
Saibam quem são os “Marajás” do SAAE de Campo Maior
O SAAE de Campo Maior tem sido alvo de críticas por falhas no abastecimento de água e pelo serviço prestado à população. Enquanto o sistema, baseado em poços, se encontra em colapso — deixando moradores com torneiras secas, água de má qualidade e contas das mais caras do nordeste —, servidores da autarquia recebem salários que chegam a R$ 13 mil brutos por mês. Os dados constam na folha de pagamento de junho de 2025.
Altos salários em contraste com o colapso do sistema
Entre os servidores, chamam atenção os valores:
- Kelly Mororo, técnica administrativa – R$ 13.062,66 brutos.
- Lúcia Machado, técnica administrativa – R$ 11.452,67 brutos.
- Luís Monte, técnico operacional – R$ 10.952,67 brutos.
- Gilberto Araújo, técnico operacional – R$ 9.667,50 brutos.
- Antônio Carlos, técnico administrativo – R$ 9.595,89 brutos
Esses salários ultrapassam a casa dos R$ 10 mil em alguns casos, contrastando com a realidade de uma população que convive diariamente com a precariedade no serviço essencial.
Debate sobre a concessão da água
O futuro da água em Campo Maior está no centro de um debate político e social. Em outubro de 2024, o Governo do Estado realizou a concessão dos serviços de água e esgoto em 224 municípios do Piauí para a empresa Aegea, vencedora de leilão de R$ 1 bilhão, com investimentos previstos de R$ 8,6 bilhões nos primeiros 10 anos.
Na Câmara Municipal, o vereador Devan Eugênio (PT) expôs os altos salários pagos pelo SAAE, destacando a incoerência entre os grandes ganhos de servidores e a precariedade do sistema que deveria garantir água de qualidade à população.
Ainda assim, em Campo Maior, vereadores aprovaram recentemente uma lei que veda a extinção do SAAE ou a concessão de seus serviços sem autorização legislativa específica. O projeto foi aprovado em 19 de agosto de 2025 e reforça a autonomia do município sobre o tema.
De um lado, servidores do SAAE se apresentam como defensores do povo e da cidade. Do outro, os números mostram uma realidade dura: salários de até R$ 13 mil brutos, pagos com dinheiro público, contrastando com a precariedade do serviço prestado.









