Reforma da previdência -

Economista do BNDES diz que não há injustiça social na regra de idade mínima

Boa parte dos brasileiros já se aposenta por idade, isto é, aos 65 anos. Por conta dessa tendência, a regra proposta pela reforma da Previdência – que estabelece essa idade como a mínima para aposentadoria – não vai representar grandes mudanças para a população. A afirmação é do superintendente na área de Planejamento e Pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Fabio Giambiagi, durante seminário sobre a reforma da Previdência, realizado nesta segunda-feira (10/04).

O evento contou com palestras de economistas e representantes do governo federal, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira; e o secretário de Previdência, Marcelo Caetano. Em sua apresentação, Giambiagi fez uma breve radiografia dos benefícios que seriam alcançados com a adoção das novas regras propostas pelo governo e demonstrou estudos que embasam as principais medidas que estão sob análise.

O economista considera que a regra de aposentadoria por idade mínima, aos 65 anos, com 25 anos de contribuição, é “absolutamente natural”, que não há injustiça social e que aquilo que é proposto no Brasil, em termos de benefício à população, é superior em comparação a outros países. “Quem chegar a essa idade com o tempo de contribuição necessário terá direito a 76% da média de contribuições. Essa é uma taxa elevada em termos mundiais”, afirma.

A PEC da reforma estabelece que cada ano de trabalho após os 65 anos garante mais 1% da média das contribuições no valor da aposentadoria. Nas regras atuais, de acordo Giambiagi, com um ano a mais de trabalho, o cidadão recebe de 6% a 7% no valor da aposentadoria. “Mesmo assim, é comprovado que elas preferem e optam por se aposentar mais cedo. Ou seja, essa regra não traz grandes mudanças”, declara o economista.

Despesa crescente

Giambiagi apresentou, também, dados que demonstram que o Brasil vai na contramão da tendência mundial. Enquanto em outros países os gastos com aposentadorias é proporcional à população idosa, aqui, a despesa é maior do que o esperado do perfil demográfico brasileiro. “O Brasil é o único país jovem que gasta muito com previdência, e isso é discutido há 30 anos. A despesa com o INSS [Instituto Nacional de Seguro Social] era de 2,5% do PIB. Neste ano, vai ser de 8,5%. Historicamente, há um crescimento praticamente contínuo desse índice”, alerta.

Além disso, os gastos com Previdência, de acordo com o economista, só tendem a crescer, porque o perfil populacional do Brasil está mudando. De acordo com informações da Secretaria de Previdência, até 2050, a população de idosos no País deve triplicar. “É uma realidade cada vez mais onerosa e que ameaça áreas sociais. Em função do crescimento dessa despesa, os investimentos em educação, saúde e programas como Bolsa Família serão reduzidos.”

Fonte: Portal Brasil

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