
Programação comemorativa dos 172 anos de Pedro II começa nesta quinta (6)
A Prefeitura de Pedro II inicia, na próxima quinta-feira (06/08), a programação oficial em comemoração aos 172 anos de emancipação política do município. Durante o mês de agosto, moradores e visitantes poderão participar de uma agenda diversificada, que reúne inaugurações, entregas de obras, atividades culturais, esportivas, religiosas, ações voltadas ao desenvolvimento social e shows musicais.
A prefeita Betinha Brandão destaca que o aniversário de Pedro II representa um momento de reafirmar o compromisso com o futuro do município. "Preparamos uma programação que celebra a nossa história, valoriza a nossa cultura e, principalmente, mostra o quanto Pedro II continua avançando. São entregas importantes para a população, investimentos em educação, assistência social, esporte e infraestrutura, além de momentos de fé, cultura e lazer para toda a comunidade. Convido cada pedrossegundense e todos que visitam nossa cidade a participarem dessa grande celebração dos 172 anos de Pedro II", afirmou a prefeita.
A abertura acontece na quinta-feira (6), com uma visita técnica às obras do Mirante da Serra, na Serra dos Matões, seguida da solenidade de certificação dos cursos de Informática e Cuidador de Idosos do Programa Acredita no Primeiro Passo.
Durante a programação também serão entregues importantes obras nas áreas de educação, assistência social, cultura e infraestrutura, além da inauguração do Centro Municipal de Educação, Tecnologia e Robótica Educacional (CEMTEC), reforçando os investimentos da gestão municipal na melhoria dos serviços públicos.
O calendário inclui ainda a edição especial da Feira da Agricultura Familiar, eventos esportivos como o Ruralzão, a Corrida Movimenta Pedro II e o Passeio Ciclístico, além de exposições, homenagens, apresentações culturais, solenidades cívicas e religiosas.
Entre os destaques está o show gospel com Chris Durán, no dia 8 de agosto, em comemoração ao Dia da Consciência Evangélica, e as festividades do dia 11 de agosto, data do aniversário da cidade, que contarão com alvorada festiva, missa em ação de graças, cerimônia cívica, entrega de comendas, corte do bolo e inauguração do CEMTEC.
A programação será encerrada nos dias 15 e 16 de agosto, com atividades esportivas e inaugurações na zona rural, além da abertura da 4ª edição do Beiju de Coco e Tapioca, fortalecendo as tradições culturais e gastronômicas do município.
DIA 06 – QUINTA-FEIRA
16h – Visita técnica à obra do Mirante da Serra
Local: Serra dos Matões
18h – Solenidade de certificação dos cursos de Informática e de Cuidador de Idosos do Programa Acredita no Primeiro Passo - realizada pela Fadex, em parceria com a Escola do Legislativo Professor Wilson Brandão, a Assembleia Legislativa do Estado do Piauí – Alepi e a Prefeitura de Pedro II.
Local: Espaço de Eventos Dep. Ciro Nogueira
DIA 07 – SEXTA-FEIRA
6h – Feira da Agricultura Familiar - edição especial de aniversário de 172 anos da cidade de Pedro II com participação do Projeto Som Beleza
Secretaria da Agricultura, Secretaria de Assistência Social e Secretaria de Saúde
Local: Praça Domingos Mourão Filho (Praça da Matriz)
09h – Entrega de Medalha do Mérito Esportivo Felipino Orsano da Silva
Local: Câmara Municipal de Pedro II
10h – Exposição Memória Iconográfica do Futebol de Pedro II
Curador: Historiador Afonso Getirana
Realização: Câmara Municipal de Pedro II
Local: Memorial Tertuliano Brandão Filho – Centro Histórico
16h – Entrega do Espaço Cultural 11 de Agosto e abertura da 1ª Edição da Feira Criativa de Pedro II com participação do Projeto Hadiverso
Local: Rua Tertuliano Filho – Centro Histórico
Visita à exposição comemorativa de todas as edições do Festival de Inverno de Pedro II.
Local: Clube 11 de Agosto
19h – Disputa do 3º e 4º lugar do Ruralzão
Local: Estádio José Teixeira Santos (Arena do Guerreiro).
DIA 08 – SÁBADO
15h30 – Corrida Movimenta Pedro II
Concentração: Espaço Cultural 11 de Agosto
Local: Rua Tertuliano Filho – Centro Histórico
Atração: Participação da Academia da Saúde e DJ Lippe.
19h – Culto em Ação de Graças em celebração ao Dia da Consciência Evangélica e aos 172 anos de Pedro II
21h – Show Gospel com Chris Durán
Local: Praça Manoel Nogueira Lima (Praça da Bonelle).
DIA 09 – DOMINGO
16h – Final do Campeonato Municipal Ruralzão
Local: Estádio José Teixeira Santos (Arena do Guerreiro).
Entrada: 1 kg de alimento não perecível.
