Enfrentamento à violência de gênero -

Janja participa de lançamento do Pacto contra o Feminicídio no Piauí

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, esteve em Teresina nesta quinta-feira (30/07) para participar da solenidade de lançamento do Pacto Brasil contra o Feminicídio no Piauí. O evento aconteceu no Blue Tree Towers Hotel e reuniu gestores estaduais, municipais e representantes da rede de proteção às mulheres.

Em seu discurso, Janja defendeu a integração entre instituições e sociedade como caminho para o enfrentamento à violência de gênero. Ela afirmou que o combate ao feminicídio "não tem lado ideológico e não tem cor, só tem a defesa da vida das mulheres".

Foto: 180GrausJanja

A primeira-dama recordou uma entrevista concedida à jornalista Cinthia Lages, da TV Meio Norte, em que revelou seu maior sonho: viver em um país onde nenhuma mulher seja vítima de feminicídio. Ela também abriu sua fala homenageando vítimas de casos recentes no Piauí e defendeu que elas sejam lembradas com respeito.

"O Pacto, que foi uma iniciativa do presidente Lula, é a reunião dos três poderes em um pacto pela vida das mulheres. E mais que um acordo institucional, ele é um compromisso com cada mulher desse país e afirmar, todos os dias, que a vida das mulheres importa", declarou.

Janja destacou ainda a redução no prazo para concessão de medidas protetivas de urgência, que passou de 16 para três dias, e agradeceu ao Poder Judiciário pela agilidade. Segundo ela, a prevenção depende do trabalho conjunto entre as instituições e a sociedade.

Ao abordar os indicadores de violência, Janja mencionou dados do Observatório Piauiense, que apontam 10 feminicídios no primeiro semestre de 2026, uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ela ressaltou, no entanto, que a meta deve ser a eliminação total dos casos.

"A gente não pode se acostumar com nenhuma estatística. O único número que podemos aceitar é o zero. Não podemos admitir que mulheres continuem perdendo suas vidas porque decidiram terminar um relacionamento ou simplesmente porque nasceram mulher", afirmou.

A secretária de Estado das Mulheres, Diva Vasconcelos, avaliou que o pacto demonstra que o enfrentamento ao feminicídio supera divergências políticas e exige atuação integrada dos municípios. Ela agradeceu aos profissionais que atuam no atendimento às vítimas e ressaltou a importância da empatia e da solidariedade.

"Mostramos que o combate ao feminicídio é uma causa que supera qualquer diferença. Não existe nada que se faça sem amor, empatia e solidariedade. Cada mulher representa o que o Piauí é. Nós queremos que elas sintam segurança. O Pacto é um marco. Que o Piauí possa se somar cada vez mais", declarou.

A procuradora-geral de Justiça do MPPI, Cláudia Seabra, apresentou números da atuação da instituição na área. Ela informou que, somente nas quatro promotorias especializadas, foram registradas mais de 11 mil manifestações, 2.190 denúncias contra agressores e 4.900 ações judiciais.

Cláudia Seabra também destacou que o MPPI obteve 87,5% de condenações nos casos de feminicídio levados ao Tribunal do Júri. Ela defendeu que a violência contra a mulher seja combatida antes de chegar ao estágio mais grave.

"O piauiense não aceita casos de feminicídio. Mas ele não pode ser enfrentado apenas quando ele chega no estado mais avançado. Ele tem que ser combatido antes", afirmou.

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