• Mais de 100 mil produtores rurais com perdas de safra podem renegociar dívidas com o Banco do Nordeste

    Mais de 100 mil produtores rurais que sofreram perda de renda nas últimas safras em virtude de eventos climáticos ou de questões econômicas que impactaram a comercialização podem renegociar suas dívidas junto ao Banco do Nordeste (BNB) a partir deste mês de setembro. As novas condições foram autorizadas pelo Medida Provisória 1.376/2026, que alcança mais de 117 mil operações de crédito em toda a Região Nordeste e em partes dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, área de atuação do BNB. O prazo final para adesão é 12 de novembro deste ano.

    Foto: reproduçãoMais de 100 mil produtores rurais com perdas de safra podem renegociar dívidas com o Banco do Nordeste

    Estão enquadrados como beneficiários da Medida os produtores do agronegócio e da agricultura familiar ou cooperativas de produção agropecuária que registraram perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025 ou que tiveram redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada. Os impactos devem ser comprovados por meio de laudo emitido por profissional legalmente habilitado, com ateste de que as perdas foram oriundas de eventos climáticos e/ou redução relevante de preços de mercado.

    Podem ser renegociadas dívidas de operações de investimento com parcelas vencidas ou a vencer entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2026. Também são beneficiadas operações de custeio, comercialização e industrialização e de investimento que tenham sido contratadas até 31 de dezembro de 2025 e estão inadimplentes desde 1º de janeiro de 2024, tendo permanecido em débito até 31 de maio de 2026.

    Dívidas já renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio deste ano e que estejam em dias também podem ter acesso às novas condições de regularização. O prazo para pagamento dos débitos pode ser de até dez anos, de acordo com a situação de cada empreendimento rural, com carência de um ano para início do pagamento do principal.

    A adesão à renegociação amparada pela MP 1.376/2026 pode ser feita até o dia 12 de novembro de 2026. Os interessados podem procurar sua agência do Banco do Nordeste de relacionamento ou entrar em contato pelos canais digitais da instituição financeira: Portal BNB ou Whatsapp (85) 4020-0004. 

  • Garantia-Safra 2025/2026 chega a 88,8 mil famílias em 171 municípios do Piauí

    O Garantia-Safra 2025/2026 alcançou 88.805 famílias de agricultores familiares em 171 municípios do Piauí, o maior número de adesões dos últimos cinco anos. O estado também registrou a maior contribuição para o programa no período: R$ 12,78 milhões.

    Entre os municípios com maior número de inscritos estão São Raimundo Nonato (3.161), Oeiras (2.842), Pio IX (2.394), Paulistana (2.234), Pedro II (2.147) e Picos (2.117).

    O programa é uma política federal que garante uma renda mínima ao agricultor familiar que tiver perdas significativas na produção provocadas por eventos climáticos, como seca ou excesso de chuvas. Para a safra 2025/2026, o benefício é de R$ 1.200, pago em parcela única, para os agricultores que tiverem o direito reconhecido e cumprirem os critérios do programa.

    Foto: reproduçãoGarantia-Safra 2025/2026 chega a 88,8 mil famílias em 171 municípios do Piauí

    “Esse crescimento mostra a importância do Garantia-Safra para quem vive da agricultura familiar. É uma segurança para o agricultor que enfrenta os efeitos do clima e pode perder sua produção e sua renda”, destaca a secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares.

    Nos últimos cinco anos, o número de famílias inscritas passou de 65.231, em 2021/2022, para 88.805 nesta safra, um crescimento de cerca de 36%. O número de municípios participantes também subiu de 144 para 171.

    Quem pode receber

    O Garantia-Safra é destinado a agricultores familiares que atendam às regras do programa, entre elas ter CAF ativo e atualizado, renda familiar dentro do limite estabelecido, cultivar entre 0,6 e 5 hectares de culturas como milho, feijão, arroz, mandioca ou algodão e estar em município participante.

    A partir da regulamentação de 2026, é necessário ainda que seja comprovada perda mínima de 40% da produção das culturas cobertas pelo programa.

    Para os municípios, os prazos para inscrição e pagamento das contribuições são 21 de setembro (Região I) e 21 de novembro (Região II). Para os agricultores, os prazos de adesão e pagamento do boleto são 31 de outubro (Região I) e 31 de dezembro (Região II).

    O Garantia-Safra é financiado com a participação dos agricultores, municípios, Estado e Governo Federal e integra as políticas de proteção e fortalecimento da agricultura familiar.