DIA 10 – SEGUNDA-FEIRA
08h – Visita técnica à obra de construção da Creche Tipo 2
Local: Vila Operária São José
09h – Entrega da reforma e ampliação da Escola Municipal Manoel Nogueira Lima
Local: Rua Domingos Nogueira de Castro – Chapadinha
11h – Entrega da quadra poliesportiva da Escola Municipal Gonçalo Medeiros Uchôa
Local: Rua João Alves Pereira – Bairro São Gonçalo
15h – Entrega da reforma e ampliação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS III)
Local: Rua Raimundo Orsano – Vila Kolping
18h – Solenidade de instituição e outorga da Medalha Des. Tomaz Gomes Campelo – APLA em celebração ao centenário de seu nascimento.
Local: Espaço de Eventos Dep. Ciro Nogueira
20h – Shows musicais - César Araújo, Forró Balancear, Desejo de Menina, Forró Real
Local: Praça da Bonelle
DIA 11 – TERÇA-FEIRA
Alvorada Festiva pelas principais ruas da cidade.
08h – Missa em Ação de Graças em comemoração aos 172 anos de emancipação política de Pedro II
Local: Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
09h – Hasteamento das bandeiras e pronunciamento das autoridades
Local: Praça Domingos Mourão Filho (Praça da Matriz)
Apresentação da Banda de Música Mestre Alessandro
Entrega de medalhas e comendas do Mérito Cultural Professor Wilson de Andrade Brandão
Homenagem à Escola Municipal Monsenhor Lotário Weber pelo seu 21º aniversário
Corte do bolo comemorativo
15h – Entrega do Centro Municipal de Educação, Tecnologia e Robótica Educacional (CEMTEC)
Local: Rua Projetada 82, Cristo Rei
DIA 15 – SÁBADO
15h – Passeio ciclístico com a Associação de Ciclismo de Pedro II
Percurso: Ruas e avenidas de Pedro II ao Assentamento Arara (Zona Rural).
Saída: Mercado do Artesão
16h – Inauguração da Arena Arara City
Local: Assentamento Arara
DIA 16 – DOMINGO
9h – Entrega de ampliação de salas e reforma da quadra coberta da Escola Municipal Alfredo Monteiro Alves
Local: Palmeira dos Soares – Zona Rural
10h – Abertura da 4ª edição do Beiju de Coco e Tapioca
Local: Palmeira dos Soares – Zona RuralÓpera na Cidade tem início na Praça do Gavião com cultura, empreendedorismo e valorização dos talentos locais
A Prefeitura de São Raimundo Nonato iniciou, nesta segunda-feira (27), a programação da Ópera na Cidade, evento que integra as ações da Ópera da Serra da Capivara e transforma a Praça do Gavião em um grande espaço de cultura, lazer, arte e fortalecimento da economia criativa.
Foto: reprodução
Durante os três dias de programação, moradores e visitantes poderão desfrutar de uma agenda diversificada de apresentações culturais e shows musicais gratuitos, reunindo artistas locais e manifestações tradicionais que reforçam a identidade cultural do município.
Um dos grandes destaques desta edição é a Feira do Sebrae, que reúne artesãos, produtores rurais, empreendedores e pequenos negócios da região. O espaço oferece ao público a oportunidade de conhecer e adquirir produtos locais e regionais, incentivando o empreendedorismo, a geração de renda e a valorização dos talentos são-raimundenses.
A iniciativa fortalece a parceria entre cultura e desenvolvimento económico, criando oportunidades para que empreendedores ampliem a visibilidade dos seus produtos e serviços durante um dos eventos mais importantes do calendário cultural da região.
Além da feira, a estrutura montada na Praça do Gavião conta com palco para apresentações culturais e atrações musicais gratuitas, proporcionando um ambiente de convivência, entretenimento e celebração das tradições locais.
Confira a programação
- 28 de julho (terça-feira)
- 19h – Reisado
- 21h – Sebastiana
29 de julho (quarta-feira)
- 19h – Quadrilha Brilho do Sol
- 21h – Duduca Moura
A Prefeitura de São Raimundo Nonato convida toda a população e os visitantes a participarem da programação da Ópera na Cidade, um evento que promove a cultura, incentiva o empreendedorismo, movimenta a economia local e fortalece o sentimento de pertencimento, valorizando as tradições e os talentos que fazem de São Raimundo Nonato uma referência cultural no território da Serra da Capivara.
Nascido há 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudição
Compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, Moacir Santos completaria 100 anos neste dia 26 de julho. Com uma extensa obra que se destaca pela fusão de ritmos afro-brasileiros com o jazz, o músico ainda carece de maior reconhecimento no Brasil.
Sua canção mais conhecida é Nanã, que homenageia a orixá mais antiga das religiões afro-brasileiras. A reza de pessoas numa procissão foi o ponto de partida para a melodia. Trilha de abertura do filme Ganga Zumba, ganhou letra de Mário Telles e foi gravada por uma centena de artistas, como Nara Leão, Sergio Mendes, Tim Maia e nomes do jazz, como Kenny Burrell e Gil Evans.
Nascido no Sertão Pernambucano, na região de Serra Talhada, o maestro aprendeu a tocar os instrumentos de banda marcial ainda criança. O músico morreu em Los Angeles, onde morava, em 2006, aos 80 anos, em decorrência de um derrame.
Em depoimento recuperado de um especial da Rádio MEC, em 2016, Moacir Santos relembra os primeiros contatos com a música.
