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Amostragem: Em três meses, aprovação de Silvio Mendes despenca 11 pontos

A aprovação do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil), registrou queda expressiva de 11 pontos percentuais em apenas três meses, segundo levantamento do Instituto Piauiense de Opinião Pública (Amostragem).

Em abril de 2025, 79% dos teresinenses avaliavam positivamente a gestão municipal. Já na pesquisa mais recente, realizada entre julho e agosto, o índice caiu para 68%. No mesmo período, a desaprovação ao prefeito subiu de 16% para 25%, enquanto o percentual dos que não souberam ou não responderam variou de 4,75% para 7%.

Foto: 180graus

Breve resumo, para os ansiosos

De acordo com especialistas ouvidos pelo Portal 180graus, a queda de 11 pontos na aprovação do prefeito Sílvio Mendes nos últimos três meses está ligada a uma série de desgastes políticos e administrativos. Entre eles estão a repercussão da CPI do Rombo, problemas na coleta de lixo, greves no transporte coletivo e a crise na saúde marcada pela saída de Charles da Silveira da FMS. Enquetes também apontam transporte, saúde e limpeza como as principais insatisfações da população. Fontes revelaram ao Portal 180graus informações de bastidores que reforçam esse cenário. Abaixo, você verá detalhadamente alguns desses motivos.

Sílvio Mendes ocupando a 5ª colocação entre os prefeitos de capitais do Nordeste

O ranking é liderado por João Henrique Caldas, o JHC (PL), de Maceió, com 85% (INAPE), seguido por João Campos (PSB), de Recife, com 78% (AtlasIntel), Eduardo Braide (PSD), de São Luís, com 72,8% (Solução/O Quarto Poder) e Cícero Lucena (PP), de João Pessoa, com 70,1% (ANOVA/PB Agora). Logo depois de Mendes aparecem Bruno Reis (União), de Salvador, com 66% (Real Time Big Data); Paulinho Freire (União), de Natal, com 60,32% (Instituto Exatus); Evandro Leitão (PT), de Fortaleza, com 60% (Real Time Big Data); e Emília Corrêa (PL), de Aracaju, com 56,7% (Unidade de Informação).

Foto: 180graus

O que levou Silvio a despencar 11 pontos?

CPI do Rombo

Entre os fatores que podem ter influenciado a queda na popularidade do prefeito está a repercussão da CPI do Déficit Bilionário, conhecida como CPI do Rombo, que acontece na Câmara Municipal de Teresina. O colegiado investiga supostas inconsistências nos números apresentados pela atual gestão sobre as dívidas do município.

Durante depoimento à CPI, o ex-secretário de Finanças da gestão Dr. Pessoa, Danilo Barros Bezerra, contestou publicamente os valores anunciados por Mendes. Segundo ele, documentos oficiais da própria Prefeitura indicam que, em 31 de dezembro de 2024, os restos a pagar somavam R$ 302 milhões, e não R$ 480 milhões como divulgado pelo atual governo. A diferença de R$ 178 milhões levanta dúvidas sobre a real situação financeira e a transparência das informações repassadas à população.

Danilo também apontou alterações nos valores publicados nos Diários Oficiais. Um relatório de gestão fiscal divulgado em janeiro indicava restos a pagar de R$ 340 milhões, mas, em julho, o montante foi retificado para R$ 390 milhões. Para ele, esses dados oficiais “desmontam” parte da narrativa de que o município teria um rombo bilionário.

Foto: 180graus

Lixo

Outro ponto de desgaste ocorreu com a série de paralisações na coleta de lixo registradas em julho de 2025. A primeira, no dia 9, foi motivada por atraso no pagamento dos salários de garis da empresa Recicle/Aurora, responsável pela limpeza urbana. O movimento, convocado pelo sindicato Seaacep, paralisou os serviços até que, no dia seguinte, a Prefeitura depositasse R$ 7,8 milhões em conta judicial, garantindo R$ 6,6 milhões para salários e R$ 1,2 milhão para combustíveis e serviços terceirizados.