    Mais do que um benefício financeiro, o Garantia-Safra funciona como uma política de proteção da agricultura familiar diante dos riscos climáticos. No Piauí, onde milhares de famílias dependem de culturas de sequeiro, a perda de uma safra pode comprometer a renda e a segurança alimentar.

    “O agricultor precisa de condições para continuar produzindo. Por isso, o Garantia-Safra é importante, mas precisa caminhar junto com outras políticas, como assistência técnica, acesso à água, sementes adaptadas, crédito e apoio à comercialização. É esse conjunto de ações que fortalece a capacidade das famílias de enfrentar os períodos de seca e continuar produzindo”, finaliza Rejane Tavares.

  • ExpoCacau promove cadeia produtiva em evento gratuito em Ilhéus

    De terça (25) até quinta-feira (27), o Centro de Convenções de Ilhéus será palco de produtores, empresas, pesquisadores e instituições com o mesmo objetivo: fortalecer a cadeia produtiva do cacau. A 2ª edição da ExpoCacau conta com patrocínio do Banco do Nordeste (BNB) e reúne inovação, sustentabilidade, capacitação técnica e oportunidades de negócios.

    Durante a programação dos três dias, o evento apresentará oficinas, palestras, feira de negócios, demonstrações técnicas e visitas de campo. As ações geram oportunidades de parcerias, acesso a informações sobre técnicas de produção e modernização que impactam diversos segmentos da cacauicultura.

    Para Pedro Lima Neto, superintendente do Banco do Nordeste na Bahia, a cacauicultura é importante para a economia do sul baiano, gerando emprego e renda para muitos produtores e famílias da região. “Apoiar a ExpoCacau é, também, destacar o compromisso do Banco com essa cadeia produtiva, aproximando o crédito de quem produz e contribuindo para uma atividade cada vez mais moderna, sustentável e competitiva”, afirma o executivo.

    Foto: Reprodução

    O produtor Antônio Lavigne, que cultiva cacau há 22 anos, reforça a importância do evento para fortalecer a cadeia produtiva do fruto. “A ExpoCacau chegou no ano passado com um perfil muito interessante e positivo. A atividade sempre foi muito carente de eventos para fortalecer a cadeia”, ressalta.

    Uma das propostas para essa edição é proporcionar um espaço de acesso a tecnologias, abordando sobre a modernização no campo. Nesse aspecto, Antônio também pontua sobre os impactos das inovações na lavoura. “Entendo que as novas tecnologias, junto com as capacitações, são fundamentais para a evolução da produtividade. Sem um processo de renovação da lavoura, reciclagem da mão de obra e mecanização, não há como evoluir”, completa o produtor.

  • Belém do Piauí, Jaicós e Massapê contam com Plano de Ação do Prodeter do BNB focado no desenvolvimento da ovinocaprinocultura

    O Banco do Nordeste (BNB) lançou, neste mês, em Belém do Piauí, Plano de Ação Territorial focado em potencializar a atividade de ovinocaprinocultura. Além de Belém do Piauí, Jaicós e Massapê do Piauí também são compreendidos com a iniciativa, estruturada a partir do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter) da instituição financeira, por intermédio de diversas avaliações com parceiros locais e produtores, via Comitê Gestor Territorial. Dentre os principais objetivos da ação integrada, elevar em 20% a produtividade média dos rebanhos para os cerca de 90 produtores inclusos, por meio de estratégias que incluem desde assistência técnica a beneficiamento, comercialização e crédito.

    “A atividade de ovinocaprinocultura, considerada prioritária para os municípios de Jaicós, Belém do Piauí e Massapê do Piauí, tem como gargalo principal a baixa produtividade. Difundir novas técnicas de manejo alimentar, sanitário e reprodutivo, associadas à assistência técnica contínua, capacitações e crédito, são exemplos de ações que serão realizadas, em conjunto com parceiros locais para estruturação da atividade”, pontua Thiago Silva, gerente de Desenvolvimento Territorial da Superintendência do BNB no estado.

    Atualmente, nove atividades produtivas são acompanhadas pelo Prodeter no Piauí. Apicultura, bovinocultura de corte, cajucultura, economia solidária, empreendedorismo feminino, quintais agroecológicos, saúde/bem-estar e turismo são as demais alcançadas, com ovinocaprinocultura também foco do Programa de Desenvolvimento Territorial em municípios dos Territórios Chapada do Vale do Rio Itaim, Vale do Sambito, Vale dos Rios Piauí e Itaueiras, bem como Entre Rios. 