“Quando eu entendi a vida, que era um ser vivo, a música também já estava comigo. A gente brincava de banda de música da cidade. Lá em Flores, era muito natural os meninos andarem nus, sem roupinha, até lá pelos 9, 10 anos de idade. Então, eu, com 10 anos, tinha minha banda de meninos nus no meio da rua, tocando a marchinha. Então, esse foi meu contato com música”.
Na adolescência, o músico fugiu de casa e rodou o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares. Allan Abbadia, multi-instrumentista, arranjador, compositor e pesquisador, explica que as bandas de música têm uma importância na formação do país e que Moacir Santos veio dessa tradição.
“No Brasil Império, a gente tinha quase que a totalidade de músicos no país, pessoas negras. Então, as bandas eram o rádio da cidade, dos eventos de domingo. O Moacir vem dessa tradição. Ao chegar aos grandes centros, ele já veio com essa tradição, e ele acrescentou a isso, os estudos mais aprofundados".
Professor de grandes nomes
Em João Pessoa, Moacir foi regente da banda da Rádio Tabajara e, depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou na Rádio Nacional como saxofonista a partir de 1948. Três anos depois, já era arranjador da orquestra da emissora.
Foi aluno do maestro César Guerra-Peixe, e professor de Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira, Roberto Menescal, entre outros.
Andrea Ernest Dias, flautista e autora do livro Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro, conta que o artista construiu uma identidade sonora a partir de pesquisas aprofundadas em teoria musical ─ o que fez com que músicos mais jovens quisessem aprender com o mestre.
"Para quem queria se aprofundar um pouco, sair do campo da intuição musical e saber, o Moacir se tornou essa pessoa que fazia essa ponte, entre a erudição e o popular. Então, se tornou o professor de muita gente".
Ainda na década de 1960, Moacir arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell, e compôs trilhas de filmes ─ parte delas lançadas no álbum Coisas, de 1965. Considerado sua obra-prima, o trabalho reúne 10 composições, todas com o título coisa seguido de uma numeração. Andrea Ernest Dias comenta a genialidade do músico na fusão de ritmos afro-brasileiros com os sopros das bandas de jazz.
“O disco Coisas é uma uma síntese dessa trajetória dele. Ele tem referências das bandas filarmónicas, tanto na instrumentação das bandas filarmônicas quanto nas jazz bands, que é uma tradição forte pelo país desde os anos 40. A pesquisa na Orquestra Afro-brasileira trazendo essa identidade, digamos, afro-brasileira, é uma marca mais forte nessa instrumentação e principalmente nessa estruturação musical perfeita".
Mudança para o exterior
Em 1967, Moacir Santos deixou a Rádio Nacional e se mudou para os Estados Unidos, onde seguiu dando aulas e compondo trilhas de cinema, nas equipes dos maestros Henry Mancini e Lalo Schifrin.
Na década de 70, lançou álbuns pela renomada gravadora de jazz Blue Note, entre eles, Maestro, indicado ao Grammy. Andrea Ernest Dias fala sobre o “mojo”, inovação trazida por Moacir neste trabalho.
"O mojo é uma espécie de síntese, um sistema que ele criou, muito swingado, uma coisa que a gente ouve e imediatamente fala: 'Isso aí é ritmo do Moacir'. Então, ele sistematizava as próprias células rítmicas e transformou esse ritmo numa marca pessoal mesmo. O disco Maestro marca uma nova etapa na vida do maestro Moacir Santos. Um disco realizado nos Estados Unidos e que traz ritmos intrigantes, digamos assim".
Em 1985, Moacir Santos foi homenageado no 1º Free Jazz Festival e tocou na abertura do evento, ao lado de Radamés Gnatalli. A obra do maestro foi revisitada pelos músicos Zé Nogueira e Mario Adnet, no projeto Ouro Negro, com participações de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do próprio Moacir Santos. O álbum Ouro Negro foi a porta de entrada para a obra do músico para ouvintes como o Allan Abbadia.
“Ele é fruto de uma genialidade incrível e uma intelectualidade conquistada através dos estudos também da nossa oralidade, estudos da cultura afro-brasileira. Uma das características mais marcantes dele é o diálogo entre diferentes expressões artísticas da diáspora. Então, ele vem juntando várias dessas expressões com a música erudita. E ele conseguiu trazer essa essência da música afro-brasileira, afro-diaspórica, sem se tornar folclórico".
Neste ano, já aconteceram alguns eventos em comemoração ao centenário de Moacir Santos e, no mês de agosto, Allan Abbadia vai dar aulas sobre a obra de Moacir Santos no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo.
“É muito importante reverenciar a obra do Moacir Santos. Não somente o nome, mas a estética. O público entender essa estética, entender o que ele quis dizer, é muito importante. Isso humaniza o artista".
"Ele faz uma obra que está à frente do seu tempo, mas uma obra que abre um campo de possibilidades para quem vier no futuro conseguir reler aquilo e se debruçar sobre aquilo. Quando eu era garoto, eu fiz workshop com ele e ele falava: ‘ser reconhecido no meu país é a minha maior alegria’".
Vinícius de Moraes, parceiro das composições Menino travesso e Se você disser que sim, homenageou Moacir Santos nos versos do Samba da benção.
Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos
Para as autoras mulheres, só escrever nunca é uma opção. Autora do livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras (Bazar do Tempo), a pesquisadora Ana Rüsche conclui que essa é uma marca identificada entre os nomes reunidos na obra, como Martha de Hollanda (1903–1950), Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962) e Beatriz Nascimento (1942-1995).
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil“São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção”, declarou Ana, que é professora de teoria literária na Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Agência Brasil.
Na obra, que tem coautoria de Lubi Prates, as escritoras traçam um panorama da poesia brasileira escrita por mulheres, do século 18 às primeiras décadas do século 21, que sofreram com o apagamento histórico. Além de reunir poemas das autoras, o livro apresenta os perfis e suas trajetórias pouco conhecidas, além de difundir pesquisas sobre essas poetas. Com isso, a obra propõe novas referências para o estudo da literatura brasileira.
As autoras viveram momentos-chave da história do Brasil, como o movimento pela independência, a luta pelo voto feminino e o fortalecimento da imprensa feminista, chegando à recente expansão da diversidade no mercado editorial, com representantes contemporâneas como Conceição Evaristo.
Ana Rüsche participou de roda de conversa na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica, que levou o nome de seu livro, na noite desta quinta-feira (23), durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Participaram da mesa também Claudia Roquette Pinto, Esmeralda Ribeiro, Maria Manoella e Marília Kubota.
Neste ano, a autora homenageada da Flip é a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja obra também permaneceu invisibilizada diante do grande público durante boa parte da vida e mesmo depois de sua morte.
Confira os principais trechos da entrevista:
Agência Brasil: Qual é o diferencial da obra Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras?
Ana Rüsche: O livro recupera obras que estavam esquecidas e separadas. Um dos méritos do livro é fazer a reunião, organizar esse corpus de poemas que estavam todos fragmentados, espalhados de alguma forma. Eu acho que só de mostrar o que existe é uma grande contribuição, porque a gente não só conta a história, mas comprova ali o que existe esteticamente, para que as pessoas possam procurar outras poetas ou mais obras dessas poetas que trouxemos para o livro.
Porque recuperar a obra é muito difícil e por isso que a gente se vale do trabalho prévio de historiadoras, jornalistas e estudiosas da literatura escrita por mulheres desde o século 19, acho que isso é importante mencionar. Houve muitas obras anteriores de recuperação de obras [de cada poeta], que inclusive são citadas e usadas no livro.
Agência Brasil: Como surgiu a ideia para esse livro?
Ana Rüsche: A ideia do livro surgiu a partir de um curso que Lubi Prates deu sobre as poetas mulheres esquecidas. Para isso, ela se valeu de um livro que é superimportante: o Dicionário de Escritoras Mulheres, da Nelly Novaes Coelho. A Lubi selecionou as poetas e foi atrás dos poemas. Só que tem poemas, por exemplo, que foram recuperados em tese [acadêmica]. No caso da [poeta] Beatriz Brandão [1779-1868], tem a tese que se chama Fruto Contestado, da historiadora Cláudia Pereira, que recupera essa obra, ela passou 13 anos em um arquivo.
Mas tem outras autoras cujos poemas estão completamente esparsos, espalhados, e a gente teve que consultar, por exemplo, a hemerotecas. No caso da Ângela Rangel, que é a nossa primeira poeta, nós conseguimos os fac-símiles. Então, a gente tem que consultar o livro digitalizado, que é superantigo lá do século 18, e a partir disso refazer. Então é bem manual o sistema mesmo. Em alguns casos, é bem difícil. Às vezes, surpreendentemente o que a gente achava que era um poema completo era um fragmento de um poema.
A escritora Ana Rüsche participa da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Agência Brasil: Quais lutas atravessam a vida e a obra dessas poetas?
Ana Rüsche: Eu acho que publicar por si só é uma luta histórica, isso entre homens e mulheres, porque [havia dificuldade] no acesso à publicação no Brasil. E nós tivemos vários períodos de censura no Brasil ou então “regulamentação estatal da imprensa”, como acontecia no período colonial ou no império, que tinha uma regulamentação da imprensa. Então, demora para os livros de mulheres aparecerem com suas obras.
Além disso, uma luta que também é bem antiga, desde o Brasil colonial até os dias atuais, é pela educação de outras mulheres. Eu sempre gosto de falar que nem a Virgínia Woolf teve acesso à universidade. O acesso a uma instrução de qualidade e universal demora muito para acontecer e ainda não aconteceu no Brasil. A gente teve muitas mulheres que brigaram pela educação das mulheres.
Um caso emblemático é o da Maria Firmina dos Reis, que era uma mulher negra e estava muito preocupada com a educação de garotas negras e empobrecidas. Tem muitas poetas que foram professoras, como a Narcisa Amália. Tem as jornalistas, que expandiram a imprensa feminina, a imprensa escrita por mulheres, como a Patrícia Galvão.
Agência Brasil: Tem também a luta pelo voto feminino.
Ana Rüsche: No começo do século 20, a gente tem [uma questão] muito importante que é a luta pelo voto feminino. Tem várias mulheres que fizeram parte disso. Inclusive eu brinco que a gente perde as poetas para a política, porque elas se engajaram tanto que elas pararam de escrever poesia. A Martha de Hollanda é uma das [autoras] que têm uma preponderância nessa questão.