Menos de duas semanas depois, em 22 de julho, caminhoneiros terceirizados do consórcio EcoTeresina, responsáveis pelo transporte de resíduos, realizaram protesto no aterro sanitário, alegando estar há mais de três meses sem receber. A manifestação bloqueou o acesso ao local, causando acúmulo de lixo nas ruas e transtornos à população. Apenas após novo acordo judicial, em 24 de julho, os serviços foram retomados, e no dia 25 o TRT-PI autorizou o pagamento direto aos trabalhadores para regularizar a coleta.

Foto: Reprodução

Falta de transporte público

A crise também atinge o transporte público da capital. Em maio de 2025, a cidade enfrentou uma série de greves e paralisações que impactaram diretamente a mobilidade dos teresinenses. No dia 9, motoristas e cobradores realizaram paralisação parcial para reivindicar reajuste salarial de 15%, vale-alimentação de R$ 900 e auxílio-saúde de R$ 150. Três dias depois, em 12 de maio, a categoria deflagrou greve por tempo indeterminado, diante da falta de avanços nas negociações com as empresas e a Prefeitura. A Justiça do Trabalho determinou a manutenção de 80% da frota, sob pena de multa diária, e mediou o acordo que encerrou a greve em 14 de maio, com compensação dos dias parados e assinatura de nova convenção coletiva. Os episódios reforçaram a percepção de insatisfação no setor e evidenciaram dificuldades na gestão da mobilidade urbana.

Foto: Reprodução

O metrô está gratuito

Durante a campanha eleitoral de 2024, o então candidato Fábio Novo chegou a afirmar que pretendia caminhar para a implantação da tarifa zero no transporte público de Teresina. A gestão municipal sob o comando de Sílvio Mendes não chegou perto de adotar a medida, enfrentando, inclusive, uma série de crises e paralisações no sistema de ônibus. Em contrapartida, o Governo do Estado implementou, a partir de janeiro deste ano, a gratuidade no metrô da capital, tornando Teresina a única capital do país com transporte metroviário totalmente gratuito, medida que já está em vigor e beneficia diariamente milhares de usuários.

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O que o povo pensa?

A percepção desses problemas também aparece em sondagens de opinião pública. Em enquete realizada pelo portal 180graus no dia 23 de junho, 43% apontaram o transporte coletivo como o maior problema da gestão, seguido por falta de remédios nos postos de saúde (25%), coleta de lixo (18%) e limpeza de ruas e praças (14%). Os resultados indicam que áreas essenciais, como mobilidade urbana e saúde, concentram as maiores críticas da população.

Foto: 180graus

Saída de Charles da Silveira

Outro episódio recente que gerou repercussão negativa foi a saída de Charles da Silveira da presidência da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina. A exoneração, publicada no Diário Oficial, ocorreu após ele alegar “divergências na forma de administrar a FMS”, o que teria inviabilizado sua permanência no cargo.

Foto: Reprodução

Enquete realizada pelo 180graus cinco semanas atrás mostrou que 69% dos participantes avaliaram a saída como “péssima” para a gestão, enquanto 31% consideraram “ótima”. O episódio reforçou a percepção de instabilidade na área da saúde, já apontada como uma das principais preocupações dos teresinenses.

Foto: 180graus

E agora?

A sequência de crises, somada à exposição negativa na CPI e ao desgaste com serviços essenciais, indica que a gestão de Sílvio Mendes enfrenta um dos momentos mais desafiadores desde o início do mandato. Embora ainda mantenha índices de aprovação superiores à média de muitos prefeitos da região, a perda de apoio em curto espaço de tempo acende um sinal de alerta político. A capacidade de reverter esse cenário dependerá da resposta da Prefeitura às demandas mais urgentes da população e da habilidade do prefeito em recuperar a confiança abalada nos últimos meses.

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