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Operação Aleatorius: Justiça mantém apreensão de R$ 712 mil e caminhonete do Poti da Sorte

A Justiça Federal decidiu manter a apreensão de R$ 712.620 em dinheiro e de uma Chevrolet S10 LTZ, avaliada em aproximadamente R$ 170 mil, recolhidos durante a Operação Aleatorius, que investiga a atuação da empresa AFC Promoção de Vendas Ltda., responsável pelo Poti da Sorte. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (27/07) pelo juiz Gustavo André, da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí.

Ao analisar o pedido de restituição apresentado pela defesa do gerente financeiro da empresa, Diogo Henrique, o magistrado concluiu que não há elementos capazes de comprovar a origem lícita dos bens. Para a Justiça, os autos reúnem indícios de que os recursos possam estar ligados à prática de lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e exploração ilegal de jogos de azar.

Foto: Divulgação/AscomPoti da Sorte

A defesa sustentou que os mais de R$ 712 mil seriam utilizados para ressarcir clientes que compraram 35.631 cartelas do sorteio programado para o dia 8 de fevereiro, mesma data em que a Polícia Federal realizou a operação. Também foi solicitada a devolução da caminhonete, sob a alegação de que o veículo era indispensável para as atividades profissionais do gerente.

Em manifestação encaminhada ao processo, a Polícia Federal se posicionou contra a devolução dos bens. As investigações apontam que R$ 630.100 foram encontrados escondidos em uma mala, dentro de um guarda-roupa na residência de Diogo Henrique, enquanto outros R$ 195.500 estavam em uma caminhonete estacionada no condomínio onde ele mora, em Teresina. Segundo depoimentos colhidos pelos investigadores, o dinheiro correspondia à arrecadação das vendas das cartelas realizadas na véspera do sorteio.

Na decisão, o juiz destacou que a movimentação de elevados valores exclusivamente em espécie, sem passagem pelo sistema bancário, dificulta o rastreamento da origem dos recursos e reforça as suspeitas levantadas pela investigação. A Polícia Federal afirma que a empresa movimentava cerca de R$ 320 mil por semana fora do sistema financeiro oficial e ainda apura a destinação de parte dos valores arrecadados.

Sobre a caminhonete, o magistrado considerou incompatível a aquisição de um veículo avaliado em R$ 170 mil com a remuneração mensal de R$ 6.500 informada pelo gerente na época da compra. Também observou que o automóvel já possui autorização judicial para utilização pela Polícia Federal, o que garante sua conservação e afasta o argumento de risco de deterioração.

A Operação Aleatorius foi deflagrada em fevereiro deste ano e cumpriu mandados de busca e apreensão no Piauí, Ceará e Pernambuco. A ação resultou na apreensão de aproximadamente R$ 850 mil em dinheiro, veículos e aparelhos celulares, além da suspensão das atividades da empresa. Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes contra a ordem tributária e contravenção relacionada à exploração de jogos de azar.

Com a decisão, o dinheiro e a caminhonete permanecerão sob custódia da Polícia Federal até o andamento das investigações e eventual decisão definitiva da Justiça.

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