Também no século 20, aparecem muito as mulheres que organizaram, por exemplo, o movimento negro: a Beatriz de Nascimento, a Miriam Alves, a Conceição Evaristo, que são nomes com força muito grande para discutir a questão racial.
São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção. E, nos dias atuais, o nosso grande desafio é fazer com que essa produção consiga ser lida.
Agência Brasil: Tem um poema que é da Adélia Fonseca (1827-1920) e fala sobre o feminicídio de Julia Fetal, ainda que o termo não tenha sido usado na época, pelo ex-noivo dela. Você poderia contar a história em torno dele?
Ana Rüsche: Essa postura de denúncia do feminicídio é bem antiga. A gente vê quão antigo é isso, e a força da poesia em fazer essa denúncia, porque a gente, às vezes, acha que a literatura não é capaz de nada. Mas isso ajudou a opinião pública a entender o que estava acontecendo nesse caso. Não foi simplesmente uma morte, foi um assassinato muito específico cometido por uma força patriarcal.
A relevância desse tipo de produção é também poder observar como isso está entranhado na cultura brasileira, não é algo que aparece misteriosamente no século 21, essa licença para matar é muito antiga. E é muito antigo também o sentimento de injustiça. [Neste poema,] tem esse senso de injustiça profunda, foi um poema muito famoso naquele momento histórico, ele repercutiu. Inclusive, um dos versos dele está na lápide da Julia Fetal.
Agência Brasil: Você escreveu um romance em que utilizou a experiência que teve na construção do Inesquecíveis, você me conta um pouquinho como foi isso?
Ana Rüsche: Eu fiz uma [personagem] pesquisadora que recupera a obra de um poeta, no caso o homem, mas justamente por causa desse livro. Embora seja uma obra fictícia, um poeta fictício dos anos 80 que tinha HIV e poemas fictícios, ela parte de uma experiência real. Porque agora que o livro está pronto, fica chique. Mas, no dia a dia, as pessoas acham pouco importante a pesquisa: ‘por que você está recuperando uma obra de uma pessoa que ninguém leu no século 19?’
Eu tenho certeza que as pesquisadoras que fizeram essas teses [sobre poetas mulheres e suas obras] em que nós nos baseamos ouviram isso em algum momento. Então esse senso de desproporção do quão importante é a memória eu tento retratar bem no Carga Viva.
Justamente a pesquisadora Cláudia Pereira, que eu citei antes, da tese Fruto Contestado, ela ficou 13 anos num arquivo. A gente tinha que colocar um pedestal para esse tipo de pesquisadora, porque ela está nos devolvendo a nossa memória histórica. É uma força muito específica de mergulhar numa pesquisa que todo mundo acha que não vale a pena. Então, eu tentei assim trazer um pouquinho desse drama também para a ficção.
Teresina recebe o evento internacional Festival Concerto Sem Fronteiras
Teresina será palco de um dos mais importantes encontros de música de concerto do ano. Entre os dias 20 e 25 de julho, a capital piauiense recebe a primeira edição do Festival Concerto Sem Fronteiras, iniciativa que reúne músicos, professores e maestros brasileiros e estrangeiros em uma programação voltada à formação, ao intercâmbio cultural e à difusão da música clássica.
Realizado pela Orquestra Inova em parceria com diversas instituições, entre elas a Afya Uninovafapi, o festival contará com masterclasses, palestras, ensaios abertos, recitais e concertos, além da formação da Orquestra do Festival. Entre os convidados internacionais estão o maestro norte-americano Michael Griffiths, referência mundial em regência orquestral, além dos músicos Vanderlei Alves (Brasil/Áustria), Nora Müller (Suíça), Tirza Vogel (Suíça) e Mirjam Vogel (Suíça).
Foto: reprodução
A programação artística será aberta ao público e percorrerá diferentes espaços culturais da cidade. Nos dias 21 e 22 de julho, acontecem os Recitais de Música de Câmara, às 19h30, no Palácio da Música. No dia 23, a Orquestra Inova sobe ao palco da Igreja do Amparo, também às 19h30, com participação especial do cantor Josué Costa. Já nos dias 24 e 25, a Orquestra do Festival encerra a programação com concertos no Auditório da OAB e no Auditório Ypê da Afya Uninovafapi, respectivamente, ambos às 19h30. No dia 25, o concerto de gala tem acesso ao custo social de R$20 e os ingressos podem ser adquiridos pelo link: https://www.even3.com.br/1festconcertosemfronteiras/
Para o diretor do Festival Concerto Sem Fronteiras e maestro da Orquestra Inova, Laércio Silva, o apoio institucional foi determinante para que a primeira edição do evento alcançasse dimensão internacional.
"A parceria da Afya Uninovafapi foi fundamental para viabilizar a vinda do maestro Michael Griffiths. Por ser a primeira edição do festival, esse era um dos nossos maiores desafios. Receber um maestro de renome internacional, que já regeu importantes orquestras nos Estados Unidos e na Europa, fortalece a música de concerto em nossa cidade, fomenta a formação de músicos e contribui para o desenvolvimento das orquestras e grupos musicais de Teresina", destaca.
Além de apoiar a realização do festival, a Afya Uninovafapi reforça seu compromisso com iniciativas que promovem conhecimento, cultura e desenvolvimento social, ampliando sua atuação para além da formação acadêmica.