  • IBGE: Piauí terá a maior safra de grãos de sua história em 2026

    A colheita de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) do Piauí em 2026 será a  maior da história, com uma produção de 6,82 milhões de toneladas até o momento,  resultado 20% superior ao registrado no ano anterior, que foi de 5,67 milhões de toneladas.  Esses são dados preliminares do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – LSPA,  do IBGE, que podem registrar alterações para mais, por conta de uma pequena área que  ainda está em fase de colheita. 

    A maior safra de grãos registrada no Piauí, até o momento, tinha ocorrido em 2023,  quando foram colhidas 6,44 milhões de toneladas, seguido-se dois anos consecutivos de  redução da produção. Em 2026, no entanto, a safra voltou a crescer de um modo tão  expressivo que alcançou recorde no total produzido. Com esse resultado, a safra de grãos  em 2026 foi mais de cinco vezes superior à de 2016, quando a produção chegou a 1,33  milhão de toneladas, em razão de quebra de safra por motivos climáticos. 

    Para conseguir o resultado histórico em 2026, os produtores de grãos do Piauí  

    colheram a safra deste ano em 1,85 milhão de hectares, uma área 8,3% superior à que foi  colhida no ano passado. Dessa área total, 83,7% foram utilizadas apenas para as culturas  de soja e milho. A área de terras plantadas com grãos no Piauí está próxima da área total  do estado de Sergipe, o menor da Federação, que possui 2,2 milhões de hectares.

    De acordo com o Chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias – SPA, da  Superintendência Estadual do IBGE no Piauí, Pedro Andrade, a safra de grãos de 2026 foi  beneficiada por um período de regularidade das condições climáticas. “Também  verificamos um aumento expressivo da produtividade das culturas, que permitiram  alcançar melhores resultados na colheita, sem ampliação considerável da área plantada”,  destacou Pedro Andrade. 

    Segundo o levantamento do IBGE, mais de 92% de toda a produção de grãos do  Piauí, em 2026, equivale a apenas duas culturas: soja e milho, que são cultivadas,  principalmente, por grandes empreendimentos do agronegócio, que se concentram na  região do bioma cerrado, no sul do estado. A produção de soja deste ano alcançou 4,19  milhões de toneladas, enquanto a de milho foi de 2,1 milhões de toneladas. Os demais  grãos pesquisados produziram um montante mais modesto: algodão herbáceo (140,8 mil  t), arroz (89,1 mil t), Fava (592 t), Feijão (48,7 mil t) e Sorgo (243,8 mil t). 

    Houve aumento de produção em todas as culturas acompanhadas pelo LSPA em  2026, quando comparadas ao ano anterior, com exceção do sorgo em grãos, que registrou  uma leve redução de 3%. As maiores variações na produção, no período, ocorreram nas 

    culturas de fava, que aumentou 40,95% e arroz, com variação positiva de 40,89%. O  aumento na produção de soja foi de 17% e de no milho foi de 28% entre 2025 e 2026. 

  • Paes Landim inicia inscrições para o Garantia-Safra 2026/2027 na zona rural

    A Prefeitura de Paes Landim, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, inicia nesta terça-feira (18/08) as inscrições de agricultores para o Garantia-Safra 2026/2027. Nesta primeira etapa, o atendimento será realizado em comunidades da zona rural do município.

    Na terça-feira, das 8h às 12h, serão atendidos agricultores de Mosquito e localidades próximas, no colégio da comunidade. Das 14h às 17h, o atendimento será direcionado aos moradores de Descanso e região, na Casa de Pedro de Dezinho.

    Na quarta-feira (19/08), das 8h às 12h, a equipe estará na UBS de Bananeira, atendendo também comunidades próximas. À tarde, das 14h às 17h, o atendimento será realizado na Casa da Neyaura para agricultores dos assentamentos Onça, Bananeiras e localidades vizinhas.

    Na quinta-feira (20/08), a programação segue pela manhã, das 8h às 12h, no Mirandas Club, para moradores de Caiçara e comunidades próximas. À tarde, das 14h às 17h, serão atendidos agricultores de Milagres e região, na Casa do Edivaldo.

    Para realizar a inscrição, os agricultores devem apresentar CAF ativo, CPF e RG. Já os agricultores residentes na zona urbana de Paes Landim poderão realizar a inscrição a partir do dia 26 de agosto.

    Foto: Reprodução

  • Piauí lidera crescimento da produção de grãos entre estados do Matopiba

    O Piauí deve colher mais de 7,5 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, segundo nova estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (13/8). O resultado coloca o estado na liderança do crescimento da produção entre os integrantes do Matopiba, região formada por Piauí, Maranhão, Tocantins e Bahia, uma das principais fronteiras agrícolas do país.

