Política

Operação Déspota · 28/05/2020 - 15h38 | Última atualização em 28/05/2020 - 17h52

Ex-prefeito pagava 15% de propina só para empresa fingir que fazia a obra na cidade

Situação era tão cômoda que até a empresa da esposa um marido chegou a 'emprestar' para possíveis rolos


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

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- Investigações que evoluíram para a Operação Déspota começaram com desconfianças a respeito de uma compra de R$ 70 mil em um mercado sem estrutura

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INVESTIGAÇÕES DO GAECO

Não são poucos os relatos no estado do Piauí de empreiteiros que sustentam ter que seguir a cartilha dos políticos, senão, segundo eles, “passam fome” ou, não “integram o jogo”.

Relatos de propina, em porcentagens variáveis, pagas a organizações formadas por agentes políticos para se fazer parte “do jogo”, no entanto, vez ou outra figuram em investigações. 

Há inovações, claro, como a declinada em sede de depoimento pelo então presidente da Comissão de Licitação do município de Redação do Gurgueia, alvo, em 2016, da Operação Déspota, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Romário Alves de Figueredo, em depoimento dado ao Ministério Público Estadual no interior da penitenciária Dom Abel Alonso, em Bom Jesus, chegou a dizer que o então prefeito daquele município, Delano Parente, pagava 15% para que empresa simulasse que fazia a obra, com a papelada formal, claro, enquanto o próprio prefeito de então destacava seu pessoal para fazê-la, e ficava com o resto do dinheiro.

Ou seja, a empresa recebia 15% livre, sem esforços. 

E como o então presidente da Comissão de Licitação soube disso? Alguém insatisfeito, diz ele, foi lá cobrar que o acordo não estava sendo cumprido pelo então gestor, porque embora tivesse emprestado o nome da empresa e tivesse já recebido os 15%, a obra que deveria ficar a cargo do então prefeito não estava sendo feita.

Detalhe: nesse caso em específico, narrado pelo então presidente da Comissão de Licitação, a empresa emprestada estaria no nome da "esposa" do reclamante.

O que o estava preocupando.

E ONDE ESTÁ A INOVAÇÃO?

Nesse episódio, o próprio prefeito da época, segundo as investigações, pagava a propina para a empresa emprestar sua documentação, enquanto ele próprio tocaria a obra. 

Ocorre que, geralmente, a empresa para ter a obra, tem que pagar uma determinada porcentagem ao gestor, mas ela é que deve de fato fazer a obra, segundo alguns empreiteiros relatam. 

VEJA TRECHOS DA DIVISÃO DOS TRIBUTOS PAGOS:

 

A OPERAÇÃO

A Operação Déspota foi deflagrada em 2016 para coletar provas de desvios de milhões de reais em recursos públicos em Redenção do Gurgueia. 

O então prefeito, advogados e integrantes do governo foram presos. 

O caso se arrasta na justiça.


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