Para a pró-reitora de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão, Inovação e Internacionalização da Afya Uninovafapi, Renata Miyabara, a participação da instituição reafirma esse propósito. "A Afya acredita que a educação também se fortalece por meio da cultura e da integração com a comunidade. Apoiar um evento de dimensão internacional como o Festival Concerto Sem Fronteiras reforça nosso compromisso com iniciativas que promovem conhecimento, inovação e transformação social, ao mesmo tempo em que contribuem para o fortalecimento da produção artística e cultural do nosso estado", frisa a pró-reitora.
Prefeitura abre inscrições para concursos culturais e competições esportivas do 24º Festeja Longá
A Prefeitura de Alto Longá iniciou as inscrições para os concursos culturais e as competições esportivas que integram a programação oficial do 24º Festeja Longá. Com o tema "Onde o trabalho, a cultura e a alegria se encontram", o evento busca valorizar a cultura popular, incentivar o esporte e promover os talentos locais, consolidando-se como uma das maiores festas da região.
Concursos culturais
As inscrições para as atividades culturais seguem até 22 de julho, das 8h às 13h, na Secretaria Municipal de Educação (SEMED).
Para participar, é necessário apresentar documento de identificação, comprovante de residência e ficha de inscrição preenchida. Menores de idade deverão entregar autorização assinada pelos pais ou responsáveis, conforme o regulamento de cada modalidade.
As disputas serão divididas nas seguintes categorias:
- Concurso de Sanfoneiros – 30 de julho, no palco oficial da Praça Central. A competição é voltada para sanfoneiros nascidos ou residentes em Alto Longá e tem como objetivo preservar a tradição da música nordestina.
- Concurso de Voz e Violão – 31 de julho. Os participantes deverão interpretar uma música com acompanhamento obrigatório de violão.
- Concurso de Talentos – 31 de julho. Contempla apresentações de canto, poesia, dança e performance, em modalidades individuais ou em grupo.
Competições esportivas
As inscrições para as modalidades esportivas são coordenadas pela Secretaria Municipal de Esportes.
Entre as atrações está a estreia da 1ª Longá Running, corrida de rua que será realizada no dia 30 de julho, às 17h, com concentração na Praça Central e percurso de 5 quilômetros. A prova contará com categorias masculina e feminina, e as inscrições são feitas exclusivamente pela internet, por meio do link oficial disponibilizado pela organização.
No mesmo dia acontece a competição de ciclismo, com largada na Estaca Zero e chegada na Praça Central de Alto Longá. As inscrições são presenciais, na Secretaria Municipal de Esportes.
Já no dia 31 de julho, serão realizadas as disputas de voleibol, nas categorias masculina e feminina, além dos jogos de tabuleiro e raciocínio, incluindo xadrez, dama e dominó. As inscrições também são presenciais na Secretaria Municipal de Esportes.
Segundo a Prefeitura, o 24º Festeja Longá tem como objetivo fortalecer a identidade cultural do município, incentivar a prática esportiva e proporcionar espaço para que artistas e atletas locais mostrem seus talentos durante a programação do festival.
Bom Jesus Fest 2026 terá Pablo, Limão com Mel e Brasas do Forró; confira a programação
A Prefeitura de Bom Jesus, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, anunciou a programação oficial do Bom Jesus Fest 2026, um dos maiores eventos do calendário cultural do município. A festa será realizada no próximo 22 de julho, na Praça do Serra Nova, reunindo atrações nacionais e um público de toda a região.
Entre os artistas confirmados estão Pablo do Arrocha, Limão com Mel e Brasas do Forró, que comandarão a programação musical da noite. A expectativa é de que o evento atraia moradores, turistas e visitantes de diversas cidades, impulsionando o comércio e movimentando a economia local.
O prefeito Nestor Elvas destacou que o Bom Jesus Fest já faz parte da tradição do município e vai além do entretenimento, contribuindo para o fortalecimento da cultura, do turismo e da geração de renda.
"Preparamos uma grande festa para receber nossa população e todos os visitantes que vêm celebrar conosco. O Bom Jesus Fest já faz parte da tradição do nosso município e, além de proporcionar lazer e entretenimento, também fortalece o comércio, gera oportunidades e movimenta a economia local. Convido a todos para participarem desse grande evento", afirmou.
Promovido pela Prefeitura de Bom Jesus, o Bom Jesus Fest se consolidou como uma das principais festas do sul do Piauí, valorizando a cultura local e impulsionando o turismo na região.
Exposição O Tempo das Plantas propõe troca cultural e desaceleração
A partir deste sábado (11), na histórica Casa Pacheco Leão, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, será inaugurada a exposição O Tempo das Plantas, que propõe uma reflexão sobre circulação de espécies, memória, ciência e intercâmbios culturais entre territórios e saberes. A mostra faz parte dos eventos do Ano Cultural Brasil-China.
Foto: Rogério Von Kruger/ Divulgação
Rogério Von Kruger/ DivulgaçãoCom o chá e o café como condutores, a exposição pretende que o público desacelere e observe o mundo a partir do tempo das plantas.
A narrativa parte das origens da Camellia sinensis, nas montanhas do sul da China, e do Coffea arabica, nas terras altas da Etiópia, do Quênia e do Sudão, para refletir sobre as conexões históricas entre África, Ásia e Brasil.