    Foto: ...Feira Agro Sustentável fortalece agricultura familiar e incentiva práticas sustentáveis em Teresina

    A projeção aponta crescimento de 21,1% em relação à safra anterior, maior avanço proporcional entre os estados considerados na estimativa. O desempenho supera as previsões de crescimento para Tocantins, com 6,2%, Maranhão, com 2,9%, e Pará, com 18,5%, segundo os dados apresentados. O resultado reforça a expansão do agronegócio e da produção de grãos no estado.

    Somados, os estados da região devem alcançar mais de 34,6 milhões de toneladas, enquanto a Conab estima uma produção nacional recorde de aproximadamente 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Para o Piauí, além do volume produzido, o destaque está no ritmo de crescimento, que amplia a participação do estado no cenário nacional do agronegócio.

  • Senado aprova programa para reduzir dependência do Brasil de fertilizantes importados

    O plenário do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (11), o Projeto de Lei 699/2023, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). A proposta prevê incentivos fiscais e mecanismos de apoio à produção nacional, com o objetivo de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O texto segue agora para sanção presidencial.

    Entre as medidas previstas estão benefícios tributários para a importação de máquinas e equipamentos e para a implantação de plantas industriais destinadas à fabricação de fertilizantes no país. A proposta aprovada pelos senadores corresponde a um substitutivo da Câmara dos Deputados, com ajustes de redação apresentados pela relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS).

    Foto: Agência Senado

    Durante a votação, Tereza Cristina destacou que a medida busca ampliar a soberania brasileira na produção de insumos considerados estratégicos para o agronegócio. Atualmente, o Brasil depende do mercado externo para atender grande parte da demanda por fertilizantes utilizados nas lavouras.

    Os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Entre os principais estão os nitrogenados, fosfatados e potássicos, responsáveis pelo fornecimento de nitrogênio, fósforo e potássio — conjunto conhecido pela sigla NPK.

    Em 2025, o Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Entre os produtos adquiridos no exterior estão cloreto de potássio, ureia e fosfato monoamônico (MAP).

    O país importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio, especialmente em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar. A elevada dependência deixa o setor mais exposto às oscilações internacionais de preços, do câmbio e a crises geopolíticas. Rússia e China estão entre os principais fornecedores do mercado brasileiro.

    A aprovação ocorreu durante a semana de esforço concentrado do Congresso Nacional após o recesso parlamentar. Com a conclusão da votação no Senado, o projeto depende agora da sanção presidencial para entrar em vigor.

  • MP de renegociação de dívidas rurais prevê punições contra fraudes

    O governo federal editou uma Medida Provisória (MP) para permitir a renegociação de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. Assinado pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, o texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União de quarta-feira (15/07) e traz punições para quem usufruir ilegalmente dos benefícios.

    A MP prevê a criação de um fundo semelhante ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dotado de recursos financeiros para, eventualmente, cobrir operações de crédito rural contratadas por produtores afetados por eventos climáticos adversos, dando garantias às instituições financeiras.

    Para evitar fraudes, o texto estabelece que o produtor ou cooperativa rural que, por ação ou omissão dolosa, apresentar, usar ou se beneficiar de laudos ou qualquer outro tipo de documento técnico contendo informações falsas acerca da perda de safra ou renda não só perderá o direito ao benefício, como terá que restituir os valores recebidos integralmente e corrigidos.

    Além disso, esse produtor será impedido de contratar operações de crédito rural subvencionadas ou de receber incentivos públicos por até cinco anos.

    O profissional que emitir, assinar, homologar ou validar o documento fraudulento ou incompatível com a realidade responderá solidariamente pelos danos causados ao Erário. E, além da responsabilização civil, também estará sujeito a sanções administrativas, bem como às penalidades aplicáveis pelo respectivo conselho profissional às infrações éticas.

    Prazos

    De forma geral, o prazo para os produtores ou cooperativas rurais quitarem suas dívidas será de oito anos, com pagamento de juros na carência e vencimento da primeira parcela de amortização do principal dois anos após a data de contratação.

    O prazo para colocar as contas em dia sobe para até dez anos para quem comprovar que, entre 2019 e 2025, amargou uma redução de ao menos 40% da renda bruta esperada em três ou mais safras devido às consequências de eventos climáticos extremos. Nesse caso, haverá até dois anos de carência para pagar a primeira parcela.

    São considerados eventos climáticos extremos as enxurradas, alagamentos, inundações, chuvas de granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio, geadas, vendaval, secas, estiagens.

    Suas consequências devem ser formalmente comprovadas por meio de laudo emitido por um profissional habilitado, como um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola.

