Em Goiás -

Pedreiro que matou ex-sogros na véspera de Natal é condenado a 89 anos

A Justiça de Goiás condenou, nessa quarta-feira (17/06), o pedreiro Milton Pereira a 89 anos, 3 meses e 10 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato dos ex-sogros, crime ocorrido dias antes do Natal de 2024, no município de Cristalina. A sentença foi proferida após cerca de 36 horas de julgamento pelo Tribunal do Júri. Com informações do Metrópoles.

Milton foi condenado pelos crimes de feminicídio, homicídio qualificado, fraude processual, adulteração de sinal identificador de veículo e violência psicológica contra a mulher. As investigações apontaram que ele matou a ex-sogra, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e o ex-sogro, Mário Domingos, de 59 anos, com diversos golpes de facão, na noite de 23 de dezembro de 2024, no Assentamento Vista Alegre.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), antes de cometer os assassinatos, o condenado interrompeu o fornecimento de energia elétrica da residência das vítimas para dificultar qualquer reação e impedir que câmeras de segurança registrassem a ação. A motivação do crime estaria relacionada ao fim do relacionamento com Maísa Batista Martins, filha de Maria, decisão que teria sido apoiada pela mãe da mulher.

Foto: ReproduçãoPedreiro que matou ex-sogros na véspera de Natal é condenado a 89 anos

De acordo com o MPGO, Mário Domingos foi morto para garantir a execução do feminicídio e impedir que se tornasse testemunha do crime. A investigação também revelou que, entre os dias 19 e 23 de dezembro de 2024, Milton enviou mensagens à então companheira com conteúdo de chantagem emocional e vitimização, na tentativa de evitar o término da relação.

Os jurados reconheceram que essas condutas configuraram violência psicológica contra a mulher em continuidade delitiva, uma vez que os atos ocorreram em quatro ocasiões distintas. Após os homicídios, conforme a denúncia, Milton e o comparsa Cleiton Vieira Costa retiraram a placa da motocicleta utilizada na ação e lavaram o veículo e as roupas usadas no crime para dificultar as investigações.

Cleiton também foi denunciado como coautor dos homicídios. No entanto, após recurso apresentado pela defesa, o processo foi desmembrado e ele será julgado separadamente em data ainda a ser definida pela Justiça.

Durante o julgamento, o promotor Diego Henrique afirmou que o crime foi premeditado e destacou a frieza do condenado. A sentença também apontou elevado grau de reprovabilidade da conduta, ressaltando que Milton chegou a visitar a família das vítimas na manhã seguinte aos assassinatos para desejar feliz Natal, mesmo após cometer os crimes.

Na dosimetria da pena, Milton recebeu 61 anos, 1 mês e 10 dias de prisão pelo feminicídio; 23 anos e 4 meses pelo homicídio qualificado; 4 anos pela adulteração de sinal identificador de veículo; e 10 meses pela violência psicológica contra a mulher, além de 8 meses de detenção por fraude processual, pena que será cumprida após o término da reclusão. Preso desde janeiro de 2025, ele permanecerá em regime inicial fechado.

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