Muito antes de se tornarem bebidas globais, chá e café nasceram de paisagens específicas, de montanhas úmidas, florestas tropicais e terras cultivadas por gerações de agricultores que aprenderam a acompanhar os ritmos das estações, da chuva e da luz. Ao longo dos séculos, suas folhas e sementes cruzaram oceanos, transformando economias, paisagens e modos de convivência.
Com curadoria do estúdio UM.BA.RA.KÁ, a exposição reúne mais de 200 itens, entre obras de arte contemporânea, documentos históricos, ilustrações botânicas, objetos científicos, utensílios tradicionais, registros fotográficos, instalações sensoriais e conteúdos audiovisuais.
"O percurso articula arte, ciência e memória para abordar temas como agricultura ancestral, circulação de espécies, viagens marítimas, intercâmbios culturais, colonialismo, relações comerciais, biodiversidade e diferentes formas de conhecimento construídas em relação à natureza", dizem os curadores.
Segundo a curadora Isabel Seixas, o mundo vive em um tempo acelerado, mas as plantas nos lembram de outras formas de perceber o mundo.
"Ao acompanhar as trajetórias do chá, do café e de outras espécies, a exposição convida o público a refletir sobre como plantas, pessoas e territórios se transformam mutuamente ao longo do tempo. Entre arte, ciência e memória, O Tempo das Plantas propõe um olhar atento para as conexões que unem natureza e cultura e para os conhecimentos que surgem dessa relação", destaca Isabel.
Além da experiência expositiva, o projeto conta com programação educativa, visitas mediadas, atividades sensoriais, cerimônias do chá e ações voltadas à acessibilidade, buscando aproximar diferentes públicos das discussões propostas pela mostra.
A iniciativa tem apoio do Ministério da Cultura, State Grid, Banco BOCOM BBM e Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Serviço
O Tempo das Plantas
Local: Casa Pacheco Leão - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Endereço: Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro/RJ
Abertura: 11 de Julho de 2026
Período de visitação: até junho de 2027
Horário: das 10h às 17h (fechado às quartas)Portuguesa Lídia Jorge vence Prêmio Camões de Literatura 2026
A escritora portuguesa Lídia Jorge foi a vencedora do Prêmio Camões de Literatura de 2026, considerado a mais importante distinção literária da língua portuguesa. O resultado foi anunciado no início da tarde desta quinta-feira (2), após reunião virtual do júri.
Foto: Luisa Ferreira/Divulgação
Luisa Ferreira/DivulgaçãoUma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea, Lídia Jorge tem obra reconhecida pela análise profunda da história recente de seu país, pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres.
A autora receberá um prêmio de 100 mil euros, pagos por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional e do governo de Portugal.
Análise do júri
Nesta edição, os jurados foram:
professor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra – Portugal);
professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa – Portugal);
professora e pesquisadora Lucia Santaella (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP, Brasil);
professor, jornalista, historiador e doutor em Letras, José Ribamar Bessa Freire (Brasil);
escritor e crítico literário Lopito Feijó, (Angola);
escritora, poeta, professora universitária e pesquisadora Odete Semedo (Guiné-Bissau).
Segundo análise do júri, desde o romance O Dia dos Prodígios, de 1979, “o diversificado conjunto da obra de Lídia Jorge contribui para enriquecer o patrimônio literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo experiências do último período da guerra colonial.
"Já A Costa dos Murmúrios, de 1988, é um marco importante na sua obra, uma vez que destaca a sua experiência de vida em Moçambique e desconstrói as versões da guerra colonial sob a perspetiva de uma mulher”.
Um dos últimos romances da autora, intitulado Misericórdia, de 2022, fala sobre a velhice, a urgência da vida e a resistência ao fim.
Marcada por uma prosa poética densa, a escrita de Lídia Jorge aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida quotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as rupturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva.
“Por todos esses motivos, o júri considerou, unanimemente, Lídia Jorge merecedora do Prêmio Camões 2026”, diz a ata do júri.
Poder da escrita
Para a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, a escolha de Lídia Jorge para o Prêmio Camões de Literatura 2026 celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, cuja obra reafirma o poder da escrita para preservar memórias, ampliar horizontes e promover reflexões sobre a condição humana.
“O Prêmio Camões simboliza a riqueza da nossa língua comum e o compromisso permanente do Brasil e dos países lusófonos com a valorização da cultura, da literatura e do diálogo entre os povos. Celebrar Lídia Jorge é também reconhecer a força transformadora da palavra e da criação artística na construção de sociedades mais democráticas, diversas e humanas”, afirmou a ministra.
O presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Marco Lucchesi, afirmou que a escritora Lídia Jorge merece todo reconhecimento.
“Ela vive no coração do presente. Aponta para todas as contradições, dentro de uma perspectiva em que a política e a poética mostram-se inseparáveis, muito embora prevaleça, do começo ao fim, a altitude textual, a dinâmica profunda da língua literária. Seu profundo conhecimento da África, sobretudo de Moçambique, de Portugal e dos países de língua portuguesa empresta grande riqueza ao conjunto da obra”.