    Juros anuais

    Para os produtores rurais enquadrados nas regras gerais, a MP prevê taxas de juros de:

    6% a.a. para os agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);

    9% a.a. para miniprodutores, pequenos e médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp);

    12% a.a. para os demais produtores.

    Em caso de perdas comprovadas com eventos climáticos extremos, os encargos passam a ser de:

    5% a.a. para o Pronaf;

    8% a.a. para o Pronamp;

    11% para grandes produtores.

    Operações

    Podem ser objeto de liquidação (quitação da dívida) ou amortização (pagamento parcial para reduzir o saldo devedor) as:

    Operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização, renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio de 2026, e que estejam em situação de adimplência na data de contratação da linha de crédito, contratadas com recursos direcionados ao Pronaf, ao Pronamp e a outras linhas de crédito rural, inclusive àquelas contratadas com recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento.

    Operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização contratadas até 31 de dezembro de 2025, mesmo que tenham sido objeto de renegociação ou prorrogação, em situação de inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e que permaneceram inadimplentes em 31 de maio de 2026, contratadas com as mesmas condições.

    Parcelas de operações de crédito rural de investimento, vencidas ou com vencimento entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2026, originárias de operações contratadas até 31 de dezembro de 2025, e que tenham entrado em situação de inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e que tenham permanecido inadimplentes em 31 de maio de 2026.

    Outras operações de crédito rural definidas pelo Poder Executivo federal.

    Limites

    A MP estabelece que os recursos que os bancos usarão para financiar as operações de renegociação das dívidas virão também dos fundos constitucionais de financiamento do Nordeste (FNE); Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO).

    Os recursos necessários para as criações dessas linhas de crédito virão ainda de outras fontes já previstas no Manual de Crédito Rural do Banco Central (BC) e outrasa serem definidas pelo Poder Executivo federal.

    Os limites de crédito serão de:

    até R$ 400 mil para os agricultores familiares enquadrados no Pronaf.

    até R$ 2 milhões para os miniprodutores, pequenos e médios produtores rurais enquadrados no Pronamp.

    até R$ 4 milhões para os demais produtores rurais.

    Acordo

    A MP é fruto de um acordo que o governo federal e o Congresso Nacional fecharam na quarta-feira (15/07). Com a medida, o texto editado pelo Palácio do Planalto substituirá o Projeto de Lei (PL 5122/23), de autoria do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que trata do mesmo tema.

    Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o acordo buscou conciliar as demandas do setor agrícola e a viabilidade fiscal da medida.

    “Chamamos os atores para a mesa para tratar isso com equilíbrio e buscar uma resolução que coubesse nas contas do país e levasse em consideração esse momento de dificuldade dos nossos produtores", disse Motta.

    Por lei, toda medida provisória entra em vigor assim que é publicada no Diário Oficial da União. A Câmara dos Deputados e o Senado têm até 120 dias para aprová-la ou rejeitá-la. Se não for votada em até 45 dias a partir da sua publicação, entra em regime de urgência, trancando a pauta de votação em plenário na Casa em que estiver tramitando.

  • IBGE prevê safra de 347,4 milhões de toneladas para 2026

    A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deste ano é de 347,4 milhões de toneladas.

    O volume é 0,4% maior do que a do a colheita ano passado, o que representa mais de 1,3 milhão de toneladas a mais do que a de 2025, que foi de 346,1 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14).

    Segundo o IBGE, a área a ser colhida é de 83,2 milhões de hectares, com aumento de 1,6 milhão de hectares frente a 2025, um crescimento de 1,9%. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou declínio de 60.985 hectares (-0,1%).

    O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,8% da estimativa da produção e respondem por 87,4% da área a ser colhida.

    Para a soja, a estimativa de produção foi de 174,8 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 136,5 milhões de toneladas (29,7 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 106,8 milhões de toneladas de milho na 2ª safra).

    A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas; a do trigo, em 6,6 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço), em 9,1 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 5,6 milhões de toneladas.

    Entre as grandes regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição, de acordo com o estudo: Centro-Oeste, 172,4 milhões de toneladas (49,6%); Sul, 92,4 milhões de toneladas (26,5%); Sudeste, 30,8 milhões de toneladas (8,9%), Nordeste, 29,8 milhões de toneladas (8,6%) e Norte, 22,2 milhões de toneladas (6,4%).

    Na produção pelas unidades da federação, Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 31,3%, seguido pelo Paraná (13,7%), Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (9,7%), Mato Grosso do Sul (8,4%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,3% do total.

    Foto: Prefeitura de Campo Grande/ DivulgaçãoProdução de grãos pode chegar a 353,4 milhões de toneladas
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