
PM reconhece "abordagem mal feita"; pais de menina morta temiam multa
O Coronel Vagner Torres, comandante do Policiamento Metropolitano da Região 1 de Teresina, reconheceu como uma "abordagem mal feita" a ação registrada na última noite, na Zona Leste da capital, que resultou na morte de uma criança de 9 anos. A menina E. C. estava na companhia dos pais em um veículo que foi perseguido e alvejado com disparos efetuados por policiais militares.
"Poderia ter pedido reforço, ter aguardado um local mais adequado para fazer essa abordagem e com certeza ter evitado essa tragédia", disse o militar em entrevista à TV Clube.
Os dois policiais envolvidos estão presos e a responsabilidade pelo ocorrido será agora investigada em um inquérito, cuja conclusão deve ocorrer no prazo de 20 dias. Em depoimento, o policial F.Alves disse ter efetuado dois disparos para cima, e ter visto seu companheiro de guarnição, soldado Dornel, atirar 5 vezes.
Sobre a abordagem
À reportagem, o coronel afirmou ainda que os dois policiais foram abordados enquanto faziam ronda na Avenida Nossa Senhora de Fátima, onde um cidadão informou que foi vítima de uma tentativa de assalto, dando as características do veículo, um Clio vermelho, semelhante ao que estava a família.
Mais tarde, quando o veículo da família foi avistado, os policiais iniciaram uma perseguição, que só acabou próximo à Alemanha Veículos, na Avenida João XXIII, quando o carro parou e foi logo em seguida atingido com diversos disparos.
Além do casal e da menina, estavam no carro ainda uma outra criança de 8 anos e um bebê de 8 meses, que estava no colo de Daiane Caetano, mãe de E. C., que foi atingia de raspão no braço. A bala por pouco não atingiu o bebê.
Mãe diz que PM recolheu cápsulas
A mãe da menina disse à TV Clube que saiu de casa com a família rumo à região do Grande Dirceu, já que a filha estava com fome. Ao tentar fazer uma rotatória, Evandro Costa, seu esposo - que também foi baleado -, acabou subindo no meio-fio, momento em que a viatura começou a segui-los.
Ao reparar que estavam sem o bebê-conforto, Daiane logo disse apreensiva ao marido que os dois poderiam ser multados. Seguiram em fuga, mas assim que viu a sirene da viatura ligada a mulher pediu ao marido que parasse. "Assim que parou a polícia ficou um pouquinho distante e começou a atirar", contou. A dona de casa disse ainda que "todo mundo que estava ao redor viu" quando um dos policiais começou a recolher as cápsulas provenientes dos disparos. Relatou inclusive que os militares pediram a chave do carro e levaram para fazer a perícia.
Além do inquérito militar, o caso está sendo acompanhado pela Polícia Civil, através da Delegacia de Homicídios.









