certos nichos, acreditava-se até que a introdução do vírus em humanos foi de propósito.

    Em outubro de 2021, a OMS (Organização Mundial da Saúde) organizou um estudo na tentativa de dar um ponto final nessa discussão. Mas não foi o que aconteceu. O relatório da expedição apontava que, provavelmente, um morcego era o repositório ancestral do vírus. Então, o patógeno infectou um mamífero comercializado no mercado de Wuhan.

    O problema é que, em razão dos poucos dados, a equipe não concluiu como o patógeno se espalhou entre humanos, deixando ainda em aberto uma brecha para a teoria do vazamento do laboratório.

    Mesmo que a aposta da OMS não tenha tido os resultados esperados, outras pesquisas já entregam melhores informações sobre a possível origem do vírus. Em larga medida, a teoria mais aceita é a de que a pandemia teve início no mercado de frutos do mar de Wuhan.

    Um estudo publicado em julho na Science indica que o primeiro epicentro de transmissão do Sars-CoV-2 foi no mercado. Se o vírus tivesse vazado do laboratório, espera-se que as transmissões iniciais partissem de lá.

    Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI, um projeto de laboratórios que sequencia os genomas de amostras do Sars-CoV-2 no Brasil, explica que a teoria do vazamento não é muito plausível.

    "Primeiro porque não vimos transmissão a partir [dos casos de pesquisadores do laboratório de Wuhan que apresentaram pneumonia]. Outra coisa é que ela trabalha com uma coincidência acidental", diz.

    A teoria do experimento de ganho de função que supostamente teria sido realizado pelos chineses também é rebatida. Essa suposição era baseada numa propriedade da proteína spike do Sars-CoV-2 que aumentava a transmissibilidade e a virulência do patógeno.

    A questão era que, até então, essa propriedade não era documentada em outros tipos de coronavírus. Por isso, levantou-se a hipótese de que a capacidade só poderia ter sido conferida por meio de experimentos em laboratório.

    No entanto, pesquisas mais recentes já observaram essa característica em vírus encontrados em animais na região de Laos, no Sudeste Asiático. "A base molecular para que exista um vírus parecido com Sars-CoV-2 já começa a ser demonstrado na natureza pela presença de vírus semelhantes em morcegos", explica Spilki.

    Para ele, essas novas evidências são indicativos de que o Sars-CoV-2 se formou na natureza e, para infectar os humanos, deve ter passado por recombinações com vírus mais próximos da nossa espécie.

    Mas algo que ainda suscita dúvidas é o caminho exato de animal para animal de modo que, enfim, o Sars-CoV-2 tenha chegado aos humanos. "Nós não conhecemos toda a teia", resume o virologista.

    Outra questão em aberto é sobre o paciente zero. O virologista diz que esse ponto continua sem resposta definitiva, havendo até a chance de introduções simultâneas da infecção em humanos.

    Mesmo com essas dúvidas, a teoria de uma origem natural do vírus já enseja o debate sobre como degradações ambientais trazem maior risco para emergências de saúde pública. O filme "Contágio" é um exemplo para isso. Na obra, é mostrado que um trator derruba uma árvore. Por isso ter acontecido, o morcego, que é o provável reservatório do vírus na obra, sai voando e inicia o ciclo de passagem entre espécies, até infectar humanos.
    Para o vírus que causa a Covid-19, o pontapé pode ter sido semelhante ao que vimos nas telas do cinema. "Esse tipo de desordem [ambiental] parece ter sido o início do processo que traz vírus, como o Sars-CoV-2, [para os humanos]", conclui Spilki.

  • Brasil registra 38,4 mil novos casos de covid-19 em 24 horas

    O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (28/12) novos números da pandemia de covid-19 no país. De acordo com levantamento diário feito pela pasta, o Brasil registrou, em 24 horas, 38,4 mil novos casos da doença e 363 óbitos.

    Desde o início da pandemia, o país acumula 36,2 milhões de casos confirmados da covid-19 e 693,5 mil mortes registradas. O número de pacientes recuperados soma 34,8 milhões.

    O estado de São Paulo tem o maior número de registros de covid-19 e de mortes em consequência da doença – 6,3 milhões de casos e 177,3 mil óbitos. Em seguida, aparecem Minas Gerais (4 milhões de casos e 64,4 mil óbitos); Paraná (2,8 milhões de casos e 45,6 mil óbitos) e Rio Grande do Sul (2,8 milhões de casos e 41,4 mil óbitos).

    Vacinação

    Segundo o vacinômetro do Ministério da Saúde, 497,8 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 já foram aplicadas no país, sendo 181,4 milhões da primeira dose e 163,9 milhões da segunda, além de 102,4 milhões da primeira dose de reforço e 40 milhões do segundo reforço. 

Carregar mais