Lucchesi ressaltou também que Lídia Jorge possui uma consciência vigilante, crítica diante de um passado colonial e de todas as práticas de injustiça, na defesa de um largo estatuto de emancipação. “Uma obra vasta, de extrema riqueza de abordagem e de gêneros literários. É uma das glórias da língua portuguesa”.
A autora
Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, Algarve (Portugal), em 18 de junho de 1946. É graduada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. No início dos anos 70, durante a Guerra Colonial Portuguesa, viveu em Angola e Moçambique, experiência que marcou sua produção literária.
Seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios (1980), inaugurou uma nova fase na literatura portuguesa ao romper com o realismo tradicional e com o tom documental, dominante à época. Suas obras estão traduzidas em diversos idiomas e já receberam prêmios como Prêmio Pessoa, Médicis Étranger e Prêmio Estatal Austríaco de Literatura Europeia. Entre suas principais obras está ainda O Vale da Paixão (1998).
Prêmio Camões
O Prêmio Camões foi instituído em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal. Seu objetivo é estreitar os laços culturais entre as nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e enriquecer o patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.
Batizado com o nome do poeta português Luís Vaz de Camões, o prêmio é atribuído aos autores que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A primeira edição ocorreu em 1989.
O diploma entregue aos laureados contém o nome de todos os países lusófonos e é assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Entre os 36 vencedores encontram-se autores de cinco países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde).
Conheça os vencedores do Prêmio Camões desde 1989
Miguel Torga (Portugal),
João Cabral de Mello Neto (Brasil),
José Craveirinha (Moçambique),
Vergílio Ferreira (Portugal),
Rachel de Queiroz (Brasil),
Jorge Amado (Brasil),
José Saramago (Portugal),
Eduardo Lourenço (Portugal),
Pepetela (Angola),
António Cândido (Brasil),
Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal),
Autran Dourado (Brasil),
Eugénio de Andrade (Portugal),
Maria Velho da Costa (Portugal),
Rubem Fonseca (Brasil),
Agustina Bessa-Luís (Portugal),
Lygia Fagundes Telles (Brasil),
Luandino Vieira - recusado (Angola),
António Lobo Antunes (Portugal),
João Ubaldo Ribeiro (Brasil),
Arménio Vieira (Cabo Verde),
Ferreira Gullar (Brasil),
Manuel António Pina (Portugal),
Dalton Trevisan (Brasil),
Mia Couto (Moçambique),
Alberto da Costa e Silva (Brasil),
Hélia Correia (Portugal),
Radouan Nassar (Brasil),
Manuel Alegre (Portugal),
Germano Almeida (Cabo Verde),
Chico Buarque (Brasil),
Vítor de Aguiar e Silva (Portugal),
Paulina Chiziane (Moçambique),
Silviano Santiago (Brasil),
João Barrento (Portugal),
Adélia Prado (Brasil),
Ana Paula Tavares (Angola),
Lídia Jorge (Portugal).
Secult inaugura reforma e modernização do Centro Cultural Júlia Rodrigues em Currais nesta quinta (2)
O Governo do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), inaugura nesta quinta-feira (2), às 19h, a reforma e modernização do Centro Cultural Júlia Rodrigues, no município de Currais, no sul piauiense. A obra representa mais um investimento na recuperação dos equipamentos públicos de cultura do estado e reafirma o compromisso da gestão com a preservação dos espaços culturais e a ampliação do acesso da população às políticas públicas de cultura.
Com investimento de R$ 999.700,00, oriundo do Tesouro Estadual, a intervenção contemplou a requalificação completa da estrutura física do centro cultural, que possui área total de 807,65 m², incluindo uma quadra coberta. A entrega marca a criação da primeira arena cultural coberta da cidade, um espaço preparado para receber apresentações artísticas, eventos culturais, atividades esportivas e ações educativas, ampliando as possibilidades de uso pela comunidade.
Entre os serviços executados estão a construção de uma nova cobertura em estrutura metálica, intervenções no sistema de forro, recuperação de pisos, acabamentos e revestimentos, melhorias nas instalações elétricas e hidráulicas, além de adequações de acessibilidade e ações voltadas à preservação da estrutura existente. As melhorias tornam o equipamento mais seguro, funcional e preparado para atender às demandas atuais da população.
A recuperação do Centro Cultural Júlia Rodrigues integra o conjunto de ações da Secult voltadas à revitalização das casas de cultura, bibliotecas, museus, teatros e demais equipamentos culturais espalhados pelo Piauí. A iniciativa busca preservar o patrimônio público, fortalecer a produção cultural nos municípios e garantir que esses espaços continuem cumprindo seu papel como locais de formação, convivência, memória e valorização da identidade piauiense.
Para o secretário de Estado da Cultura, Rodrigo Amorim, investir na recuperação desses equipamentos significa fortalecer a cultura onde ela acontece: junto às comunidades. “Cada equipamento cultural recuperado representa mais oportunidades para artistas, estudantes e para toda a população. Nossa missão é garantir que esses espaços estejam vivos, preservados e preparados para receber as manifestações culturais de cada região do Piauí” , destaca o secretário.
O equipamento passa a oferecer uma estrutura moderna e adequada para sediar oficinas, apresentações, exposições, encontros comunitários e diversas atividades que movimentam a cultura do município.











